27.09.2011 | Comente.
Em alguns casos sim. No esporte, principalmente no futebol, as leis de proteção aos direitos humanos não se aplicam. Vejam o que aconteceu com o zagueiro Breno, aquele mesmo que foi a maior revelação entre os defensores brasileiros anos atrás, e depois foi “vendido” pelo São Paulo. Como sempre, a história da pessoa, sua cultura, suas possibilidades futuras foram completamente ignoradas. E Breno está vivendo o drama de milhares de jovens que são vendidos como mercadorias no mercado escravo do futebol. A diferença é que ele é famoso.
Deu no Yahoo:
“BERLIM – Quando o paulista Breno Vinicius Rodrigues Borges foi contratado pelo Bayern de Munique há três anos, por 12 milhões de euro, era apontado como o “futuro melhor zagueiro do mundo”. Na disputa pelo passe do jogador do São Paulo, o time alemão superou Fiorentina, Juventus e Real Madrid, que também acreditavam no seu grande talento. Três anos depois, Breno, hoje com 21 anos, está preso em Munique, acusado de ter ateado fogo à casa onde vivia, no elegante bairro de Grünwald. O zagueiro estaria com problemas psicológicos, causados pela frustração de três anos na Alemanha sem conseguir se adaptar nem à sociedade nem ao futebol.”
27.09.2011 | Comente.
Meu amigo Laércio Elias Pereira, o grande inventor do CEV, enviou o texto abaixo, a título de colaboração. Que bom se a Copa 2014 no Brasil fosse cancelado e nos livrasse desse grande mico, dessa grande armadilha preparada pela FIFA a cada quatro anos para aumentar seus lucros e os das grandes empresas patrocinadoras, causando apenas prejuízos aos países séde.
“25/09/2011 – 11h13
Descontente com a Lei Geral da Copa-2014, Fifa ameaça utilizar cláusula para tirar o evento do Brasil
O Globo
Há mais de uma década acompanhando os bastidores da Fifa, a coluna desconfiou que o silêncio de Zurique em relação à Lei Geral da Copa-2014 não era um bom sinal. Se tivesse gostado, logo elogiaria, como sempre faz a Fifa nesses casos. Fomos apurar e descobrimos que a situação é mais grave. Existe, sim, a ameaça de rompimento, amparada pela cláusula 7.7 do Host Agreement (Contrato para Sediar).
Hoje, não seria surpresa se a Fifa anunciasse, até o próximo dia 5, o cancelamento do evento de 20 de outubro – quando o Comitê Executivo da entidade planeja divulgar o calendário de jogos nas cidades-sedes tanto da Copa das Confederações-2013 quanto do Mundial-2014.
A cláusula 7.7, do contrato, assinado pelo governo brasileiro, estabelece o dia 1 de junho de 2012 – exatamente 2 anos e 11 dias antes da partida de abertura do Mundial-2014 – como prazo final para a Fifa rescindir o contrato e tirar a Copa-2014 do Brasil, sem pagamento de multa.
Diz o texto da 7.7 que a rescisão será aplicada caso as leis e regulamentos necessários para a organização da Copa do Mundo-2014 não tenham sido aprovados, ou caso as autoridades competentes não estejam cumprindo as garantias governamentais exigidas.
As garantias e responsabilidades exigidas pela Fifa também fazem parte do Acordo de Candidatura, entregues em 31 de julho de 2007, pelo presidente Lula, três meses antes de o país ter sido confirmado como sede do Mundial.
A Lei Geral da Copa, enviada ao Congresso no último dia 19 pela presidente Dilma Rousseff, é o ponto de discórdia. A coluna pôde apurar em Zurique que itens como ingressos, credenciamento, proteção ao marketing de emboscada, gratuidades e até transmissão de TV foram editados em desacordo com o que foi discutido e acertado em fevereiro deste ano, em Brasília, durante reunião do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, com o ministro do Esporte, Orlando Silva, e técnicos do governo. Além disso, a infraestrutura dos aeroportos e os projetos de mobilidade urbana são considerados incipientes pela entidade.
