A coisa está para animar ou para desanimar?
O Fábio fez um comentário meio desanimado sobre a retomada do ano. Apesar das más notícias, há mais bem que mal no mundo. Como disse Maturana, o amor suplanta a indiferença, caso contrário, não haveria mais sociedade. O amor é a liga da sociedade. Porém, o mal, exatamente porque é mal, aparece muito, faz propaganda, sai na televisão,nos jornais, na internet. O bem é discreto, o amor, então, sempre quieto. O silêncio não repercute menos que o barulho, o amor não é mais fraco que o ódio, a solidariedade não perde para a indiferença. Porém, vivendo numa sociedade em que governos e empresas não praticam a ética, querer o quê? Podemos esperar que não aconteçam as roubalheiras, que as tragédias deixem de atingir os mais pobres, que a injustiça não fira os mais necessitados? É assim mesmo numa sociedade de mercado, quando a competição é eleita o motor das relações. Calma, não é para nós, mas o mundo melhora, a sociedade evolui, mas não no ritmo que queremos. Quem sabe nossos netos e bisnetos vejam coisas bem melhores. Quando uma de suas filhas estava para nascer, talvez a Martinália, Martinho da Vila escreveu uma música: “Vai ter que amar a liberdade/Só vai cantar em tom maior/Vai ter a felicidade de ver um Brasil melhor”. A menina cresceu e a coisa aconteceu mesmo.
Publicado em 28.01.2010.
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Por João Freire