Ridícula a atitude dos membros do Comitê Olímpico Brasileiro. Tempos atrás a Profa. Kátia Rúbio publicou mais um livro sobre a participação dos brasileiros em Olimpíadas. Pois bem, o COB mandou-lhe uma carta ordenando-lhe que recolha seu livro, pois ela usou palavras como Olimpíadas, Olimpismo, Olímpico, que, segundo o COB, são de sua propriedade exclusiva em todo o território brasileiro até 2016. E eu que pensava que a língua portuguesa era patrimônio de todos? Ou seja, como este blog é uma publicação, eu não poderia estar aqui escrevendo Olimpíadas, por exemplo. Manifestem apoio à Profa. Kátia, enviando comentários para este blog, ou entrando no site do CEV e publicando vossos apoios. Gente, começamos mal as Olimpíadas de 2016.
Publicado em 5.02.2010.
Por João Freire
Ao contrário do que apregoa uma certa esquerda por aí, para um professor que trabalha oito horas por dia dar boas aulas, não é necessário ter por trás de cada aula uma imensa fundamentação teórica, conceitos fantasticamente abstratos, consciências sociais e políticas estratosféricas, considerações sobre o futuro da democracia, do socialismo, etc. Ora, dar boas aulas também é um ato político, e o mais político que pode existir na educação. Quando digo dar boas aulas estou falando de definir bem os conteúdos (no caso da Educação Física, os conteúdos típicos da cultura da Educação Física: esporte, dança, ginástica, brincadeiras populares, folclore, exercícios de ginástica, etc.), de utilizar uma metodologia consequente, e de ter sempre como tema transversal a ética (ética no sentido de cuidar bem da vida, isto é, da própria vida e da vida dos outros ao mesmo tempo). Não é preciso ter sempre Marx ou Piaget na mente para dar boas aulas. Não é preciso sempre sentir-se culpado pelas agruras do mundo para dar boas aulas. Não é preciso lembrar o tempo todo das tragédias para dar boas aulas. É possível dar boas aulas com alegria, com proposições, com bom humor, com otimismo. Mesmo que eu soubesse que até o fim dos tempos a sociedade seria orientado por esse capitalismo porco que temos aí, mesmo assim eu seria mais alegre que triste… e seria assim também ao dar aulas.
Publicado em 29.01.2010.
Por João Freire
Gostei muito dos poemas que a Juliana Vieira, uma colega professora, tem enviado para meu email. Ela me autorizou a publicá-los neste blog. Aí vai o primeiro:
NO RECREIO
QUANDO TOCA A SIRENE
DESÇO AS ESCADAS CORRENDO
É RECREIO EM MAIS UM DIA
VOU CONTAR-LHES UM SEGREDO:
ESTA É A HORA EM QUE AS MENINAS
SE ENCONTRAM PRA CONVERSAR
E UM MONTE DE MENINOS
LÁ NA QUADRA PRA JOGAR
ME APROXIMO DE MANSINHO
POIS TAMBÉM QUERO ESTAR LÁ
PRA CORRER ATRÁS DA BOLA
E QUEM SABE UM GOL MARCAR
MAS QUASE TODOS OS DIAS
SAIO TRISTE A CHORAR
NÃO SOU UM DAQUELES CRAQUES
E ME IMPEDEM DE JOGAR
NÃO ENTENDO O POR QUÊ
DE PENSAREM SÓ EM GANHAR
PERDER FAZ PARTE DA VIDA
O MAIS IMPORTANTE É BRINCAR!
Publicado em 28.01.2010.
Por João Freire
Eu elegeria o juiz Fausto De Sanctis o homem do ano de 2009. Devo isso a ele, por lutar por mim para que haja alguma justiça neste país, de modo que a justiça deixe de prender só ladrão de galinha e comece a pegar os bacanas. Por enfrentar gente como Daniel Dantas e os diretores da Camargo e Correa, De Sanctis sofre a mais bizarra perseguição já sofrida por um verdadeiro homem da lei, perseguição movida por gente grossa, da justiça superior e políticos de alto escalão, que fazem questão de proteger os da Casa Grande. Quem não conhece o juiz Fausto De Sanctis, favor entrar no Google e clicar o nome dele, para, em seguida, ver o que esse brasileiro tem feito por nós. Procurem saber quem são os advogados dos bacanas processados no Brasil, um deles, até pouco tempo ministro. Não é à toa que De Sanctis tem sido tão perseguido. Vai levar muito tempo gente, até que nós, da Senzala, sejamos beneficiados pela justiça. Por isso temos que defender gente como De Sanctis.
Publicado em 28.01.2010.
