Blog do João Freire



Declaração de voto

Declaração de voto: declaro meu profundo respeito pelos eleitores de Aécio Neves, mas não votarei nele. Voto pela ampliação do ensino público, pelo controle do capital financeiro internacional, pelo respeito às mulheres e às minorias, pelo fortalecimento dos projetos sociais, pela melhor distribuição de renda, pelos direitos dos aposentados, pelo aumento do emprego, entre tantas necessidades. Meu trabalho, nos últimos cinco anos, tem sido andar pelo Brasil que não passa na televisão, dando aulas para crianças, adolescentes e professores. Sei como era esse Brasil e como é agora. Constato os, ainda, enormes problemas de nosso país, mas constato também os avanços, especialmente na melhoria das condições de vida da população mais pobre, antes, miserável. Há uma enorme diferença entre um governo que, mesmo errando, mesmo atacado pela corrupção, foca nos mais necessitados, e um governo que governa para os mais ricos, e que também erra e é atacado pela corrupção. E por não querer retroceder nos avanços sociais, por não querer perder aquilo que foi tão duramente conquistado, voto em Dilma Rousseff.

O caso do futebol brasileiro – terceira parte

O fato é que, nos 24 anos seguintes, corremos atrás dos europeus, isto é, tentamos imitar seus métodos, tentamos transformar nossos jogadores em homens musculosos, velozes e resistentes, como os louros suecos, ingleses e alemães. Não nos passou pela cabeça que preparação física pode ser outra coisa, mais conectada com a técnica, com o lúdico.

Apesar disso, é tão grande a quantidade de praticantes do futebol no Brasil que os artistas continuaram a aparecer (a pedagogia da rua continua, espalhada pelo país), alguns deles anulados precocemente nas tais escolinhas e nas equipes de base, obrigados aos exercícios de repetição mecânica e aos trabalhos de força. A educação física, com seus métodos de europeização dos brasileiros, não conseguiu evitar o surgimento de craques como Romário, decisivo na conquista da Copa de 1994. Apesar disso, a vitória foi creditada aos métodos científicos de preparação do técnico na época, Carlos Alberto Parreira, que discursava com palavras acadêmicas e analisava o futebol em linguagem tão hermética que poucos o entendiam, embora, por isso mesmo, o respeitassem. O fato é que os times da Copa de 1994, de modo geral, apresentaram um futebol de tal maneira medíocre que venceu, talvez, o menos medíocre.

Exceto pela Argentina de Maradona, o futebol seguiu sendo medíocre no mundo todo, incluindo, agora, a seleção brasileira, que passou a viver dos feitos esporádicos dos craques que escapavam da degola da educação física. Técnicos brasileiros passaram a se vestir durante os jogos como os técnicos europeus, tentando, pateticamente, com seus ternos e gravatas, apagar a imagem do Terceiro Mundo que somos (embora sejamos Primeiro Mundo no futebol). Depois veio a conquista da Copa do Mundo de 2002, e a educação física foi cantada em verso e prosa – pois esquecemos que essa copa foi decidida, em boa parte, pelos métodos pouco científicos mas extremamente intuitivos do senhor Luiz Felipe Scolari e por um craque espetacular, gordo e com um joelho quase inutilizado, Ronaldo Nazário, que desafia todas as análises das ciências do esporte. E, é claro, fomos favorecidos pela mediocrização do futebol mundial, que só aumentou.

O caso do futebol brasileiro – segunda parte

De meu ponto de vista, essa história explica-se da seguinte maneira: a reinvenção do futebol à brasileira deu-se à revelia da educação física. Nossos jogadores foram forjados nos campos de várzea, nos pequenos espaços de areia, terra ou grama que grassavam pelo Brasil afora. Nossos jovens não aprenderam sozinhos, não foi uma mágica; aprenderam porque havia uma pedagogia, que eu chamo de pedagogia de rua, uma pedagogia popular, uma verdadeira escola em que crianças aprendiam com crianças e com os mais velhos, os jovens aprendiam a jogar jogando. Uma pedagogia tão sábia que ensinou que o melhor jogador era o que melhor sabia jogar, isto é, o que era mais lúdico – Garrincha como exemplo maior. Nosso professor de futebol não foi nenhum sistema sofisticado de educação física. Foi exatamente porque não foi a educação física, repito, branca e europeia, a nos ensinar o futebol que pudemos praticá-lo de um jeito só nosso.