Pudemos apurar que a Fifa argumenta não ter como garantir aos patrocinadores a proteção às suas marcas. E a entidade teme inviabilizar o modelo da Copa do Mundo, que responde por 89% de sua arrecadação de quatro anos, se aceitar a Lei Geral da Copa-2014 como foi mandada pela presidente brasileira para o Congresso.
As duas partes podem até negar, mas apuramos também que Valcke e o Comitê Organizador Local (COL-2014) perderam a confiança em Orlando Silva e não querem mais negociar com o ministro. E que uma nação plano B já é pensada, para o caso de a Lei Geral da Copa não ser modificada.
Os próximos dias serão decisivos.”
26.09.2011 | 3 Comentários.
Está na cara que o Campeonato Mundial de Futebol Masculino, esse que a FIFA realiza a cada quatro anos, é um grande mico. Façam as contas: perto de 200 países competem em cerca de 30 modalidades esportivas durante as olimpíadas; e tudo isso é realizado em apenas uma cidade, com eventuais deslocamentos para outras localidades por causa de eventos como a vela. Durante a Copa do Mundo de Futebol, apenas 32 países disputarão uma única modalidade; para isso, utilizarão 12 cidades. É um disparate: 200 países disputam 30 modalidades em uma única cidade; 32 países disputam uma única modalide em 12 cidades. Ou seja, nitidamente a FIFA cria uma armadilha para pegar trouxas. O país sede orgulha-se de ser o escolhido para evento tão grandioso, paga a conta, e os benefícios ficam todos para a FIFA. E há quem fale em legado. Bem, legado pode ser de coisas boas ou de coisas más! Claro que no país escolhido estão também muitos dos que entrarão na partilha dos benefícios da FIFA, assim como há os que se orgulham da escolha por patriotismo.
Não fará bem ao Brasil ser sede da Copa do Mundo em 2014, como, aliás, já não está fazendo bem. Não podemos mudar estruturas de 12 cidades por causa de um campeonato esportivo, que só é julgado mais importante que os campeonatos de outros esportes por conta do envolvimento financeiro e da paixão que o futebol inspira em certos países. Estruturas de cidades devem ser mudadas em função do bem comum da população em não por causa de um torneio de futebol.
Provavelmente um campeonato mundial de futebol pode ser realizado em uma única cidade, ou duas, ou três. Mas está claro que a escolha de 12 cidades tem mais a ver com interesses financeiros da FIFA e seus braços que com a organização do campeonato ou benefícios para o país escolhido.
Por último: o Brasil não foi escolhido por acaso. Somos a bola da vez. País emergente, altíssima produção, dinheiro aumentando e corrupção farta. Escolha perfeita para quem, como a FIFA, fica sempre com a cereja do bolo. A menos que no Brasil não houvesse superfaturamento de obras, vícios em licitações, políticos corruptos, dirigentes ineptos etc., etc.
21.09.2011 | Comente.
O c o sl eu e o, m der istu amar rados -se, s árvo obre as res no plan me ta io das da s ri ala os, em az cintil ul-dour antes ados.
Se você não entendeu nada, é porque escrevi o texto depois de de sair da exposição O teatro museu de Salvador Dali, em Figueras, na Catalunha Espanhola, onde tudo brota dos sonhos, do surreal, de um mundo que também é nosso mas que não conseguimos publicar; Dali conseguia. O que parece loucura em Dali talvez seja de uma sanidade que nunca conseguiremos ter.
19.09.2011 | 2 Comentários.