Por João Freire
Sabem uma das coisas que mais contribui para o êxito de uma aula? O professor acreditar em seus alunos, acreditar que eles vão aprender, que a coisa vai dar certo. Quando eu desafio meus alunos numa brincadeira de corda, faço isso de um jeito que torne possível a eles chegar a um bom resultado. E, se for preciso, facilito, faço de tudo para que acertem. Se eles tiverem êxito, aprenderão a acertar. Nunca ensino a errar, nunca ensino a perder. Quem aprende a perder, perderá sempre. Quem aprende a errar, errará sempre. Gosto que meus alunos terminem a aula com a sensação de que são capazes, de modo que suas auto-estimas aumentem. Amar os alunos é querer que eles acertem. Se for para dar nota, torçamos para que todos tirem dez. Bom professor não é o que reprova muitos, mas o que ensina bem e aprova todos. Conversa fiada essa história que eu escutava na Unicamp, que professor que aprova todo mundo é ruim; pelo contrário, os que reprovam muito é que não sabem ensinar, são incompetentes e se escondem sob a capa da arrogância acadêmica. Não são gênios, são tapados.
Publicado em 28.01.2010.
Por João Freire
O Fábio fez um comentário meio desanimado sobre a retomada do ano. Apesar das más notícias, há mais bem que mal no mundo. Como disse Maturana, o amor suplanta a indiferença, caso contrário, não haveria mais sociedade. O amor é a liga da sociedade. Porém, o mal, exatamente porque é mal, aparece muito, faz propaganda, sai na televisão,nos jornais, na internet. O bem é discreto, o amor, então, sempre quieto. O silêncio não repercute menos que o barulho, o amor não é mais fraco que o ódio, a solidariedade não perde para a indiferença. Porém, vivendo numa sociedade em que governos e empresas não praticam a ética, querer o quê? Podemos esperar que não aconteçam as roubalheiras, que as tragédias deixem de atingir os mais pobres, que a injustiça não fira os mais necessitados? É assim mesmo numa sociedade de mercado, quando a competição é eleita o motor das relações. Calma, não é para nós, mas o mundo melhora, a sociedade evolui, mas não no ritmo que queremos. Quem sabe nossos netos e bisnetos vejam coisas bem melhores. Quando uma de suas filhas estava para nascer, talvez a Martinália, Martinho da Vila escreveu uma música: “Vai ter que amar a liberdade/Só vai cantar em tom maior/Vai ter a felicidade de ver um Brasil melhor”. A menina cresceu e a coisa aconteceu mesmo.
Publicado em 28.01.2010.
Por João Freire
As enchentes em São Paulo começaram há mais de mês. Já mataram dezenas de pessoas. Aquela água que juntou em alguns bairros, os mais pobres, ainda não baixou e nenhuma providência se tomou. Minto, o Estado mandou a polícia lá para conter os protestos de gente que não aguenta mais viver dentro da água. A polícia chegou para colocar ordem, para que os bacanas possam dormir em paz. Para a Casa Grande, pobre é sinônimo de bandido.
Publicado em 26.01.2010.
Por João Freire
Andei passeando pela Paraíba, primeiro João Pessoa, depois o sertão. Fiquei impressionado com o que vi na praia do Jacaré. Explico: décadas atrás, quando eu morava em João Pessoa, um sujeito dono de um boteco, inventou de, faltando 18 minutos para o sol se pôr, colocar na vitrola o Bolero de Ravel. A música dura exatos 18 minutos; seu final coincidia com o pôr-do-sol. A coisa pegou, o tempo passou e o evento virou uma atração turística. A praia do Jacaré é ao contrário; o mar dá uma volta e o sol se põe no mar, que nesse lugar está a oeste. Estive lá agora. Mal dá para andar, de tanta gente. No lugar do boteco, restaurantes, feirinhas, bares, gente, gente, gente, natureza depredada, um monte de lugares tocando boleros de Ravel. O ser humano é assim: ele chega num lugar lindo, selvagem e logo pensa: “que lindo! Quero um pedaço disso para mim”. E vai comprando, e construindo, e destruindo. No lugar da natureza selvagem que ele comprou, ele coloca sua natureza selvagem predadora, aquele pedaço de nós que destroi, que é ruim, que é perverso, e que convive com nossa natureza selvagem produtora, boa, que constroi. Que coisa: a natureza selvagem de bichos, plantas, águas, ventos, tão bonita, tão boa (apesar de haver também os terremotos, e maremotos, e vulcões, etc.), acaba sendo substituída pelo mais refinado produto de nossa natureza selvagem predadora e dá no que está dando: um Bolero de Ravel na praia do Jacaré insuportável, praias poluídas, aquecimento global, trânsito engarrafado, etc., etc. Precisamos de doses cavalares de boa educação para aprender a colocar para fora nossa natureza boa.
Publicado em 26.01.2010.
Por João Freire
Cartel é crime, grave. Com ele, os preços disparam. Em Florianópolis a gasolina está chegando aos três reais por litro. Vejam como a coragem consegue bater o crime, já que a justiça raramente faz algo contra isso. Tirei do blog do Luiz Nassif:
Por Leandro Tadeu
Luis , um bom exemplo de empreendedorismo que vem do MS
20/01/2010 12:42
Agricultor decreta o fim de cartel em cidade dona da gasolina mais cara de MS
Nicanor Coelho, de Dourados
Nicanor Coelho
A cidade de Dourados até três meses atrás vendia a gasolina mais cara de Mato Grosso do Sul. O preço do litro chegou perto de R$ 3,00 até que o agricultor Paulo Menegueli Pricinato indignado com o que ele chama de “possível cartel da gasolina” resolveu dar uma basta na situação.
