Blog da Katia Rubio


Por dentro da Psicologia e dos Estudos Olímpicos


UMA PÁTRIA DE CHUTEIRAS, CORNETAS E CAMISETAS VERDE-AMARELAS.

Uma vez mais estamos nós aqui vivendo o espírito verde-amarelo.
Lembro há 4 anos atrás, período de uma Olimpíada, ter vivido algo semelhante e ter desejado o mesmo: registrar essa sensação de pertencimento oceânico arrebatador que alguns insistem em chamar de piegas, ou manipulação. Como estudiosa do tema insisto em fugir da armadilha racionalista falaciosa que nos retira do campo da emoção para nos levar pela maré da análise fria e calculista.
Falo de uma sensação curiosa que é atravessar as ruas da cidade de São Paulo, as 14 horas do dia do primeiro jogo da seleção brasileira de futebo,l e faltando uma hora e meia para o início do jogo ver o expediente terminar em quase todos os locais de trabalho da cidade. Os bancos (sim eles!) abriram as 8 para fechar as 14h00. O reitor da Universidade de São Paulo, assim como dirigentes de outras instituições, também decretou encerramento das atividades da universidade as 14 horas, embora hoje fosse dia de prova de Dimensões Psicológicas. Claro que eu entendo tudo isso, principalmente quando me desloco pela rua em direção ao local onde assistirei ao jogo.
Não posso ficar imune à mobilização de todos aqueles que, manipulados ou não, vestem as cores verde-amarelo, portam cornetas, fitas e qualquer badulaque que o identifique como um verdadeiro torcedor de uma seleção dirigida por um técnico sobre o qual não desejo falar nesse post.
O que leva pessoas a se identificarem de tal maneira com essas cores que representam aquilo que poderíamos chamar de espírito nacional? Embora seja emotiva acima a média e tenha nascido em um dia de jogo do Brasil na Copa de 62 tendo a observar tudo isso e buscar o que há de genuíno nessas manifestações individuais e coletivas. Durante anos ouvi dizer que o futebol era uma espécie de ópio que tinha por finalidade entorpecer um povo ralado pela repressão e oprimido por uma ditadura.
Minha primeira lembrança de Copas do Mundo foi em 1970. Lembro da música 90 milhões em ação, lembro das vinhetas com o João Saldanha na TV e de meu pai dizendo que ele não foi a Copa porque os milicos não deixaram. Mas, lembro também do Jogo final Brasil e Itália e toda a vizinhança junta assistindo ao jogo na TV de casa na Rua Francisco Pedroso. Em um dos gols do Brasil um vizinho que tinha passado vários dias picotando jornal parou um ônibus que descia a rua e foi dar um beijo no motorista que, sozinho junto com o cobrador, fazia uma viagem Freguesia do Ó – Largo do Paissandu para ninguém.
O que havia de ópio em tudo aquilo? Assistindo à mobilização das ruas hoje vejo que passados 40 anos mudou muita coisa: vivemos uma democracia que pode não ser perfeita, mas é talvez a melhor que já tivemos; temos uma seleção que está longe de ser a ideal, mas quando será que teremos a perfeita?; temos uma identidade na atualidade que nem de longe se assemelha àquele espírito de cachorro vira-lata, afinal hoje matamos de inveja muitos Estados Nacionais historicamente chamados de imperialistas. Talvez o ópio de 70 seja hoje algo parecido com um prozac. Pode ser uma droga, mas não dá para afirmar que é ilícita, e embora eu seja favorável à psicoterapia as vezes a fluoxitina abrevia um sofrimento desnecessário.
Que o verde-amarelo das camisetas, cornetas, fitas e adereços possam permanecer no espírito e na identidade de todos aqueles que acompanharam hoje tantos brasileiros no trabalho, na escola, nas atividades domésticas. Que em seus corpos e corações fique gravado por mais tempo essa sensação de orgulho para que lembremos que há outros bons motivos para ser quem somos.

Apoio em primeira mão

Otimista inveterada que sou, procuro tirar de todas as situações dolorosas ou desastrosas da vida aquilo que posso depois levar comigo adiante.

Há muitas pessoas nessa nossa área educação física-estudos olímpicos-psicologia do esporte que ainda são referências bibliográficas, embora eu saiba que existam de carne e osso.

Hoje, mais uma dessas referências achegou-se por conta do “causo COB”. Embora não nos conheçamos pessoalmente Prof. Bramante fez questão de me enviar, em primeira mão, o texto que escreveu para ser divulgado na revista do Panathlon Club de São Paulo, que como diz o Professor Bramante “é muito mais do que um espaço de reuniões mensais de “comes e bebes” de um grupo de ex-esportistas de idade, que pouco fazem pelo esporte de sua localidade”.

É bom que se saiba que Panathlon Club Internacional foi uma das primeiras entidades a se manifestar contra o absurdo que acontecia.