Era preciso destruir o modelo brasileiro e sul-americano; caso contrário, ele prevaleceria por muito mais tempo – e já se tornava insuportável para europeus e norte-americanos assistir a tantas vitórias de brasileiros e argentinos. O antídoto para essa cultura tão típica já existia: era preciso fazer com que a educação física assumisse o futebol, prática para a qual sempre fechara os olhos. E ela assumiu, seguindo os sábios conselhos das ciências modernas que orbitavam ao seu redor (a fisiologia do esforço, a biomecânica, etc, as chamadas ciências do esporte).

Em 1970, a conquista do título mundial de futebol pela seleção brasileira foi de tal forma espetacular que o mundo todo se empolgou com o evento. Diversos setores da ciência dedicaram-se às análises do feito. Ora, pela primeira vez um trabalho extremamente meticuloso de preparação física foi, não apenas realizado, mas amplamente divulgado por seus orientadores. De certa maneira, para os setores científicos da educação física, o trabalho de preparo físico destacou-se mais que as habilidades técnicas, ou que a arte de jogar futebol dos atletas brasileiros. A partir de então, a educação física assumiu o futebol. E, por mais que tenham ocorrido fracassos, a insistência nos chamados métodos científicos de preparação persistiu. Ninguém parou para observar que o sucesso da seleção de 1970 talvez se devesse mais à extraordinária arte de jogar futebol de nossos jogadores, vários deles herdeiros do período de ouro do futebol, como Pelé, Gérson, Jairzinho e Rivelino, que à preparação física. Não pretendo desmerecer, com isso, a importância do preparo físico, mas apenas colocá-lo em seu devido lugar, isto é, abaixo, numa escala hierárquica, do preparo técnico, ou mais, da arte de jogar futebol. Por mais eficaz que tenho sido a equipe de preparação física daquela seleção, o que definiu o sucesso foram a técnica e a arte dos jogadores e do preparador técnico. (continua)

O caso do futebol brasileiro

(a partir do livro “Os valores e as atividades corporais, organizado por David Rodrigues, Summus, 2008)

Primeira parte

Quem inventou o futebol moderno foram os ingleses. De resto, quem inventou os esportes, tais como os conhecemos na modernidade, foram os europeus e os norte-americanos, salvo raríssimas exceções. Praticando-os ao modo europeu, estaríamos sempre em desvantagem nos confrontos – assim como as mulheres, que, ao praticar esportes inventados para os homens, levam nítida desvantagem. Mas nós brasileiros não inventamos os esportes. Portanto, o que fazer? Ora, simplesmente reinventamos o futebol, assim como outros sul-americanos o fizeram. E nos saímos bem, tanto quanto os argentinos. Passamos, do nosso jeito, a jogá-lo melhor que os ingleses. Um Garrincha foi capaz de submeter ingleses, russos e suecos ao seu modo de jogar. E, a partir da década de 1950, o mundo inteiro passou a observar, com assombro, uruguaios, brasileiros e argentinos jogando o futebol europeu melhor do que os europeus; mas já não era o futebol inglês, havia um jeito sul-americano de jogar. O esporte afirmava que era possível, deste lado do Atlântico, as pessoas terem atitudes que revelassem outro jeito de ser, um jeito mais ao modo de seus habitantes.

Até o início da década de 1970, o jeito de jogar futebol dos brasileiros – as habilidades originalmente exercidas pelos jogadores, o lúdico predominando sobre a força física – afirmou-se. Foi quando alguma coisa muito importante mudou. Mais ou menos nessa época, o dramaturgo Plínio Marcos, um dos mais polêmicos da história do teatro brasileiro, disse que o futebol brasileiro estava se acabando e era a ginástica (educação física) que estava causando o estrago. O excesso de preocupação com a força física atrapalhava a habilidade brasileira de jogar futebol. Creio que ele acertou em cheio. Foi exatamente na década de 1970 que começamos a acreditar que era preciso reunir as mesmas qualidades que os europeus reuniam para esse esporte. E passamos a perseguir esse objetivo, sem perceber que abríamos mão, para tanto, das qualidades que só os sul-americanos tinham. Perdemos nosso trunfo.

