Vocês sabem que Dona Noêmia trabalha numa escola de periferia, e tem só um campinho de terra para dar aulas para seus alunos. E ela dá boas aulas, improvisa, cria, enfim, não fica choramingando as misérias e coloca a mão na massa. Dona Noêmia não retira do Estado a responsabilidade pela escola. Ela cobra o tempo todo, faz listas de materiais necessários para a Educação Física, reivindica uma quadra coberta, faz o que pode para cobrar as obrigações que todo governo tem para com as escolas. Mas não deixa de dar suas aulas quando o Estado falta. Além disso, há materiais didáticos que não estão à venda, como por exemplo, parte do que ela usa nas Oficinas do Jogo. Ontem, um pouco antes de começar a aula, ela chamou as crianças e as convidou para dar um passeio pelo bairro. Pegou um saco grande de plástico e disse às crianças que iriam fazer uma coleta de tampinhas de garrafas. Olha, depois de trinta minutos de passeio, já tinham centenas de tampinhas no saco de plástico, de várias cores: amarelas, verdes, vermelhas, brancas e azuis. Pronto, já era possível dar uma bela aula com essas tampinhas. Amanhã eu conto como foi a aula. Adianto o tema: sensibilização corporal, mais especificamente, conhecimento do próprio corpo.
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