Prof. Bramante, meu muito obrigada pelo apoio e pela oportunidade de aproximação.

 

“Um caso de censura e não de apropriação indébita…”

Tomei emprestado o título desta reflexão-ação que ora faço da própria Dra. Kátia Rubio em um de seus e-mails, atualmente em circulação na internet, que escreveu, entre tantas obras, o livro “Esportes, Educação e Valores Olímpicos” (Editora Casa do Psicólogo). Como ela mesma afirma no seu blog (www.blog.cev.org.br/katiarubio), esse livro foi “o pomo da discórdia”, envolvendo seu inalienável direito de expressão e a atabalhoada ação movida e posteriormente retirada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB).
Estava participando da reunião de assessores do Programa Agita São Paulo no dia 06 de fevereiro passado quando o combatente e o combativo Prof. Laércio Pereira usou da palavra para comunicar a censura do COB ao livro da Profa. Kátia por esta usar os aros olímpicos de maneira estilizada na capa e também fazer uso da palavra “olímpico”, sob a alegação que essa é de “propriedade” do COB. A reação de repúdio foi imediata entre todos os presentes.
Desde lá tenho acompanhado os desdobramentos desse episódio lamentável e, onde e como posso, tenho denunciado esse cerceamento da liberdade de expressão garantida pela nossa Constituição, em mais uma das investidas dos “Senhores doa Anéis”, título da obra citada pela Profa. Kátia, antológica para quem deseja conhecer os meandros pouco recomendáveis dos Jogos Olímpicos da modernidade.
Não pretendo ir além do que já foi escrito e divulgado pela mídia nacional e internacional em defesa da Profa. Kátia, pois ela mesma, mostrando sua capacidade “olímpica” para superar “obstáculos”, deixa claro que essa é uma “página virada”, mas que serve de alerta presente-futuro para um país que conquistou o direito de sediar os Jogos Olímpicos em 2016, com todos os benefícios deles decorrentes e, especialmente, as responsabilidades e ameaças de prepara-los condignamente e realiza-los dentro de um novo patamar ético, se isso é mesmo possível.
Portanto, neste curto espaço, além de denunciar a censura à Profa. Kátia, já feita por tantos com maior competência que a minha, gostaria de trazer para reflexão como esse fato está repercutindo dentro dos nossos clubes e entre nós panathletas e as lições que dele podemos retirar e tentar anunciar alternativas para que o movimento olímpico/olimpismo – fenômeno muito mais importante e complexo que os Jogos Olímpicos – seja uma inspiração para aprofundarmos os debates sobre pelos menos dois dos mais importantes documentos da nossa instituição: A Carta do Jogo Limpo (Fair Play Charter) e a Declaração da Ética no Esporte Juvenil.
Sócio-fundador do Panathlon Clube de Sorocaba/SP, inicialmente inspirado pela presidência do Otto Wey e hoje, pelo presidente Pedrinho Souza, vejo nossa instituição fazendo o que pode pelo esporte, no entanto refletindo pouco sobre sua ação na comunidade e, fundamentalmente, para usar as palavras do Prof. Laércio Pereira, documentando quase nada.
Virou quase que folclórica a visão do Panathlon Clube, para o senso comum, como um espaço de reuniões mensais de “comes e bebes” de um grupo de ex-esportistas de idade, que pouco fazem pelo esporte de sua localidade. Nós, panathletas, sabemos muito bem que essa não é a “verdade verdadeira”…
Portanto, à luz dos documentos citados, considerando a recomendação do Panathlon Internacional para que, no interior de cada clube discuta-se, preliminarmente, o tema do Congresso Nacional que ocorrerá em Piracicaba nos dias 19-21 de março (tema central: “A Importância da Ética no Esporte”) e, posteriormente do Congresso Internacional em Stresa, Itália, nos dias 14-16 de maio (tema central: “A Primazia da Ética: novas abordagens frente aos desafios éticos e a crescente responsabilidade do esporte na sociedade”) e, especialmente os preparativos para sediar os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, coloque, como pano de fundo o acontecido com a Profa. Kátia – o furto da liberdade de expressão – e pergunte a si mesmo: qual o papel do movimento panathlético no Brasil em disseminar os conceitos de “Esportes, Educação e Valores Olímpicos” (título da obra referida anteriormente) a curto, médio e longo prazo? Estamos preparados para essa tarefa?

Antonio Carlos Bramante
Panathlon Clube de Sorocaba

Mais uma informação sobre o caso com o COB

Essa semana foi ao ar no Esportes Show, do Portal Terra, mais uma matéria sobre o livro Esporte, educação e valores olímpicos.