Toc-toc chuta!

Me descabelei no jogo da Espanha. Era um tal de toc-toc e eu gritando, chuta!, chuta! Se houvesse narração mais detalhada seria, toc-toc-toc-toc-chuta!!!!!toc-toc-toc-toc-toc-chuuuuuutaa!!!!!!!!!!!!. Ouvi dizer que o time espanhol sofre de “Toc”. A menos que houvesse um campeonato paralelo de posse de bola sem que eu ficasse sabendo. Para mim a tal Fúria é possessiva. Em compensação os chilenos, que beleza, que objetividade; guardaram-me duas vezes no fundo da rede. Delícia! O tal de Alexis Sanches botou os ibéricos para dançar. Com todo o respeito que tenho pela equipe espanhola, a melhor do mundo por muitos anos, é como dizia minha tia, futebol é eu na rede!

E não é que os australianos resolveram jogar! Gente, o que foi aquele gol do Cahil, de primeira! Eu senti quando vim na direção dele, lançada de muito longe, que ia ser bem tratada. E não de outra, fui parar nas redes, do jeito que gosto. O gol da Copa até agora. Aquilo assustou os holandeses. Um conselho aos brasileiros: escapem dos holandeses na próxima fase.

Depois vieram os camaroneses. Deprimente! Tocam tão bonito em mim, mas o jogo não flui, não é coletivo. E os croatas são terríveis, não perdoam. Gosto mais do jeito dos africanos de me tocar, mas reconheço a eficiência do pessoal da Croácia. Depois deste jogo já decidi: quando a Copa acabar não fico no Brasil para ser esquecida em algum quartinho de fundos para murchar aos poucos. Vou para Camarões, por dois motivos principais: adoro camarão com chuchu e camisetinhas molhadas!

A tia da Brazuca

“Tenho uma tia que se chama Jabulani. Ela foi a bola da Copa de 2010 na África do Sul. Hoje ela vive esquecida em um quartinho dos fundos em um bairro pobre de Joanesburgo. Quase murcha e descorada, fala desconexamente sobre Iniesta e o gol que deu a taça para a Espanha. Antes de começar a Copa no Brasil ela me mandou uma mensagem contando isso e me dizendo para não me empolgar demais com os elogios, porque depois eu também seria esquecida. Por via das dúvidas, tentarei aproveitar ao máximo meu curto reinado.

Ontem, a rodada não foi das melhores; as retrancas prevaleceram. Nada pior para uma bola como eu que raramente visitar as redes, meu recanto preferido. Os argelinos vieram para não tomar gols. Graças a Deus, foram castigados tomando dois e começando a se despedir do mundial. A Bélgica, de que falaram tanto, não é lá essas coisas.

E os brasileiros, até onde pensam que vão com esse futebolzinho econômico? Tirando Neymar, não há nada que façam que lembre o grande futebol brasileiro. Dizem que Fred jogou; eu não o vi. E tem um rapaz, um tal de Paulinho, que toca em mim com tanta tensão que escapo dele o mais rapidamente possível. Achei que não o veria no segundo tempo, mas ele voltou e eu lembrei daquela música, “Eu voltei, voltei para ficar, porque aqui, aqui é meu lugar”. Coisa nenhuma, ali deveria ser o lugar só de craques, que esta não é a Copa das Confederações, mas a Copa do Mundo. Fiz umas contas rápidas e concluí que sem centroavante o Brasil teria um jogador a mais. Mas não adianta falar; pelo que percebi, a seleção brasileira não tem técnico, tem rei. Não sou torcedora. Sugiro a vocês torcedores que torçam muito e rezem se souberem rezar.

Já era noite quando jogaram Rússia e Coreia do Sul. Dormi, desisti depois de quinze minutos. Sim, eu sei que vocês me viram rolando para lá e para cá, mas eu posso fazer isso até dormindo. Foi um a um o jogo, mas deveria ter sido menos um a menos um.

Ah, eu ouvi dizer, depois da partida, que Brasil e México só não foi pior que Iran e Nigéria. Que tal?

