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Blog da Cláudia Bergo


Tecnologias em Educação Física Escolar


Tempos pra lá de Modernos

Meu plano de aula foi por água abaixo ontem:  por força de um verdadeiro dilúvio, eu e meus alunos de 1° período ficamos confinados em sala de aula.  Recorri, então, ao plano C (de chuva) e iniciei as oficinas com  jogos pedagógicos.

Ocorre que, nessa época do ano, eles já estão “pós-graduados” em oficinas e raramente pedem auxílio para realizar as atividades e/ou resolver conflitos. Assim, sentei em uma mesinha desocupada, abri meu notebook e fui verificar na planilha se havia algum aluno daquele turno a ser testado em algum dos quesitos do diagnóstico.

A uma certa altura, uma aluna se aproximou e falou: “Eu vou ganhar um desses no Natal”. E eu perguntei: “Um desses o quê?”. Ela apontou o notebook e informou: “Só que o meu vai ser um da Barbie!”.  Uau!  — exclamei sorrindo — e ela, sem mais conversa, voltou para sua atividade.

Eu, fiquei e continuo pensando a respeito.  Mais alguém?

Conectando

Graduei-me em Educação Física em 1992 e desde então trabalhei em escolas publicas e privadas de educação básica. Hoje, me dedico inteiramente à Educação Infantil, que penso ser “meu número”.  E de olhar atento às inovações tecnológicas, em especial as da Informação e Comunicação.

Eu me considero “cria” das tecnologias da informação e comunicação. Meus avós eram professores. O meu avô materno mantinha uma vasta biblioteca em sua casa que reunia netos de todas as idades: havia quadrinhos – folhas de jornais que ele cuidadosamente arquivava e encadernava, com, por exemplo, tiras do Réco-Réco, Bolão e Azeitona, clássicos da literatura, revistas Seleções, National Geografic e o meu adorado Tesouro da Juventude. Meus pais eram radioamadores e desde pequena acompanhei suas “rodadas” de conversas com gente de todo o Brasil e de diversas partes do mundo. Recebíamos escoteiros em épocas de Jamboree – uma espécie de gincana de comunicações entre eles, em que vencem os que realizam maior número de contatos.

Sinto a respeito das tecnologias o mesmo que Ferreira Gullar1 em relação à arte:

Confesso que, espontaneamente, nunca me coloquei esta questão: para que serve a arte? Desde menino, quando vi as primeiras estampas coloridas no colégio (que estavam muito longe de serem obras de arte) deixei-me encantar por elas a ponto de querer copiá-las ou fazer alguma coisa parecida. Não foi diferente minha reação quando li o primeiro conto, o primeiro poema, e vi a primeira peça teatral. Não se tratava de nenhum Shakespeare, de nenhum Sófocles, mas fiquei encantado com aquilo. Posso deduzir daí que a arte me pareceu tacitamente necessária. Por que iria eu indagar para que serviria ela, se desde o primeiro momento me tocou, me deu prazer?

Em cada etapa da minha vida, a cada nova tecnologia com a qual me deparei, senti algo assim: a tecnologia me pareceu tacitamente necessária.

Particularmente, a cada nova tecnologia que absorvo em meu trabalho, percebo claramente o quanto ela me possibilita aperfeiçoá-lo. Discuto isso com detalhes no artigo: Tecnologias da Comunicação e Informação na Educação Física Infantil.

Minha proposta para este espaço é apresentar minhas experiências e divulgar aquelas de que tiver conhecimento para empreendermos uma análise crítica destes instrumentos. Desde já, conto com sua participação.

1. GULLAR, Ferreira. Para que serve a arte? In: Votorantim. Manual de Apoio à Elaboração de Projetos de Democratização Cultural, p. 8. Disponível em http://www.blogacesso.com.br/forum/manual.pdf, acesso em 11 nov. 2010.


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