Wanderley Nogueira fez uma entrevista não apenas sobre o caso com o COB, mas também sobre outros temas mais gerais como Jogos Olímpicos, a função dos megaeventos esportivos para a sociedade e como fica o Brasil diante desse imenso desafio.

http://terratv.terra.com.br/Esportes/4321/Esportes-Show.htm

Obrigada aos colegas do Portal Terra pela oportunidade

Outros veículos que deram visibilidade ao caso

Por solicitação daqueles que têm apreço pela história e pela memória buscarei trazer para o blog os veículos que publicaram o “caso” Esporte, educação e valores olímpicos.

Como já disse em outro post Andrew Jennings, da Inglaterra, um dos autores do “The lords of rings” assim que soube da notícia fez contato para ter informações sobre o caso e publicou uma matéria em seu site http://www.transparencyinsport.org/
Vale destacar que esse é um site de muita visibilidade porque acompanha de perto o dia-a-dia da FIFA e do COI. A publicação dessa matéria em inglês deu grande visibilidade internacional ao processo que já estava divulgado nas redes acadêmicas.

Importante também destacar as matérias que saíram no jornal Correio do Povo, de Porto Alegre, tanto no início da ação, divulgando o fato, como ao final, apresentando o desfecho.

http://www.correiodopovo.com.br/Impresso/?Ano=115&Numero=126&Caderno=0&Noticia=94144

http://www.correiodopovo.com.br/impresso/?ano=115&numero=130&caderno=0¬icia=95834

Também o Ricardo Lucena fez publicar no Jornal O Norte, de João Pessoa informações a respeito de todo o episódio, manifestando sua indignação pelo ocorrido.

http://www.jornalonorte.com.br/2010/02/14/esportes4_0.php

Espero que essas informações mantenham viva a memória recente sobre o direito ao livre pensar para que outras investidas não tenham sucesso.

É muito bom saber que não estamos sós

Embora o silêncio seja desejado por muitos, o “caso” da proibição do livro “Esporte, educação e valores olímpicos” ainda não chegou ao fim para aqueles que entendem que o espectro ronda nosso território.

É incrível constatar ao longo desses longos dias o quanto vários colegas se calaram fosse por motivos impublicáveis ou não.

Por isso, publico aqui a carta que a Prof. Celi Tafarel fez circular ontem e agradeço sua atitude combativa diante de todo o ocorrido, mesmo depois de já saber o desfecho dessa história.

PELA AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA CONTRA INGERENCIA DO COMITÊ OLIMPICO BRASILEIRO NAS UNIVERSIDADES
EM SOLIDARIEDADE A PROFESSORA DRA. KATIA RUBIO (USP)

“Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao principio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa, extensão”. (Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988).