O sangue lusitano da Brazuca

Ufa, até que enfim terminou! A tortura foi grande. Logo eu que tenho nas veias uma boa dose de sangue lusitano. Lembrei de Rui Guerra durante a fatídica partida contra a Alemanha: “Meu coração tem um sereno jeito/E as minhas mãos o golpe duro e presto/De tal maneira que, depois de feito/Desencontrado, eu mesmo me contesto/Quando me encontro no calor da luta/Ostento a aguda empunhadora à proa/Mas o meu peito se desabotoa/E se a sentença se anuncia bruta/Mais que depressa a mão cega executa/Pois que senão o coração perdoa…”. Partida para esquecer. E que, no próximo jogo, Portugal jogue como time e não como Cristiano Ronaldo. Sou brasileira, o que significa que também sou muito portuguesa, um pouco alemã, italiana, japonesa, muito índia e negra, polonesa e tantas e tantas nacionalidades espalhadas pelo mundo afora. E sendo brasileira e sendo tantas nações juntas, sou a bola de todos os povos, de todas as raças, e mais sofro com as derrotas que me alegro com as vitórias. Mas que fiquei irritada com o Pepe, fiquei. Acho que ele confundiu tudo; o técnico, antes do jogo, mandou que ele usasse a cabeça…e ele usou pá! E não é que o Cristiano Ronaldo me chamou de Vrazuca!

Depois me mandaram para aquele jogo da Nigéria contra o Irã. Ninguém merece. Dizem que parecia com jogo do campeonato brasileiro. Se for, terminada a Copa eu me mando. Gente, o que é aquilo! Ninguém merece. Sou a Brazuca, exijo respeito. Será que pensavam que sou saco de pancada. Por mim mandava os dois embora amanhã mesmo.

Menos mal que começou Estados Unidos e Gana, este, outro time africano de camisetinhas molhadas. Os africanos jogam bonitinho, mas gol que é bom, neca! E como o que vale é Brazuca na rede, corri para os braços dos norteamericanos. Mas os filhos do Tio Sam são apressadinhos; gol aos 28 segundos? Isso não é gol, é ejaculação precoce. Mas cá pra nós, aquele gol do Ayew foi o mais bonto da Copa, não foi? Sei que vocês se apaixonaram pelo gol do holandês Van Persie, mas vocês não são eu, que é quem vive grudada nas chuteiras dos craques.

Ah, e se vocês encontrarem o Cristiano Ronaldo por aí, digam que estou procurando por ele até agora.

 

Conversa com a Brazuca no dia 16 de junho

- Já repararam que os jogadores africanos estão usando camisetas apertadinhas, que ficam todas molhadinhas durante o jogo? Ufa! Não conta pro Blatter que eu fiz esse comentário, pois ele já falou um monte no meu ouvido sobre isso e me disse para manter a concentração. Argumentei que sou brasileira, tropical, mas ele insiste em querer que eu seja fleumática, que nem aqueles porres dos jogadores ingleses.

O jogo do Equador com a Suíça? Sabe que não reparei muito? Foram quase noventa minutos de monotonia, nada que chamasse a atenção. Só no final. Aí ficou bom. Eu já estava quase dormindo quando disse para os equatorianos, “Vai, façam alguma coisa”, e eles desceram com a defesa suíça desprevenida. Atirei-me aos pés do Arroyo, que substituía o Caicedo, aquele que nem chegou a levantar, mas o Arroyo levou duas horas pensando o que fazer comigo. Ah, aí eu desisti e me entreguei para os suíços, “Vamos lá que ainda falta um minuto”, e eles partiram como um raio, a defesa do Equador parecia um queijo suíço, e não perdoaram, não pensaram, só jogaram, e eu fui dormir no fundo da meta equatoriana, cansada que já estava de tudo aquilo.

Alezanfan de La patriii… Estão rindo do quê? Eu não sei escrever em francês mas fui a única que cantei o hino da França, porque o sistema de som falhou e os franceses não cantam à capela como os latinoamericanos. Se cantarem derrubam de novo a Bastilha e não querem correr o risco. Aproveitaram que os hondurenhos ainda não inventaram o futebol e jogaram para descansar, pensando nos próximos jogos. Poderiam ter me jogado mais vezes para o fundo do gol hondurenho, mas vocês sabem como os franceses gostam de economizar gols. O destaque ficou para o primeiro gol.com do futebol mundial.

