Blog do João Freire



Sobre o esporte e o adverso

Falemos do adverso, o contrário, o oposto, o verso, o outro lado, o adversário, esse outro nosso, o outro que me contesta, o outro que coloca em dúvida minhas forças e minha competência, o outro, o adverso que aparece com tanta nitidez nesse acontecimento tão profundamente humano que convencionamos chamar de esporte, uma das faces do jogo, talvez sua face mais social, mais moral, mais profundamente humana, mais reveladora do que está contido na natureza humana. Há quem diga que esporte é tudo que se refere ao exercício sistemático de nossa natureza lúdica, mas eu acredito que sua marca é outra. É sim o exercício necessariamente lúdico, mas não todo exercício lúdico, pois não se trata do inocente brinquedo de uma criança, ou do indolente carteado entre amigos, muito menos o natural vaivém das ondas insistentes de uma praia qualquer. O esporte é jogo sim, e emana da matriz lúdica geradora de todas as manifestações de jogo, uma matriz que alimenta o humano e o não humano, o animal e o não animal. O esporte nasce jogo, e passa a ser esporte quando ascende a uma categoria que seja, não só humana, mas profundamente moral, porém, de uma moral que pretende ser universal. E se o adverso habita todo o jogo, pelo menos o humano, no esporte ele se emancipa e faz disso sua referência. Sendo jogo, o esporte é fantasia, é ilusão, um estado de graça, de onde vem a ilusão dos jogadores de de jogarem para superar o adversário, entendendo-o como os jogadores da outra equipe, quando, na verdade, os da outra equipe são apenas o adverso, o outro que contexta, que denuncia, que rompe a linha de segurança. Os jogadores jogam contra a incerteza, contra a própria incerteza, e é ela que deve ser superada. Em última instância, o esportista deve superar o medo, e isso explica, em boa parte, a imensa atração que se tem pelo esporte. O medo sempre atraiu irresistivelmente as pessoas. O esporte revela o adverso, o outro lado, o que somos mas não queremos ser, a fraqueza do forte. Porém, é essa revelação – que não é só do esporte – que constitui o motor da superação.

Por João Freire
em 27-08-2010, às 17:25

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Comentários

JoãoZinho

Não gostei!!!! em forma de texticulo, não gostei. Li de outra forma, dando o formato de poesia… tente ler dessa forma… esqueça a forma linear de escrita, metrifique… poesia pura!!!!

ps. vou replicar em meu Blog, como faço sempre (com an tua autorização…) mas do meu jeito: metrificando…

Leopoldo, desde a terra de Gonçalves Dias e de Ascenço Ferreira

aliás, esse poeta maranhense deveria ser o patrono do lazer…

“na hora de comer, comer
na hora de dormir, dormir,
na hora de vadiar, vadiar,
na hora do trabalho,
pernas para o ar, que ninguém é de ferro…”

Por LEOPOLDO
em 28-08-2010, às 21:16.


Sorte sua Leopoldo. Eu não sei fazer poesia.

Por João Freire
em 31-08-2010, às 18:05.


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