Hoje pela manhã pude constatar a obsolescência de meu cérebro. Saí de casa às dez para as sete da manhã para ir a uma escola dez quilômetros distante. Os primeiros mil metros custaram-me setenta minutos. Fiquei preso num engarrafamento que ocorre todos os dias no Campeche, Sul de Florianópolis, lugar lindo. Porém, não há só beleza em Florianópolis; há, também, congestionamentos gigantescos diariamente e descaso, muito descaso, tanto do poder público quanto dos moradores. Como podemos nos sujeitar a viver desse jeito, presos dentro de nossos lindos carros particulares, inúteis eles, e inúteis nós! Somos tão bons em matemática, em física, em química, os vestibulares são tão rigorosos, e não conseguimos solucionar os problemas coletivos do cotidiano. Para quê tanto cérebro?
Publicado em 15.03.2010.
Por João Freire
Ontem, finalmente, assisti ao filme “Lula, o filho do Brasil”. Belo filme, ao contrário do que li nas críticas. Conta a saga de um brasileiro, não de um presidente. Mostra até onde pode chegar alguém com boa educação. No caso, a grande educadora foi a mãe de Lula, exemplo de grande mulher brasileira. Nenhuma educação pode ser melhor que aquela praticada pela mãe boa. Essa mãe deveria ser a referência de todos os currículos. Vendo o filme, entendo melhor o preconceito, e até o ódio do pessoal da Casa Grande contra o presidente do Brasil. Afinal, foram educados para ver os de sua classe como os dirigentes, e os da classe do Lula como os serviçais. De repente um pobre metalúrgico nordestino se dá o direito de dirigir. Que negócio é esse? Independentemente de erros e acertos, que as corrupções a gente não deve perdoar, um trabalhador no poder representa grandes mudanças. Lula acertou sempre numa coisa: tem foco. Sabia que, como dirigente metalúrgico deveria atender os trabalhadores. Trabalhador tem que ter casa, emprego e comida na mesa, antes de mais nada. A direita, claro, nunca entendeu isso. A esquerda, em muitos casos, entendeu o trabalhador apenas como meio para chegar à revolução, esquecendo da casa, da comida e do emprego. Assim também penso em relação à Educação Física. Antes de mais nada, temos que dar aulas, que dar aulas boas, que valorizar a aula, o professor e o aluno. A revolução vem depois, ou a revolução é isso.
Publicado em 15.03.2010.
Por João Freire
Pouca atenção prestamos na linguagem corporal. No entanto, ela constitui a base da linguagem falada. E a linguagem corporal nunca nos deixa. Sempre que falamos, acompanha nossa fala a linguagem corporal. Os gestos dão ênfase às palavras, às frases. Frases ditas com certos gestos, significam certas coisas, ditas com outros gestos, adquirem outros significados. Há frases que ditas com gestos pouco expressivos, nada representam, enquanto que outras, com os gestos adequados, emocionam às lágrimas. Os grandes oradores sabem disso. Nós da Educação Física deveríamos prestar mais atenção à linguagem corporal. Talvez, se fizéssemos isso, perceberíamos a importância que tem alfabetizar corporalmente as pessoas. Todos, sendo professores, seríamos alfabetizadoresl. Uma das responsabilidades dos professores e professoras de Educação Física é alfabetizar corporalmente as pessoas.
Publicado em 15.03.2010.
Por João Freire
As últimas informações indicam que o grande cartunista Glauco foi morto, não por assaltantes, mas por um desequilibrado, jovem, que frequentava a igreja fundada por Glauco. Um outro ramo de violência.
Publicado em 12.03.2010.
Por João Freire
Assaltantes mataram o grande cartunista Glauco e seu filho. Cada vez me convenço mais que esse tal de progresso segue uma direção errada.
Publicado em 12.03.2010.
Por João Freire
Vamos explorar um pouco este tema: o dicionário não se compromete muito com esses termos. Entendo que eles querem dizer muito mais do que está escrito nos dicionários. Porém, comecemos por estes. O Houaiss diz que a palavra “alfabeto” vem do latim alphabetum, e é uma aglutinação das duas primeiras letras gregas álpha e betha. Diz ainda que é um “conjunto finito de símbolos que representam os elementos de uma língua.” Há algo que compartilhemos mais em uma sociedade? Enfim, alfabetizar-se, apropriando-se de uma língua, é humanizar-se. É porque falamos que somos humanos. E, sem dúvida, alfabetizar-se vai muito além de memorizar símbolos. Nós, da Educação Física, podemos pensar, por exemplo, em nosso trabalho de alfabetização motora.
Publicado em 12.03.2010.
Por João Freire
Ontem minha esposa fez mais um aniversário. Fizemos festa, com pizza, para variar. Parabéns a ela que faz de cada dia uma vida inteira. São lições de vida que me privilegiam. Signos: ela, peixes; eu, anzol.
Publicado em 12.03.2010.
Por João Freire
A Capes agora considera livros na avaliação dos programas de pós-graduação. Na Universidade do Vale das Antas – Unianta, livros nunca foram considerados; analfabetos não leem livros.
Publicado em 9.03.2010.
Por João Freire
Toda auto-ajuda é hetero-ajuda.
Publicado em 9.03.2010.
Por João Freire
O debate é acirrado e, pelo jeito, vai durar muito. Uns defendendo a ideia de que a emissão de gazes de efeito estufa aquecem o planeta; outros dizendo que o aquecimento é cíclico e sempre foi assim, mesmo quando não existia a raça humana. Para mim, o problema é mais primário. Os gazes que lançamos no ar, preço pago por uma cultura que foca alvo errado, poluem o ambiente. O mar está cheio de sacos plásticos, o ar das cidades infestado de gases asfixiantes, as florestas adoecem, perecem, os bichos entram em extinção, e por aí afora. Mesmo que os gases não fossem responsáveis pelo aquecimento do planeta restaria esse outro problema gravíssimo, qual seja, a poluição que deteriora a qualidade de vida. Se, por um lado, a ciência e a tecnologia viabilizam curas para doenças, a mesma ciência e tecnologia infesta o ar de dejetos poluentes, que tornam o ambiente insuportável. Não importa, num certo sentido, se o planeta está sendo aquecido ou não pela ação humana, importa, antes, que não podemos poluir, pois, aquecido ou não, o planeta vai se tornando inviável para a vida.
Publicado em 4.03.2010.
Por João Freire