Nós, professores e estudantes do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Física, Esporte e Lazer (LEPEL/FACED/UFBA) estamos nos posicionando publicamente contra a ingerência do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) na Autonomia Universitária assegurada no art. 207 da Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988 e solidários a professora doutora Katia Rubio da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP), pesquisadora apoiada por agencias oficiais como a FAPESP, o CNPq.
A Autonomia Universitária foi conquistada pela classe trabalhadora e seus organismos de luta, pelos Movimentos Docente e Estudantil, contra às ofensivas do capital e seus organismos cujos interesses subsumem um dos mais preciosos bens da humanidade que é universidade pública e sua capacidade de critica e autonomia.
A Constituição Federal garantiu às universidades públicas, pelo teor de seu art. 207, autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial para que os sujeitos que fazem a universidade tenham a possibilidade de se auto-gerirem, evitando a imposição de mecanismos externo, seja por parte de órgãos de governo – executivo, legislativo e judiciário – seja por outros organismos da sociedade civil, as ditas organizações sociais (OS).
Qualquer ato que fira a Carta Constitucional merece pronta e enérgica irresignação e ação, inclusive judicial. Não é possível estender para as universidades quaisquer atos ou normas genéricas, como pretende o COB, se tais atos e normas contiverem disposições contrárias ao art. 207 da Constituição. Uma lei menor não pode ferir a lei maior de uma nação que se quer soberana.
A denuncia da professora doutora Katia Rubio da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP) nos deixou estarrecidos pela semelhança com atos arbitrários cometidos por tiranos, ditadores e mais recentemente pelos executores das medidas neoliberais no Brasil. Suas palavras expressas nos seguintes termos: “Na última quinta-feira, 28 de janeiro de 2010 tomei contato com um documento do Comitê Olímpico Brasileiro que me informa que devo recolher o livro Esporte, educação e valores olímpicos. Essa notícia além de me surpreender me causou enorme espanto por conta das alegações utilizadas para tal. Conforme o documento “o uso dos termos ‘olímpico’, ‘olímpica’, ‘olimpíada’, ‘Jogos Olímpicos’ e suas variações… são de uso privativo do Comitê Olímpico Brasileiro no território brasileiro”, denunciam a quebra de um direito constitucional inviolável.
Esta pretensão do COB de violar a constituição brasileira deve ser veementemente repudiada como foram repudiadas, ao longo da história, muitas outras tentativas contrárias à capacidade de critica das universidades. Para situar, na conjuntura nacional e internacional, o que significa esta luta que tem sua expressão em todos os estados Brasileiros e para reconhecer tendências de um processo histórico temos que recorrer às fontes históricas.
No ano de 1873, na Alemanha, na Universidade de Götting, um grupo de sete professores , protestou contra a ingerência do “König von Hannover – Ernest August” – (O Rei de Hanover, Ernest August, o tirano, a tristeza do povo) que exigia dos professores que se submetessem a sua autoridade. Esses sete professores – hoje reconhecidos como “Die Göttinger Siebem” (Os Sete de Götting), lançaram um manifesto de protesto e se dirigiram ao povo dizendo “A universidade perde sua honra se não puder pensar com autonomia” e passaram a ser referência na luta pela construção da democracia, contra a aristocracia, contra as autoridades feudais (monarcas, reis, forças armadas, etc), contra a perda da liberdade de pensar nas universidades.
Poderíamos levantar dados em muitas outras fontes, em todo o mundo, sobre esta tentativa de retirar da universidade sua autonomia intelectual. Destacamos um fato ocorrido no Brasil, na Universidade Federal da Bahia, no dia 16 de maio de 2001, quando, em uma atitude arbitrária, autoritária, anticonstitucional, a tropa de choque da policia militar de um governo carlista é chamada para intervir na pacífica manifestação em curso na universidade, pela cassação de um parlamentar corrupto. Com a intervenção da polícia, cessou o livre pensar, cessou a liberdade e a autonomia e a coerção, imposta pelo braço armado do Estado prevaleceu com violência. Ato este que foi julgado e condenado, tendo o Estado, posteriormente, de indenizar a universidade pelos prejuízos causados.
Segundo o Colégio de Procuradores Gerais da ANDIFES, em manifesto divulgado em fevereiro de 2002, “A autonomia inscrita no art. 207 da constituição Federal contém norma mandamental de eficácia plena, porquanto a autonomia constitucional é prerrogativa indispensável da universidade….”. Esta prerrogativa defendemos intransigentemente.
Reivindicamos, portanto, que o COB não interfira e não atente, com suas medidas inconstitucionais contra a AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA porque isto significa atentar contra a Constituição Nacional e, em última instância, atentar contra a soberania da nação brasileira. Não será calando as universidades ou lhes impondo restrições quanto ao uso de termos que obteremos o mérito de sermos um PAÍS OLÍMPICO.
EM DEFESA DA UNIVERSIDADE PÚBLICA, CONTRA A MEDIDA DO COMITÊ OLÍMPICO BRASILEIRO DE USO PRIVATIVO DOS TERMOS REFERENTES A JOGOS OLIMPICOS.

Salvador 16 de fevereiro de 2010.

GRUPO LEPEL FACED/UFBA

A Vida é de Morte…

Gente antiga como minha avó Maria costuma usar a expressão “é de morte” para se referir a alguma coisa absolutamente fora do comum. Por exemplo, “Aquele menino é de morte, você viu o que ele fez? Desceu aquela rampa a 145 km por hora.” Fico tentando entender o que de fato a morte tem de tão incomum se ela é absolutamente a única certeza que carregamos a respeito de nosso destino ao longo de toda a nossa, curta ou longa, existência.

Mas o que me intriga de fato, a ponto de utilizar esse espaço para divagação ou discussão, é o que leva alguém a colocar a sua existência em risco durante uma prática esportiva. Hoje cedo, aliás muito cedo porque era dia de pegar a estrada e aproveitar o descanso que os dias de carnaval nos proporciona, vejo estampada na primeira página do jornal a morte lamentável de um atleta georgiano de luge durante os treinos para os Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver. Dizia a matéria que ele descia a rampa a 145 km/hora em um equipamento que não possui freio nem direção e que conta apenas com a habilidade do atleta na sua condução. Outro fato importante é que vários atletas antes dele haviam se acidentado, porém não fatalmente, e reclamado do traçado da pista. Um dos candidatos a medalha perguntava, inclusive, quais eram as intenções dos criadores daquela maravilha tecnológica. Levá-los ao limite ou à morte? E foi aí que fisguei o tema dessa reflexão.

Já escrevi sobre isso em várias publicações, mas pelo que vejo essa questão continuará pulsando em meus escritos.
Qual a razão da existência dos Jogos Olímpicos?