Ando um pouco ausente, pois desde o dia oito de setembro ando pelo Velho Mundo. Fui a Madrid, cidade muito grande e bonita, onde caminhei por muitos quilômetros de corredores de museus: Prado, Reina Sofia, Thyesen. Dei de cara com a Guernica de Picasso, com Dali, Matisse. O mais impressionante, sempre, é Goya. Dois dias depois fui para Barcelona, onde mora meu filho Lucas, a melhor coisa da cidade. Por sinal, não sei se há no mundo cidade mais linda que Barcelona. O Parque Guell, obra de Gaudi não se descreve, como a Igreja da Sagrada Família, assustadora de tão ousada é a obra. Saí de Barcelona e fui a Andorra, um país de oitenta mil habitantes, um Paraguai chique e bonito,onde se compra muambas e se admira a beleza dos Pirineus. Pertinho fica o Sul da França; conheci Carcassonne, que tem uma cidadela medieval enorme e incrivelmente bem conservada. Algo fantástico. Saí da França e fui a Bilbao, no Norte da Espanha. Agora estou em La Rioja, o coração do vinho na Espanha. Por qualquer dinheirinho tomam-se vinhos surpreendentes, fantásticos. Estou em Elciego, um pueblo, coisa de cinema.
Que dizer deste velho mundo, em crise? Não sei, não sei. Torço para que saiam da crise, mas vai ser difícil. Só sei que seria difícil para mim viver aqui. Preciso viver onde as coisas ainda estão para ser feitas.
7.09.2011 | 4 Comentários.
A discplina Educação Física sempre foi marcada por uma série de preconceitos, crendices, tabus, superstições. De uns tempos para cá, pelo menos, terminou a obrigatoriedade dos exames médicos prévios ao início da aulas de Educação Física. Eram uma vergonha! Muitas vezes os professores tinham que esperar mais de um mês para iniciar suas aulas, porque não havia médicos disponíveis. Quando eles iam às escolas, faziam filas imensas de alunos e realizavam exames absolutamente superficiais. Assinado o papel, as aulas eram autorizadas a começar. Ou seja, os professores de Educação Física se subordinavam aos médico, não respondiam pelas próprias ações.
Atualmente isso mudou, mas permanecem as discriminações. As crianças, por exemplo, podem se machucar em casa, podem adoecer em passeios e outros lugares, porém, se caírem e machucarem, mesmo levemente, um braço ou uma perna, por exemplo, no dia seguinte a reclamação dos pais é terrível. Há professores processados por pequenos acidentes. Crianças jogando sempre sofreram pequenas escoriações, mas na aula de Educação Física não pode.
Façam um levantamento de doenças e mortes em todo o Brasil. Quem fica mais doente, os que praticam atividades físicas regulares ou os sedentários? Que doenças matam mais no Brasil, as causadas pela inatividade ou as causadas pelas atividades físicas regulares? Onde morrem mais crianças? Em acidentes de trânsito dentro do carro da família, em casa, nas ruas, ou em aulas de Educação Física?
Parece-me que um dos lugares mais seguros para uma criança é o ambiente das boas aulas de Educação Física. É onde ficam mais felizes, onde se divertem, onde aprendem a se expressar, a lidar com as emoções, a conhecer o próprio corpo, a trabalhar em grupo, e onde adquirem os melhores hábitos de saúde.
À luta, pois, professores de Educação Física! Estudem e encham-se de argumentos para eliminar de vez os preconceitos, tabus e crendices que tanto atrapalham vosso exercício profissional.
4.09.2011 | 2 Comentários.
Saiu um livro que merece ser lido por todos os brasileiros da Educação Física, e até pelos que não são da área. Chama-se “O futebol e as brincadeiras de bola: a família dos jogos de bola com os pés”, da Editora Phorte. Fiz o prefácio. Acho a melhor forma de apresentar o livro a vocês transcrever o prefácio que fiz.
PREFÁCIO
O conteúdo é apenas um instrumento de educação, para o bem ou para o mal, o que me permite tomar de empréstimo, para ensinar sobre a vida, tanto o cálculo avançado em Matemática, quanto os sistemas de ataque em Futebol. Justifico: educar é educar para a vida e engana-se o professor que acredita ser o principal objetivo de seu trabalho ensinar os conteúdos de sua disciplina. Não, eles são apenas meios, instrumentos para aprender a viver bem, para uma vida sempre melhor, para uma sociedade e um mundo melhores. Nossa missão de professores, portanto, é mais importante ainda do que muitas vezes imaginamos: ensinamos a viver. Ora, depois do pai e da mãe, os professores são as pessoas mais importantes em nossas vidas, ou pelo menos deveriam ser.