E aí vieram los hermanos. Tinha tanto argentino nas arquibancadas do Maracanã que confundi las lenguas. No início parecia que teríamos uno vareio de pelota. Mas qual, los hermanos bósnios engrossaram. Gente, olha só, quando o Messi me pegou a primeira vez, que emoción, tremi de la cabeza a los pies. Alguém sabe se ele tem namorada? Está certo que ello está um poquito flaco, até parece doentinho. Mas o time todo de los hermanos é um tanto confuso. Com o tempo eles pegam el ritmo. Deu pro gasto. Essa coisa de achar que futebol depende de um ou dois jogadores dá nisso. Futebol é coletivo; não basta fazer uma convenção de craques.

Estou satisfeita, tenho visitado bastante as redes. Espero que os treinadores brasileiros vejam isso porque, depois da Copa, vou rolar nos pés dos jogadores brasileiros e não quero saber de economia de gols.

Conversa com a Brazuca sobre os jogos do dia 15

- Até parecia que os jogadores da Grécia falavam grego – disse Brazuca -, não se entendiam entre eles e nem comigo. Olha só, fiquei toda roxa. Já os colombianos, esses eram mais finos, está certo que pouco coletivos, mas me trataram bem. Eu gostei mesmo foi dos costarriquenhos. Aquele Campbell gente, que é isso? Por enquanto, o craque da Copa. Não vão me contar isso para o Blatter, aquele porre!, ele quer que eu seja neutra, fleumática, como os ingleses, mas, cá entre nós, fiquei apaixonada pelos da Costa Rica. E o Navas, o goleirão deles, que mãos, que gestos! A hora que ele me pegava, pegava pra valer. Eu até tentava escorregar, fazer um charminho, mas ele segurava firme mesmo. Sabe mesmo? E agora que venham os italianos, embora eu tenha que suportar os ingleses. Credo, ninguém merece!

– E por que você está esbaforida assim Brazuca? – perguntei, horas depois.

– É porque acabou agorinha o jogo da Itália contra a Inglaterra. Acho que os ingleses ficaram tão preocupados com as onças, as cobras e a malária da Amazônia que perderam o sentido do jogo. Os italianos também reclamaram muito, mas foi do calor, 31 graus, como se na Europa 38 graus não fosse comum no verão. Esses europeus não perdem a empáfia. Enfim, eu estava ansiosa para ver como o veterano Pirlo faria para derrotar a Inglaterra. Descobri: bastou fazê-los correr bastante no primeiro tempo, puxados por dois garotos, Sturridge e Sterling. Os mais veteranos abriram o bico. Só um segredinho: aquela falta que o Pirlo cobrou e bateu na trave, foi culpa minha. O homem bateu com tanta sutileza, tanto carinho, que eu me derreti toda e subi um pouquinho a mais.

Conversa com a Brazuca no dia 14 de junho

Já era tarde quando cheguei em casa, mas deu tempo de ter uma conversinha com a Brazuca.

– E aí Brazuca, o que você está achando da Copa?

– Olha, gostei desse Neymar. O rapaz sabe me tratar. O modo como ele me toca tem sensualidade e chega a provocar arrepios. Um pouco irritadiço, mas acho que com o tempo ele corrige.

– E a Espanha, o que aconteceu?

– Rapaz, não sei o que me deu, mas eu me entreguei para os holandeses. Cansei daquele toca pra cá, toca pra lá dos espanhóis. Eu gosto de ser chutada para o gol, gosto de ir para a frente.

– Mas esse toque de bola da Espanha sempre funcionou bem, não acha Brazuca?

– Funcionava, mas envelheceu, deixou de ser objetivo. Sei que teve uma hora que me entreguei para os holandeses e embarquei no ímpeto deles de procurar o gol. Se dependesse de mim teria sido sete ou oito.

– E o que você espera da rodada do dia 14 Brazuca?

– Nossa, não suporto aqueles ingleses. Que gente chata. Não conta pra ninguém, mas se eu puder, darei uma ajudazinha para os italianos.

– Mas Brazuca, você não pode torcer.

– Não é torcida, mas você viu o que eles falaram do gramado? O que falaram da Amazônia? Quanta ignorância meu Deus. Eu hein! Dos italianos eu gosto. Se você quer saber, tenho até um pouquinho de sangue italiano.

– Boa sorte então Brazuca. Amanhã a gente conversa.

– Valeu!

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