Os Jogos Olímpicos eram um ritual agonístico que ocorria em Olímpia em honra a Zeus, o maioral do panteão olímpico, e tinham por finalidade prestar homenagem aos heróis. Faziam parte dos Jogos Pan-Helênicos, juntamente com os Jogos Píticos (realizados em honra a Apolo, na cidade de Delfos), Ístmicos (aconteciam em Corintio em honra a Poseidon) e Nemeus (em honra a Héracles eram realizados em Neméia). Havia ainda os Jogos Heranos, dedicados à deusa Hera, esposa de Zeus, com a participação exclusiva de mulheres, uma vez que estas não podiam participar de qualquer outra competição… elas não eram cidadãs; e os Jogos Fúnebres, considerados os mais antigos e talvez precursor dos Jogos Olímpicos, eram dedicados aos mortos, como descreve Homero, na Ilíada; as Panatéias eram um evento realizado em honra a Athena, em Atenas.

Vejam, trago essas informações para refletir sobre as muitas possibilidades que os gregos tinham de provar seu agon. A agonística, segundo Junito Brandão (1999) em grego agonistiké, significa luta, disputa atlética, e prende-se a agon, ‘assembléia, reunião’ e, em seguida, ‘reunião dos helenos para os grandes jogos nacionais’, os próprios jogos, os concursos, as disputas.

A agonística em seu extremo levava o atleta a buscar o seu limite, ou seja, diante da impossibilidade de alcançar a imortalidade o atleta perenizava sua existência por meio de um feito que, se bem sucedido, imprimiria o nome de seu realizador na história, dando a ele uma espécie de imortalidade. Ainda hoje consta o nome de todos os vencedores dos Jogos Olímpicos da Antiguidade no museu de Olímpia. Ou seja, essa era a possibilidade dos homens chegarem muito perto dos deuses!!!

Claro está que foram necessários vários séculos e o auxílio das metanarrativas para que essa interpretação fosse possível, no entanto, a busca pela imortalidade por meio das realizações esportivas permanece a mesma. O que vejo no contemporâneo, diferentemente da Antiguidade, é que hoje as tecnologias e os interesses econômicos levam o atleta a um nível de risco absolutamente singular. Teria o atleta georgiano chegado àquela velocidade se seu equipamento não fosse feito de fibra de vidro, com tecnologia espacial, etc? Cuidado incautos! Não uso minha pena para maldizer a tecnologia ou os avanços inevitáveis como em Lunik 9, de Gilberto Gil “Poetas, seresteiros, namorados correi! É chegada a hora de escrever e cantar. Talvez as derradeiras noites de luar”. O que discuto são os interesses em jogo que tiram o atleta da condição de protagonista maior da realização dos Jogos e deslocam para as adjacências como equipamentos, materiais, entre outras perfumarias, a condição mítica de seus feitos. Vale lembrar sempre: NÃO HÁ COMPETIÇÃO ESPORTIVA SEM O ATLETA. Isso parece óbvio, mas não é tanto assim, haja visto como nossos representantes competitivos são tratados como peças de fácil reposição de uma complexa engrenagem.

Tomo o cuidado para não me chamarem de romântica. A questão não é essa. Não desejo que essa discussão se desvie para uma trilha rousseaniana do “bom atleta” na esteira do “bom selvagem”. Nenhum atleta é puro até que a sociedade (incluindo aí todos os interesses políticos e econômicos) o corrompa.

Os atletas aceitam os riscos que hoje correm para poderem concorrer àquele lugar único no alto do pódio que além da medalha rende-lhes muitos benefícios como patrocínios impublicáveis, fama e outras coisas. E quanto mais perto estão desse ideal de vida, mais se distanciam de todas as formas organizativas e associativas que, em última instância, podem promover a proteção de suas vidas. É o individualismo neo-liberal levado para dentro das arenas esportivas que, em última instância, ajuda a promover o risco de morte daqueles que deveriam proporcionar a, nós mortais, o deleite de vê-los perto dos deuses. Pena não estar claro ainda que a imortalidade ainda não pertence a nós.

Pois já não vale nada és página virada, descartada do meu folhetim

carta final murray cob

 

Entre os muitos comentários maldosos sobre esse processo com o COB cito a utilização dessa insânia como estratégia de marketing para alavancar as vendas do livro. Acredito que por mais que eu diga que todas as minhas leituras de Maquiavel e Hobbes não seriam suficientes para criar situação tão perfeita, há quem resista aos meus argumentos.
Houve também quem espalhasse por diferentes meios que eu iria processar o COB por danos morais, uma vez que tudo isso me expôs sobremaneira e que eu ficaria então rica.
Digo aos arautos do apocalipse e aos incautos que isso tudo para mim terminou, e terminou oficialmente com a carta dos meus advogados ao Comitê Olímpico Brasileiro.
Espero com isso virar essa página e passar a me dedicar a temas mais interessantes e menos egocêntricos.
Aguardem, esse espaço será para discutir Psicologia e Estudos Olímpicos mesmo.
Também não ligo a mínima para os apocalípticos e integrados que usam o termo “blogueira” de forma pejorativa para definir aqueles que se utilizam desse meio para se expressar, defender ou protestar, condição que passarei a desempenhar.
Durante anos convivi com a alcunha de “eclética” porque não utilizava apenas e tão somente uma única linha teórica como meu referencial clínico na Psicologia do Esporte.
Bom é ter paciência para ver o tempo passar e descobrir quem tinha razão.
Depois de tudo penso que além do título de professora doutora posso também ser chamada de psicóloga do esporte e blogueira. Com todo prazer.

Mas não importa não faz mal, você ainda pensa e é melhor do que nada…

COB final 1COB final 2

 

A sexta-feira começou cheia de expectativa. Nenhum sinal de fumaça vindo do Rio de Janeiro. Na ESPN as chamadas para o programa Juca Entrevista já estavam no ar e as mensagens chegavam trazendo a expectativa de muitos sobre a repercussão do programa. Com o Juca não se brinca!

Tensão na EEFE. Uma congregação extraordinária foi marcada para que o caso fosse discutido e aprovou uma moção a meu favor.

O calor do dia indicava mais uma tarde de chuvas e trovoadas. Da minha casa eu enviava e respondia mensagens, mensagens e mais mensagens e sentia que dali da Vila Madalena eu estava, na verdade, em várias partes do Brasil e do mundo. O Yves, da Bélgica, mandava boas notícias. A Kimberley, como sempre, uma grande incentivadora, mandava boas notícias e bons fluídos de Kent. O Joaquin, da Espanha, aplicando estratégias de auto-regulação. Sem contar nos colegas que estão em Vancouver, para o congresso olímpico dos Jogos de Inverno, e que pautaram o caso para discussão em plenária.

Não percebi que o celular estava no vibra e que havia várias chamadas não respondidas até que tocou o telefone fixo. Era a Luciana da EEFE dizendo que acabara de receber um fax do COB retirando a ação. Eram 17h30 da sexta-feira, 05 de fevereiro, de uma semana cheia de acontecimentos.

Curioso observar que no documento do COB não apenas a ação era retirada como também fui “autorizada” a fazer uso das palavras antes proibidas. Sentia uma sensação de alma lavada.

Não sou maniqueísta e não tenho muito estômago para filmes e livros que exploram a luta do bem e do mal, mas nesse caso, o final da história era feliz e eu gostei muito. Fico com aquela sensação deliciosa de que uma vez mais valeu lutar, mobilizar, acordar os sonolentos, cutucar os que estão em cima do muro, desprezar os covardes que se calaram ou se esconderam esperando (ou não) o desfecho da história para depois dizer “puxa, que bom. torci muito por você”.

Depois de terminada essa história, que embora tenha contornos de ficção foi real e acompanhada de perto por muitos, volto a usar minha energia produtiva para aquilo que estou no mundo para fazer: estudar, ensinar, pesquisar e publicar. E digo mais, fazendo tudo com muito prazer, com muita satisfação.

Espero daqui pra frente usar esse blog para publicar crônicas, notícias, comentários sobre as coisas do cotidiano que envolvem o esporte e a educação física, e quem sabe satisfazer assim aquele meu desejo latente (no fundo escondido do âmago do meu sub-inconsciente) de exercer minha porção jornalista, deixada de lado lá nos anos 80.

Não poderia finalizar esse capítulo sem uma vez mais agradecer do fundo do meu coração ao Alberto Murray pela acolhida imediata, ao Juca Kfouri pela coragem em trazer a público uma história surreal, ao Ingo Guntert por não desistir do projeto Esporte, Educação e Valores Olímpicos nunca, ao Laercio Elias Pereira esse sujeito hermesiano que me empurrou para o mundo da virtualidde (quisesse eu ou não) e a todos os que aberta ou anonimamente me mantiveram em pé ao longo dos 8 dias de turbilhão.

Meu muito obrigada

Um barco que veleje nesse infomar

Uma das coisas mais importantes desse caso é observar como a comunidade internacional está mobilizada para a questão olímpica. Aqueles que estudam e pesquisam os Estudos Olímpicos, que têm o Olimpismo como um bem da humanidade e não apenas o comércio da competição, estão muito atentos às ações que colocam em risco os ideais básicos e seculares do Movimento Olímpico.
A primeira pessoa do exterior a se manifestar publicamente foi o professor Gustavo Pires, da Universidade Técnica de Lisboa, ele próprio vítima de uma ação do Comitê Olímpico Português contra seu site Fórum Olímpico. Foi um processo desgastante que durou 3 anos e que a justiça portuguesa acabou dando ganho de causa ao Prof. Gustavo, abrindo um precedente em Portugal sobre o uso da palavra “olímpico”, “olímpica”, “Jogos Olímpicos”, enfim, as mesmas questões que envolviam a ação contra mim.
Dia 02/02/2010 o Prof. Gustavo postou no site www.forumolimpico.org uma matéria denominada A Família Olímpica onde discute o meu caso e outras questões mais.

Meu muito obrigada ao Prof. Gustavo.

