De vez em quando esse mundo da elite branca, a casa grande, cospe seus detritos. Duro é ver que a tragédia maior não é o terremoto, mas o descaso que tiveram com um país que se arrasta na miséria há décadas e nunca ninguém quis fazer nada, porque não estava no mapa dos interesses políticos de americanos e europeus. O terremoto só veio coroar a tragédia vivida todos os dias por haitianos. Enquanto comemos nosso prato de comida às oito da noite a TV na nossa frente desfila as tragédias dos haitis do mundo sem que percamos o apetite. Quanto cada um de nós dá voluntariamente de seu trabalho, sem cobrar nada, para que o mundo melhore? Trabalhemos, em parte para pagar o pão, o aluguel, a roupa, o lazer, em parte para que outros tenham o mesmo direito, para que o Haiti não seja símbolo da miséria física e da miséria escondida dentro de cada um de nós.
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Não tem o que comentar de uma país tão precariamente desiludido e esquecido…
relembro que, quase 20 anos depois, caetano veloso estava certo:
“E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui”
Por Luiz Gustavo B. Rufino
em 20-01-2010, às 22:53.