Blog do Laércio


Educação Física, Esporte e Lazer


aDeus ao Mestre Cantarino

Quando o Mestre Cantarino foi homenageado no Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte (1997?) contou a história, confessando que já não sabia se ela tinha sido exatamente assim, ou se ele tinha adotado a minha versão. Conto com autoridade, pois.

Já morando em Brasília o Professor voltou à sua antiga escola, no Espirito Santo (achei o máximo a UFES comprar a sua raríssima biblioteca, parabéns, Amarilio).

Pois bem, no passeio de reencontro ele viu uma placa com os nomes dos pioneiros da Escola de Educação Física e ficou orgulhosíssimo de estar nela, até conferir uma placa parecida, também com nome de homenageados,  que estava ao lado. Era um in memorian. Ele confessou que nunca mais se recuperou do susto ao perceber que o único nome que ainda não tinha passado da primeira placa para a segunda era do dele.

Tive a felicidade de conviver com o Prof Cantarino por muitos anos e com a marca de várias ocasiões. Ele foi um dos componentes da comissão do Ministério da Educação que apoiou a criação do Sistema Brasileiro de Documentação e Informação Desportiva.

No primeiro concurso que conseguimos para a Universidade federal do Maranhão lá estava ele na banca, me salvando de uma professora que queria me reprovar porque eu não tinha usado todo o tempo da prova.

Mais recentemente apresentou um trabalho no I Congresso Brasileiro de Informação e Documentação Esportiva, contando um pouco da sua trajetória. http://cev.org.br/biblioteca/bibliografia-desportiva-relato-uma-experiencia/

Vamos ficar com o vídeo http://www.youtube.com/watch?v=ervvpTInqnE

Teria muito mais pra escrever, mas acho que alguma tese ou dissertação de pós-graduação poderia dar conta disso sem muita tristeza.

ADeus, Mestre
Laercio

Sou, mas quem não é? Blog do Barbeiro

Pessoal, como está baixando sem escrúpulos o espírito de vendas de natal, e eu tenho horror à pieguice, repasso, para as devidas comemorações (Maranhão e Alagoas sempre nas manchetes!!!), um texto do excelente Blog do Barbeiro, do Professor e Jornalista Heródoto Barbeiro.

Ele é proprietário de um bar na região sul de São Paulo. É uma área da cidade onde predomina o crime organizado e os moradores sabem quem são os representantes do PCC. Ele compra motos roubadas e despacha para o Maranhão nos porões dos ônibus clandestinos que saem da Praça Princesa Isabel, bem no centrão da cidade.

Para levar uma moto o preço é de uma passagem. Gente ou moto roubada custam a mesma coisa. Da mesma praça partem outros clandestinos para o norte e o nordeste do país. A moto chega ao destino, é vendida e o comprador se acidenta. A polícia do Maranhão descobre o esquema e liga para o dono do bar.

Ela quer R$ 8 mil para deixar tudo limpo. Há negociação e a mordida cai para R$ 6 mil, afinal, ele tem que dar também alguma coisa para a polícia civil paulista. Parece ficção, mas não é.

A corrupção está capilarizada no país, e não são apensos os colarinhos brancos que se envolvem em negociatas para encher o bolso. A maracutaia está democratizada, sofisticada, e atende parte da população que não tem condições de comprar produtos legais. Misturam-se ladrões, receptadores, policiais corruptos, motoristas piratas, e outros personagens não identificados.

Sou, mas quem não é, dizia o personagem mau caráter e corrupto criado pelo genial Chico Anísio. É um tapa na cara daqueles que acreditam que a sociedade só será justa e tranquila quando todos se limitarem a agir no campo da ética. Mas os exemplos são os piores possíveis. Parece que o refrão do samba “se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão”, não é apenas um poema musicado. É a mais pura realidade.

O cidadão toma consciência que não se pode investigar nada porque se descobre sujeira, antes restrita aos políticos, agora também no judiciário, graças a ação do Conselho Nacional de Justiça e de sua corregedora Eliana Calmon. Não dá mais para comparar o cofre público com um queijo suíço, não cabe tanto rato, é melhor comparar com uma madeira atacada.

Além do assalto direto ao cofre, abastecido com o pagamento de impostos pelo distinto público, eles recebem “pagamentos” contra a prestação de serviços da “consultoria” que nunca fizeram. Usam os mais ardilosos artifícios, como criar um micro empresa que recebe de pagamento de um único cliente mais do que fatura o ano inteiro e contrata um deles como “assessor”. Esta central de propinas que mantém vivo o tráfico de influências sai sempre do bolso do contribuinte. Seja através de superfaturamentos, seja de entidades que também recebem verbas públicas. O povo paga sempre.

A mídia descobre e divulga um verdadeiro bacanal, que se desenrola atrás de um biombo, que vez ou outra cai e mostra o que se passa lá trás. Todo mundo pego no flagra. Não há biombo que resista a uma investigação seja de um órgão controlador, ou da mídia jornalística. Os escândalos se sucedem e ninguém tem o monopólio da sacanagem, está disseminada.

O verso do Lupicínio ficou totalmente démodé “e vergonha foi a herança maior que meu pai me deixou”. Afinal, sou, mas quem não é?

Nós da/na FEF Unicamp

Não consigo afastar o pecado da soberba quando lembro que trabalhei na FEF Unicamp com gente muito importante. Tive a sorte de estar num grupo que tem dado uma grande contribuição na história da Educação Física do Brasil. É preciso dar os créditos ao ciador da FEF – e orientador da tese do CEV – João Tojal, que partiu no corpo-a-corpo para os convites e foi buscar gente longe pra formar um bom time, num curso tardio, criado em 1985 . Esta semana, em que o João Freire contou no blog que ficou desanimado em ter visto pouco movimento por lá, também dei uma passada e “arrevirei os zoin” lembrando os “bons tempos” ao rever o quadro com os nomes dos professores no prédio da biblioteca.professores unicampp Seria nostalgia? Laércio

Deixar o seu amor sem palavras …

deixar o seu amor sem palavras, não tem preço

Dia do(s meus) Professor(es de EF)

Decidi cursar Educação Física não por acaso, mas, de repente. Eu nem sabia que EF era curso superior enquanto tentava decorar as coisas dos cursinhos para o vestibular de sociologia na USP.

Cheguei a prestar exame, mas nem fui saber no que deu. Uma amiga de cursinho me apresentou a Janice, que disse fazer o curso Superior de Educação Física no Ibirapuera (com a luta dos meiaoito viorou USP).

Fiquei encantado com a ideia de poder viver como professor de Educação Física. Sempre tinha jogado bola e sido escoteiro e, mais do que tudo, tinha uma admiração profunda por meus professores de Educação Física do Ginásio e do SENAI.

Quero prestar uma homenagem e fazer um agradecimento a eles hoje.

O primeiro foi o Prof DIOGO, no Ginásio Amaral Wagner, de Utinga (era um bairro de Santo André encostado em São Caetano, a gente pulava a fronteira – um corguinho). Diziam que ele tinha sido jogador da Portuguesa. Não consegui mais informação. Ainda no Amaral Wagner tive o VALDERBI  ROMANI, que ainda não era técnico da seleção brasileira de vôlei nem famoso. Foi quem me mostrou o handebol (com uma bola grande, de capotão). Mais tarde eu teria a alegria de trabalhar com o Prof.  Valderbi no SESI – ele dirigindo o Centro Esportivo de Santo André e eu o de São Caetano. Também trabalhamos juntos no Curso de Educação Física da FEC do ABC.

Passei pra turma da noite no recém-criado Ginásio da Vila Barcelona – que virou Idalina – por causa do curso de Ajustagem Mecânica no SENAI. Meu grande professor de EF do Senai de Santo André foi o RENATO GUAZELLI, que tinha sido bom nadador e tinha o apelido de Peixe.

Depois, já no curso de Ferramentaria do SENAI do Brás, tive a sorte de ter o TUTA como Professor de Educação Física; JOSÉ CARLOS MULLER DA SILVEIRA. Que ainda é vivo e mora em Mogi das Cruzes. Achei um vídeo dele. http://glo.bo/tuta2011

Grandes Professores, muita saudade! Admiração pra sempre.

CEV, 15 anos, no Jornal da Ciência

O excelente Jornal da Ciência, Produzido há 25 anos pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, e indispesável para quem quer ou precisa acompanhar o dia-a-dia do conhecimento no Brasil, agora pode ser baixado, sem perder o formato original de tanto sucesso. Quem quiser imprime.
Por coincidência, na primeira versão eletrônica tem uma matéria generosa sobre os 15 anos do CEV (p.11), e o anúncio do XVII Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte entre os eventos (p.11)
Do ponto de vista da ciência da informação vai ser interessante acompanhar essa migração do JC para as pranchetas e computadores. A torcida é para que o JC incorpore os recursos de apontadores e vídeos mantendo o padrão da edição impressa – seguindo a persistência da caixa de Maizena ;-).
A ansiedade de esperar o JC pelo correio pedestre a cada quinzena passa a ser a de esperar para baixar. Matérias mais frescas sem o tempo de gráfica e do correio grevoso.
Quem não acompanhar periga morrer com a boca desinformada cheia de formiga.  http://www.jornaldaciencia.org.br/impresso/JC697.pdf

Laersauro

No ônibus ou avião gosto da janelinha – caipirismo explícito -, e das cadeiras do fundão. Costumo ser um dos últimos a entrar e sair e tenho bronca dos estressados que levantam assim que o avião para, e ficam em pé no corredor. Depois encontro essas mesmas figuras em pé esperando as malas perto das esteiras no saguão do aeroporto.

Sempre incomodo quem está na fila do meio ou no corredor para ir até a minha janelinha. Em geral o pessoal é gentil e não reclama. Mas, às vezes, me humilham. Como hoje. Estou viajando de Maceió pra Brasília onde tenho uma rara oportunidade de mostrar o CEV numa audiência pública da Câmara Federal.

Assim que me acomodei puxei o meu caderno espiral de papel reciclável e a lapiseira 0,7 com grafite 2B. Meu vizinho abriu a pranchetinha (Ipad). Fiz cara de escritor famoso que está acostumado a escrever a mão. Mas o ato seguinte foi mais chocante. A comissária pediu para os passageiros desligarem os celulares. Meu vizinho conferiu o seu iphohe enquanto eu disfarçava no meu tijolinho Nokia de lanterninha.

O pior é que tive que desembanhar o portátil pra catilografar estas mal-digitadas.

Está faltando uma atitude radical. Estou pensando seriamente em seguir o exemplo do mecânico do meu FIAT 147, da oficina focinho-de-porco de Muzambinho, quando ele justificou, em tom professoral, que estava comprando um computador para fazer a checagem dos motores: – TEM QUE MODERRRRRRNÁ!

Foto do primeiro dia do CBCE

cbce4

Tem outra aqui:

http://cev.org.br/comunidade/cbce-30anos/debate/foto-primeiro-dia-cbce

Terrorismo grazaDeus.

Terrorristas costumam ser os heróis dos nossos inimigos. E vice-versa.

Assim, temos como heróis do nosso(?) lado: os cruzados, os cães de guerra gringos (no Vietnam, Afeganistão, Iraque…), os Maquis na resistência francesa e na Guerra Civil Espanhola. Bin Laden era herói americano quando  financiado para lutar contra os Russos no Afeganistão e virou terrorista quando mudou de lado. Os homens-aviões-bomba japoneses, os Camicases, também passaram de terroristas a heróis acompanhando as conveniências. Nossa terrorista mais próxima (acusada de mentirosa pelo senador boquinha-de-chupar-ovo Agripino Maia) foi a jovem Dilma Roussef.

Já confessei ser um anarquista de baixos teores e ter horror à violência. Poderia até dizer “tenho ódio e nojo”, como o Dr Ulisses se referiu à ditadura quando apresentou a nova Constituição. Rebarbo tanto à violência sangrenta, feita com trajes de guerra, quanto a violência que mata de fome uma criança a cada seis segundos, cometida pelos homens de terno e mulheres bem-vestidas dos Wall Street, das bolsas, das empresas e dos governos.

O meu caso foi simples e a favor.

Esqueci a minha maleta com computador, livros, revistas, O Público e cadernos, no saguão do aeroporto de Lisboa. Lembrei meia hora e dezenas de metros depois e voltei correndo. Na passagem por um dos portões falei da mala e o porteiro até já sabia. Quando cheguei no saguão lá estava a minha maleta, rodeada por policiais ferozes que especulavam sobre a bomba disfarçada. Tudo gritando. Abaixei e abri a maleta explicando que tinha esquecido alí na pressa, enquando mostrava o conteúdo. Uma policial mais nervosa repetia sem parar que ali não era lugar de deixar bolsas… que eles iam explodir…

Em vez de tentar explicar que não é meu costume abandonar minha malinha de estimação sozinha em lugares públicos, tentei acalmar a situação e tirei o boné, na esperança de que a policial mudasse para a opção de que não teria que encarar um caso de terrorismo, mas apenas um vacilo de um terceridade careca.

No fim  recuperei a mala deixada em público por meia hora. Coisa impensável em qualquer aeroporto ou rodoviária brasuca e pacífica. Tem coisa no terrorismo que pode ser boa.

Chapéu de mocorongo

Nunca pensei em posar de turista babaca. Mas, não deu outra: tênis, bermuda, óculos escuros e chapéu de mocorongo. Só faltou a camisa larga de botão cheia de florzonas.

Peguei Lisboa num sábado solto no meio dos feriados e com um calor de 36 graus que empurrou os lisboetas para o refrigério do litoral, deixando a cidade tranquila.  Longas caminhadas com direito a rever o Submarino Amarelo e admirar o acervo da cinemateca.

Trabalho:
1. Rendeu bem a visita a Trás-os-Montes UTAD . Conheci pessoalmente e travei uma longa conversa com o editor da Motricidade e diretor do Curso de EF., