Nelson Rodrigues tornou célebre a seguinte frase: “Jovens, envelheçam!”. Eu a reformularia: “Jovens, envelheçam, mas não tenham pressa.” Não tenham pressa porque a velhice sempre chegará, é inevitável, e guardará uma enorme saudade da juventude. Envelhecer para ser sábio? Envelhecer para ser sóbrio? Envelhecer para ser equilibrado? Mil vezes negaremos a sabedoria, mil vezes negaremos a sobriedade, mil vezes negaremos o equilíbrio… para ser jovem. Não é ruim ser velho, mas…que saudade daquelas pernas fortes, daquela pele viçosa, daquela irresponsabilidade, daquelas paixões selvagens. Adoro a idade que tenho, mas nunca, nunca mesmo, digam que estou na melhor idade. Não me serve de consolo.
Mara, você me lembra de acrescentar: Jovens, não tenham pressa de envelhecer. De preferência, branqueiem os cabelos, enruguem a pele, desgastem os meniscos, mas não fiquem velhos. Aquele que, de fato envelhece, tem a marca da amargura. Mas não há mal nenhum em ser velho. Afinal, o tempo passa para todo mundo. Mas é bom ser animado com a vida; melhor, entusiasmado com a vida.
Por João Freire
em 25-02-2010,
às 15:31.
© 1996-2012 Centro Esportivo Virtual - CEV.
O material veiculado neste site poderá ser livremente distribuído para fins não comerciais, segundo os termos da licença da Creative Commons.
Creio que seja uma questão de estar adaptado à pele circunstancial, temporal. Desadaptados, nos tornamos tristes… As crianças, os jovens, também tem este sentimento…Nova não será nossa carcaça nem nossas habilidades físicas. Mas sempre os dias poderão ser novos, os desejos e também as paixões. Basta que o velho nunca feche as portas para as novidades, para as tentações. Lamentar é envelhecer. Renovar as atitudes, os desejos, isto é permanecer novo, dentro do possível e da lei natural das coisas. O apego faz sofrer. Sofrem especialmente as mulheres, perdendo o senso do ridículo quando remendam seus corpos inteiros e exibem-se em festas techno que detestam… Olha a Donatella Versacci… Pode parecer pregação, mas, nada! É meio como ver as ondas, que sempre vão e vêm, mas nunca as mesmas…
Por Mara Freire
em 25-02-2010, às 9:53.