Dar aula é difícil, mas não é complicado

Ao contrário do que apregoa uma certa esquerda por aí, para um professor que trabalha oito horas por dia dar boas aulas, não é necessário ter por trás de cada aula uma imensa fundamentação teórica, conceitos fantasticamente abstratos, consciências sociais e políticas estratosféricas, considerações sobre o futuro da democracia, do socialismo, etc. Ora, dar boas aulas também é um ato político, e o mais político que pode existir na educação. Quando digo dar boas aulas estou falando de definir bem os conteúdos (no caso da Educação Física, os conteúdos típicos da cultura da Educação Física: esporte, dança, ginástica, brincadeiras populares, folclore, exercícios de ginástica, etc.), de utilizar uma metodologia consequente, e de ter sempre como tema transversal a ética (ética no sentido de cuidar bem da vida, isto é, da própria vida e da vida dos outros ao mesmo tempo). Não é preciso ter sempre Marx ou Piaget na mente para dar boas aulas. Não é preciso sempre sentir-se culpado pelas agruras do mundo para dar boas aulas. Não é preciso lembrar o tempo todo das tragédias para dar boas aulas. É possível dar boas aulas com alegria, com proposições, com bom humor, com otimismo. Mesmo que eu soubesse que até o fim dos tempos a sociedade seria orientado por esse capitalismo porco que temos aí, mesmo assim eu seria mais alegre que triste… e seria assim também ao dar aulas.

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