Outras tantas manifestações internacionais chegaram por conta dos contatos que a Bárbara, da Alesde, fez com a Sociedade Norte-Americana de Sociologia do Esporte, o que levou a mensagens imediatas de pessoas como Andrew Jennings, um dos autores do clássico “The Lords of Rings”, o que lhe rendeu um processo do COI. Curioso. Lembro que quando estudei em Barcelona procurei esse livro em várias livrarias até que me informaram que eu só o encontraria em sebos, bem escondidinho. De fato, achei um em um sebo atrás do mercado municipal, perto das Ramblas. Achei que estivesse comprando algo proibido, sensação confirmada pelo dono da loja. Disse-me ele que durante o mandato do Juan Samaranch no COI os livros foram “proibidos” na Espanha. “Proibidos”, entre aspas, porque no sistema democrático em que hoje a Espanha pós-Franco vive não permite essa ação assim tão aberta. Mas o poder subliminar exercido pelo Senhor dos Anéis levou a obra a ser sorrateiramente “indexada”. Apesar disso, esse é um livro de referência para todos os que estudam esses meandros. Vai aqui a referência de um dos que enviaram seu apoio e solidariedade e que eu usei na minha tese de livre docência.

SIMONS, V.; JENNINGS, A. Los señores de los anillos. Barcelona: Ediciones Transparência, 1992.

Acionei também todos os colegas estrangeiros que conheci em eventos fora e dentro do Brasil. Incrível a capacidade que temos de criar redes na atualidade. Não só os colegas da área de psicologia do esporte, sociologia, história, filosofia do esporte, que eu tenho contato direto se manifestaram, mas também as redes de fisiologia do exercício, biomecânica, nutrição, enfim. Essa não era uma causa das Ciências Humanas, apenas. Ela foi uma causa de todos que estudam e pesquisam o esporte e a educação física, seja de uma perspectiva humana ou biológica. Isso me fez acreditar na máxima de Thomas L Friedman, de que O mundo é plano (Ed. Objetiva, 2007).

Thomas Kistner, da Alemanha, foi outro olímpico solidário que não apenas empenhou seu apoio como, ao que tudo indica, fez um grande barulho dentro do COI. Thank you very much, Thomas.

Não vou abrir aqui todos os apoios recebidos, porque como as mensagens vieram para meu e-mail pessoal não sei se todos autorizam a publicação.

Mas, gostaria de publicar o e-mail que o colega Rogério de Almeida, da Faculdade de Educação da USP que não apenas enviou para o COB como também autorizou a publicação do texto onde mais fosse necessário.

Excelentíssimos,

É com indignação, temeridade e perplexidade que recebo a notícia de que o COB solicita o recolhimento do livro Esporte, educação e valores olímpicos, de autoria da pesquisadora, professora e escritora Katia Rubio, cuja contribuição para o desenvolvimento dos estudos acerca do esporte, do olimpismo e do imaginário olímpico é inestimável. Segundo documento do COB, o “uso dos termos ‘olímpico’, ‘olímpica’, ‘olimpíada’, ‘Jogos Olímpicos’ e suas variações… são de uso privativo do Comitê Olímpico Brasileiro no território brasileiro”.

Diante do teor do documento, gostaria de questionar em que momento o Brasil, representado pelo COB, comprou os direitos autorais dos gregos para ter uso exclusivo de um termo (Olimpíada) que foi cunhado para homenagear os deuses do Olimpo. Será que a negociação foi feita diretamente com os deuses? Sequer a língua que usamos é nossa, já que se chama “portuguesa”, a qual, por sua vez, faz parte das línguas românicas, que tiveram origem a partir do latim, antiga língua dos Lácios incorporada pelos romanos, os quais tinham muito mais respeito pelos gregos (afinal, nunca tentaram “patentear” nenhuma de suas palavras).

Também desconheço essa manobra de tornar palavras de “uso privativo”. Se isso é legal, gostaria de registrar “felicidade”, “esperança” e “vitória” para uso privativo meu. E sugiro, o quanto antes, que o COB registre “vergonha”, “censura” e “autoritarismo”, pois lhe cabem com justeza e justiça.

Num país (prefiro não dizer qual, pois temo que a palavra também já tenha sido “patenteada”) em que já nos acostumamos com o “pão e circo” promovido pelos donos do poder (de todas as esferas, inclusive do esporte), de cujos reais interesses sempre desconfiamos (para não dizer que sabemos), a palavra de ordem é festejar. Então, festejemos os “jogos modernos que aludem aos jogos gregos que homenageavam os deuses do Olimpo” (desculpem-me a perífrase, mas temo represálias pelo uso da palavra adequada e agora tornada de uso restrito)! Vamos fazer festa, já que qualquer manifestação em contrário será tachada de anti-patriótica. Sim, façamos festa! Mas nem por isso deixemos de trabalhar.