Conheço o Alcides há muito tempo, desde menino quando ele entrou na Faculdade de Educação Física da Unicamp. Um menino curioso e um aluno brilhante, que logo convidei para trabalhar comigo na escolinha de futebol da FEF (Faculdade de Educação Física). Alcides era talhado para esse trabalho. Entre outras experiências, já tinha treinado no futebol profissional. E gostava de crianças. Gostava de crianças, conhecia futebol, daí foi um passo até escolher, para educar, o futebol. Como disse o nosso Sócrates, aquele que foi um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos, com uma bola nos pés a gente muda um país. E eu acrescentaria, com uma bola nas mãos, com uma raquete, com uma caneta, com um pincel, com um violão, com um computador. Muda-se uma sociedade para melhor com muitas coisas, mas elas são apenas os instrumentos da mudança, e é isso que os professores precisam assumir: nós os professores e nossas disciplinas, somos os instrumentos de uma mudança, que, esperamos, aconteça, e para melhor.
Desde que começou a trabalhar comigo no futebol, Alcides já sabia que a vida é muito maior que o Futebol. Também sabia que nós, as chamadas pessoas comuns, nunca seremos jogadores famosos. Mas todos podemos ser beneficiados pelo esporte, se ele for educacional, se o propósito maior de nosso trabalho for servir-se de bons conteúdos, tais quais ferramentas, para formar cidadãos, no sentido de formar pessoas éticas que cumpram com responsabilidade sua tarefa de bem viver. Embora os poderosos meios de comunicação nos passem a imagem de que futebol é coisa para dar espetáculos e produzir rios de dinheiro, apenas, Alcides dedicou-se a dar demonstrações, muito bem fundamentadas, de como o futebol pode potencializar valores, virtudes, habilidades, objetivando formar cidadãos. Diga-se de passagem, nem Alcides, nem eu, temos nada contra o espetáculo futebolístico, desde que a arte esteja presente.
Quando os leitores seguirem a trajetória deste livro, de imediato saberão que o Futebol faz parte de uma grande família de jogos de bola com os pés. Nasceu do desejo de brincar com bola de muitos povos. Não é um capricho das pessoas o ato de jogar uma bola, é uma necessidade. Primeiro porque brincar é necessário; segundo porque brincar com a bola também é necessário, isto é, a bola e tudo o que ela representa. E não é pouco o que uma bola representa, basta olhar para o céu, ou olhar para nós mesmos, para todas as formas celestes ou corporais arredondadas. Sempre houve um sol brilhante tomando conta do ceu, que precisava virar Deus e ser trazido para nossas mãos e pés. Nas nossas mãos e pés o sol pode virar brinquedo e Deus. E, enfim, brincando, superaremos o medo.
Todas as crianças um dia brincarão com uma bola. Todos os gatos e todos os cachorros também o farão sempre que uma bola rolar perto deles. A bola é o brinquedo por excelência, simplesmente porque, ao rolar, não sabemos o que acontecerá, e esse não saber o fim de um acontecimento quer dizer jogar. E é por isso que tantos povos em tantas épocas brincaram com bolas, e é por isso que todas as pedagogias deveriam servir-se dela.
O futebol é uma fonte inesgotável de conhecimentos. Alcides Scaglia, o autor deste belo livro, que o diga.
29.08.2011 | 3 Comentários.
Recebi esse comentário do Prof. Dorly. Por se tratar de um tema que desperta nela tanta curiosidade quanto em mim, transcrevo seu comentário e tento respondê-lo. A resposta vai abaixo do texto do Prof. Dorly.
Olá João Batista!!!
Algo me intriga na sua fala sobre o tema “como me tornei professor 6”, é o seguinte: você relata que o melhor trabalho de sua vida foi desenvolvido na cidade de SBernardo e que naquele momento vc não tinha todo esse conhecimento que possui agora, ou seja não sabia tanto de educação como hoje. Fala sua: Eu não sabia nada de pedagogia…isso me intriga. Como um professor que pouco sabia fez um exelente trabalho……Porque, esse mesmo professor que se tornou uma referência nacional, não desenvolveu outros trabalhos tão bons ou melhor do que aquele? Estou considerando sua fala.