Paulo pesquisou e descobriu que os postos de combustíveis poderiam vender mais barato mantendo uma boa margem de lucro. O agricultor ao descobrir que quase todos os cinqüenta postos de Dourados cobravam o mesmo preço pelo litro chegou a conclusão que havia um “combinado” entre os donos de postos e distribuidores configurando a existência de um cartel.
O agricultor reuniu seus dois filhos e fez um desafio. “Vamos montar um posto de gasolina?”. Desafio aceitado, Paulo que já não agüentava mais viver da agricultura, arrendou parte de suas terras para uma usina de açúcar e álcool. Outro pedaço da propriedade o agricultor plantou cana por conta própria para depois vender para a usina.
Paulo investiu cerca de R$ 700 mil e montou seu próprio posto que entrou em funcionamento no dia 24 de outubro. Mas antes de ativar a primeira bomba, Pricinato travou uma “verdadeira guerra” para conseguir abrir sua empresa, tirar o CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica), conseguir alvará do Corpo de Bombeiros e até mesmo o registro na ANP (Agência Nacional do Petróleo).
“Foi tudo muito difícil”, disse o empresário que recusou a proposta de se filiar ao Sindicato dos Postos de Combustíveis por entender que estava entrando no mercado “para ser um diferencial”. Em outubro, quando abriu o posto, Paulo Pricinato começou a vender a gasolina a R$ 2,59 o livro e a fila de carros e motos dobrava o quarteirão. “Automaticamente os demais postos de combustíveis começaram a abaixar o preço”, disse o ex-agricultor.
Atualmente Paulo está vendendo a gasolina a R$ 2,45 e promete manter o preço. “Não foi uma jogada de marketing”, diz o empresário que além dos dois filhos e mais três familiares emprega dezesseis pessoas para dar conta das oito bombas. Paulo gostou tanto da nova atividade profissional e disse que vai montar o segundo posto numa cidade do sul do Estado.
Depois que o cartel acabou Paulo afirma que alguns postos ainda praticam preços altos. “Vendendo a gasolina a R$ 2,45 consigo uma boa margem de lucro e garanto a viabilidade da minha empresa’, explicou Pricinato que optou em não colocar “bandeira” em seu posto justamente para fugir do Cartel.
O agricultor de 53 anos de idade disse que tem um amigo no Paraná que é dono de posto de gasolina e contou tudo sobre o “mercado de combustíveis”.
Como a consultoria dada pelo amigo, Paulo que não chegou a concluir a quinta série do ensino fundamental passou a ser mal visto entre os empresários do setor e a ser respeitado pelos douradenses que “deixaram de ser refém do cartel”, conforme afirmou professor Alberto Batista Ramos que toda a semana enche o tanque do seu fusquinha 1968 com a gasolina mais barata.
O administrador Auro César Ferreira Caimar é cliente de Pricinato deste o primeiro dia de funcionamento do posto e afirmou que “ninguém agüentava mais pagar três reais pela gasolina”.
Caimar disse que agora vale a pena pesquisar já que cada posto coloca um preço melhor para atrair a clientela. “Praticamente todos os dias recebo telefonemas de postos oferecendo combustíveis com preços mais barato e até com prazo para pagar”, finalizou.
PREÇO DUPLO
O PROCON autuou nos últimos dias vários postos de combustíveis que estão usando tarifas diferenciadas para pagamento em dinheiro e a cartão de crédito.
O diretor do órgão Rosemar Mattos afirmou que alguns postos já foram multados e acrescentou que a prática de preços duplos atenta conta o Código de Defesa do Consumidor.
Mattos alerta que as empresas reincidentes poderão receber multas maiores por descumprir a legislação. O PROCON, segundo ele, vai continuar fiscalizando os postos de combustíveis para acabar com a cobrança diferenciada pelos combustíveis.
Publicado em 23.01.2010.
Por João Freire
De vez em quando esse mundo da elite branca, a casa grande, cospe seus detritos. Duro é ver que a tragédia maior não é o terremoto, mas o descaso que tiveram com um país que se arrasta na miséria há décadas e nunca ninguém quis fazer nada, porque não estava no mapa dos interesses políticos de americanos e europeus. O terremoto só veio coroar a tragédia vivida todos os dias por haitianos. Enquanto comemos nosso prato de comida às oito da noite a TV na nossa frente desfila as tragédias dos haitis do mundo sem que percamos o apetite. Quanto cada um de nós dá voluntariamente de seu trabalho, sem cobrar nada, para que o mundo melhore? Trabalhemos, em parte para pagar o pão, o aluguel, a roupa, o lazer, em parte para que outros tenham o mesmo direito, para que o Haiti não seja símbolo da miséria física e da miséria escondida dentro de cada um de nós.
Publicado em 20.01.2010.
Por João Freire