É o que pretende a profa. Katia Rubio, continuar trabalhando, como faz há anos. Só que seu trabalho é justamente investigar o imaginário do esporte, dos Jogos (vocês-sabem-quais-são) e dos atletas que o praticam. E não de qualquer maneira, mas com seriedade, rigor acadêmico, científico e reconhecimento nacional pela enorme contribuição que, muito antes da festa de 2016, e independente dela, tem prestado. Estudos legitimados por seus pares e, principalmente, pela mais importante universidade deste país, a qual felizmente posso mencionar, não por fazer parte dela, mas por ser de uso privativo – a USP.

Portanto, só pode caber repúdio à censura imposta pelo COB (posso usar a combinação destas três letras?)!

É inadmissível que se confisque palavras do dicionário, da nossa vida comum, e proíbam determinadas pessoas (sim, porque a palavra está em todo canto da mídia) de usá-las. É inadmissível que se proíbam livros, quaisquer que sejam seu teor. É inadmissível que, num país democrático e com direitos assegurados pela Constituição, qualquer cidadão seja privado de expressar suas idéias.

Dessa forma, antes de tornar público meu email, solicito que se devolvam as palavras aos seus lugares de origem, ou seja, ao povo, ao falante, ao brasileiro, seja ele escritor, atleta ou dirigente, e que cesse qualquer atitude de censura a quem contribui para o esporte e o estudo dos jogos olímpicos (desculpem-me pelo uso da palavra).

Grato pela oportunidade de usar as palavras que ainda me são permitida usar,

Prof. Dr. Rogério de Almeida

Faculdade de Educação da USP

Essa família é muito unida

Desculpem pela demora na continuidade dessa história, mas tive que visitar meus pais para dar a eles um pouco de tranqüilidade. Coitados do Seo Hilário e Dona Darcy, um casal de septuagenários sofrendo com a possibilidade da filha ser presa. Tentei não dizer nada a eles enquanto tudo se resolvesse, mas não teve jeito. Um vizinho tinha ouvido o Juca Kfouri na ESPN na segunda-feira e foi perguntar o que estava acontecendo. Se para a gente que está nesse mundo de novidades uma notícia dessa choca, imagina para um casal de aposentados que optou por morar na praia pra ter sossego.
Ontem a noite assistimos juntos na casa de amigos ao Juca Entrevista. Me fez lembrar jogo da Copa do Mundo que vira evento. Onde vamos assistir, quem leva os bebes, os comes. Prende a cachorrada pra não ficar zanzando pela sala. Minha irmã Silvia fala da viagem de férias, a Nadir e o Edu, os donos da casa, informam aos colegas de Peruíbe o número do canal onde o programa vai passar, meu companheiro Flávio, que melhor que ninguém sabia o que passei durante essa semana ficou na varanda tentando segurar a onda do meu pai, que mesmo sabendo do desfecho da história ainda mantinha aquela cara de preocupação e não aliviava a alma.
Eh… seu Hilário e Dona Darcy. Ser pais é mesmo uma grande aventura! E o que seria de mim sem tudo o que vocês me deram. Sabiam vocês que essas brigas só puderam ser compradas porque vocês me ensinaram a lutar até o fim? Não foi isso que vocês também fizeram durante todas as vossas vidas? Não poderia ter maior prazer do que assistir a tudo aquilo ao lado de vocês. Eu os amo muito!
Começa o programa. Silêncio total. Vovó Maria, que vai fazer 97 anos, também está com os olhos pregados na TV e exclama:
- Nossa… Essa é a Kátia?
Olhares complacentes para a anciã e as atenções voltam para a TV.
Cada intervalo remetia a diferentes comentários. Fosse um jogo seria algo como: viu a atuação do zagueiro? Mas que bela defesa fez o goleiro! Acho que o técnico do time devia fazer alterações… e por aí foi.
Como o programa foi gravado antes do desfecho da ação eu não sabia o que a ESPN faria com o material ou como concluiria o programa. Ficamos todos em pé na sala, já comentando o programa como um todo e com a alma cheia de um torcedor que vê o time ganhar de goleada. Falas apaixonadas, abraços, beijos, lágrimas, mas… infelizmente sinto que a alma do Seo Hilário ainda continuava pesada.
Pena, meu pai, eu não poder tirar dos teus ombros esse peso. Tua filha, essa que aqui escreve, talvez ainda te dê outros motivos para se preocupar, porque ela não vai deixar de lutar nunca. Queria que você não sofresse pelas minhas lutas, que elas fossem motivo de escárnio, de piada, de deboche, como você tão bem consegue fazer quando tua alma está leve. E como você mesmo me ensinou, nada como rir de nós mesmos. Esse é um dos melhores remédios para a alma. Tenta daí, que eu tento daqui. E prometo que eu ainda vou ser motivo de muito orgulho para você e para todos aqueles que torceram e brigaram por mim.

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