Sou também professor universitário e fico sempre a me perguntar sobre que conhecimentos devo passar aos meus alunos para que eles desenvolvam um trabalho de qualidade? Quais competência/habilidades devo desenvolver com eles para otimizar um ganho na educação?
Quando faço essa indagação é porque há um tempo atrás, “batendo um papo” com um amigo, confessei a ele que meu melhor trabalho foi justamente quando pouco sabia de pedagogia, desenvolvimento infantil, etc…que ainda sei pouco, mas reconheço que nesse momento sei mais do que antes. Logo o fenômeno é o mesmo. Então de que me adiantou todo esse conhecimento se não me levou a desenvolver um novo grande trabalho? Sei que fiz outros trabalhos bons, pelo menos na minha visão, mas…também sei que vc fez e faz trabalhos espetaculares, mas e ai?
Abraço,
Dorly
Querido Dorly: também fico intrigado com isso. Eu deveria, com mais conhecimentos, fazer trabalhos cada vez melhores. Na verdade, não sei responder a você, não sei explicar como isso se passou. Só sei que naqueles anos 1970, época dura da ditadura militar, à minha enorme energia de jovem juntou-se uma motivação inigualável de fazer algo pelo meu país, pelo meu povo, algo que fosse exatamente o oposto do que os militares queriam fazer no Brasil. Acredito que pratiquei pedagogia em estado puro. Coincidiram naquele momento, para acontecer o que julgo meu melhor trabalho pedagógico, a questão da ditadura, minha juventude e entusiasmo, meus colegas de trabalho, o momento por que passava a cidade de S.Bernardo do Campo e os alunos. Os conhecimentos nós os formávamos todos os dias, lendo, conversando e dando aulas. Criávamos sem medo, éramos ousados, atrevidos. Eu não era aquilo que se pode chamar de um jovem bem comportado. Pelo contrário, meu atrevimento, meus posicionamentos políticos irritavam muita gente. Só me engoliam pelo trabalho que eu fazia, que se destacava muito.
O tempo passou, estudei mais, virei professor universitário, nunca deixei a prática fora da universidade. Fiz mestrado, doutorado, livre-docência e realizei muitos trabalhos bons. No conjunto da obra, o que fiz depois de S. Bernardo é, para mim, tão bom quanto aquele humilde trabalho inicial. Mas, ponto a ponto, não tive um trabalho tão relevante. A não ser, talvez, agora, que escrevo como um doido para preparar, de sete a oito livros sobre pedagogia da Educação Física escolar, algo que quero deixar para meus colegas e para as próximas gerações de professores.
Mas eu acho que se conseguir encontrar condições parecidas com as que encontrei em S. Bernardo do Campo, eu faria um trabalho bom como aquele. Acontece algo parecido no momento. Virei consultor do Instituto Esporte Educação. Para mim, esse instituto faz o melhor trabalho de pedagogia de esporte educacional do mundo, até onde sei. O trabalho do IEE é fantástico. Através do IEE me incorporei à Caravana do Esporte, que me permite conhecer o interior do Brasil em detalhes, e ter contato com professores e crianças do país todo. Se eu conseguir aprender o suficiente com o pessoal do Instituto Esporte Educação e com esses professores todos que conheço pelo Brasil, talvez eu conclua esse processo achando que superei aquilo que fiz em S. Bernardo. Para isso, conto com a bondade de meus amigos do IEE.
27.08.2011 | 2 Comentários.
Transcrevo Recomendação da Procuradoria da República no Município de Joinville em S. Catarina:
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO MUNICÍPIO DE JOINVILLE/SC
RECOMENDAÇÃO
O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, pelo Procurador daRepública infrafirmado, no exercício de suas atribuições constitucionais e legais,respaldado, em especial, no art. 6º, inciso XX, da Lei Complementar nº 75/93, e CONSIDERANDO
1. competir ao MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados na Carta Magna, promovendo as medidas necessárias à sua garantia, conforme prescrito pelo art. 129, II, da Constituição Federal, e arts. 5º, I, “h” e art. 6º, V, c/c art. 7º, da Lei Complementar nº 75/93;
2. que a Federação Catarinense de Futebol (FCF) lançou em seu endereço eletrônico uma Nota Oficial, na qual veta (censura prévia) qualquer manifestação nos estádios catarinenses contra a Confederação Brasileira de Futebol –CBF – ou seu Presidente, Ricardo Teixeira.
3. que a FCF ameaça impedir a entrada ou retirar dos estádios catarinense torcedores que manifestem contra a CBF ou seu Presidente.
4. que tal Nota fere de morte o direito de livre expressão de pensamento e manifestação, garantido em diversos Tratados e Convenções internacionais das quais o Brasil é signatário, além da Constituição Federal.
5. que incumbe ao MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL promover as medidas necessárias para a proteção do interesse público, sendo os principais instrumentos de atuação a expedição de RECOMENDAÇÕES, a instauração de INQUÉRITOS CIVIS e o ajuizamento de AÇÕES CIVIS PÚBLICAS;
Dessa forma, O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL RESOLVE:
RECOMENDAR,
à Federação Catarinense de Futebol e ao Estado de Santa Catarina, representado pelo Sr. Sadi Lima, que
a) revogue a determinação de inviabilizar o exercício do direito a crítica e manifestação de pensamento.
b) afaste a determinação de impedir a entrada nos Estádios, ou retirar dos Estádios, torcedores que estejam exercendo seu direito a crítica e manifestação de pensamento.
Ao Estado de Santa Catarina que não impeça a entrada, ou retire dos estádios, torcedores que estejam exercendo seu direito constitucional de crítica e manifestação de pensamento.
Por derradeiro, ADVERTE que o não atendimento da presente RECOMENDAÇÃO ensejará a adoção das medidas legais cabíveis.
Salienta ainda que as providências adotadas em virtude desta recomendação deverão ser imediatamente informadas a esta Procuradoria da República, ou, no máximo, em 48 horas.
Joinville/SC, 26 de agosto de 2011.
Mário Sérgio Ghannagé Barbosa
Procurador da República
22.08.2011 | 3 Comentários.
Tudo tem começo, meio e fim. Não é só a gente que nasce, cresce e morre, também os acontecimentos são assim. Meu trabalho em S. Bernardo cresceu e envelheceu. E tive que sair. Se a gente não perceber quando uma coisa acaba, arrisca-e a morrer com ela. O fato é que eu fui embora e o trabalho continuou com outras pessoas, e existe até hoje, de um jeito diferente, e bom, com o Otaviano, a Hebe e outros professores. E eu fui embora, para a Paraíba, já que eu tinha uma atração enorme pelo Nordeste; sou filho de nordestino e mineira. Antes de ir embora de S. Bernardo, trabalhei na USP. No começo fiquei muito orgulhoso por começar uma carreira de professor universitário na grande USP. Mas me enquadraram na categoria de Docente Voluntário, uma espécie de sub-professor que não recebia salários. Só foi bom por duas coisas: aumentou meu currículo e me apresentou para alunos universitários, pessoas que sempre admirei. Saí da USP com um ano de trabalho. Não dava para aguentar. Eu saía de casa em S. Bernardo às cinco e quinze da madrugada, pegava vários ônibus para dar aulas às sete na USP, sem ganhar nem um tostão. Até que um dia, em uma reunião, enquanto se discutia a reclamação de um jovem professor pelo baixo salário que recebia, ouvi da boca de um professor veterano a seguinte frase: “O que ele quer mais, ele já é professor da USP?”. Foi a deixa para eu ir embora. E fui direto para João Pessoa, trabalhar na Universidade Federal da Paraíba, e aí sim, com salário e vivendo um maravilhoso clima universitário. Tive a sorte de participar dos melhores anos da UFPB, do grande reitor Linaldo Cavalcanti. Fundamos a Associação dos Docentes e fizemos a primeira greve de universidades durante a Ditadura, em 1978. De greve em greve ganhamos um plano de carreira que deu dignidade aos professores das federais.
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