Blog do João Freire



Resultados sob tortura

Uma garota muito jovem, pouco mais que uma criança, vai às lágrimas enquanto houve o Hino Nacional brasileiro. Nem consegue cantar. Acaba de receber a medalha de ouro olímpica. Era o ano 2016, ano da realização das Olimpíadas no Rio de Janeiro. A nação toda se emociona e cobre a menina de glórias. O que poucos sabem é como essa medalha chegou ao peito da garota. Foram anos de treinamentos exaustivos. Aos sete anos de idade ela já treinava de quatro a seis horas por dia. Nos últimos anos foram perto de oito horas de trabalho duro diariamente. Por vezes, a tortura era tão grande que ela chegava às lágrimas, não de alegria como no dia em que recebeu o ouro olímpico, mas de dor e desespero. Foram muitas as sessões de tortura, foram muitas as contusões, as crises de tristeza,quase depressão. A infância e a adolescência foram passadas numa arena esportiva. Raras vezes brincou com outras crianças. Tudo em nome da glória olímpica, tudo para que pensássemos que o Brasil é uma nação poderosa também no esporte.

Qual o sentido de conquistas desportivas obtidas por pessoas tão jovens, e sob tortura?

Por João Freire
em 28-08-2010, às 17:51

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Tortura no esporte.




Comentários

Prezado Professor João Batista, compartilho também de sua opinião, porém, acredito ser difícil determinar qual a linha entre o treinamento “ideal” e o excesso de treinamento?
Vimos no mundial juvenil de Atletismo, onde os atletas campeões, com 16/18 anos tem resultados mais expressivos que os atletas da elite brasileira do Atletismo.
Será que o excesso de treinamento é um fenômeno mundial?

Por Clayton
em 30-08-2010, às 17:56.


Olha Clayton, se o preço a ser pago por resultados de alto nível é a exploração de crianças e jovens, prefiro que o esporte que faz isso deixe de existir ou que a gente não o dispute. A especialização precoce faz mal para quem pratica e produz um mal social. Não é porque os outros lá fora cometem esses crimes que temos que cometê-los aqui. Os atletas lá fora fazem melhores resultados que nós não é só porque começam mais cedo, mas porque, em alguns países, são muito mais organizados, mais educados, mais sérios no que fazem. Podemos ter grandes atletas, mas não precisamos ter pressa para isso explorando crianças.

Por João Freire
em 31-08-2010, às 18:01.


Em relação a fala do Clayton. Inicialmente acredito que o esporte tem que fazer parte da vida do indivíduo, seja ele criança, jovem ou adulto. No entanto, viver, para uma criança ou para um jovem, não pode se resumir a treinamento e competição. A vida é muito mais que isso. A prática do esporte deve proporcionar prazer, ao tempo em que some para a educação. Num sentido de educar para a vida.
Entendendo que, “a linha entre o treinamento ideal e o excesso de treinamento”, seja limitada pela subjetividade de cada indivíduo, sendo assim, vejo que parâmetros, a exemplo do qual descrevo, podem contribuir para a não transgressão da tênue linha.

Por CLaudio Almeida
em 2-09-2010, às 8:58.


Também concordo c/ seu comentário Professor Claudio, trabalho com Educação Física escolar, 1º ao 5º ano e com turmas de treinamento com alunos de 4º ao 9º ano.
Faço das turmas de treinamento uma extensão das aulas regualares de Educação Física, logicamente que com as particularidades de cada modalidade esportiva.
Porém, sou bastante curioso, estou sempre pesquisando sobre treinamentos de crianças, adolescentes, e já pude observar que na prática, fora do ambiente escolar, o que acontece não é nada lúdico.
Na verdade, o que encontramos na literatura acredito que dificilmente ocorre na prática, por exemplo, fundamentos básicos e gerais de determinado esporte até 14 anos, após essa idade inicia parte mais específica…
No meu caso, os treinamentos são de 3 aulas semanais de 50 minutos, portanto, percebo na prática que a melhor forma de ensinar é através de jogos, porém minha realidade de trabalho propicia trabalhar dessa forma, não que outras realidade não propiciem, mas me questiono se eu trabalharia da mesma maneira se eu estivesse trabalhando por exemplo num clube, ou como tecnico esportivo de alguma modalidade aqui da cidade.

Por Clayton
em 3-09-2010, às 0:02.


Estão todos de parabéns por apresentarem-se nas discussões desse tema. Para ampliar e oxigenar um pouco mais, sugiro aos professores um encontro no Procrie.com.br que contempla tais assuntos. Vejam, entre ouros, os artigos “Os Primeiros Passos da Criança” e meus diálogos com o professor João Crisóstomo em “Teoria vs. Prática”. Gostei muito de como estão encarando o assunto.

Por Roberto Pimentel
em 18-09-2010, às 18:15.


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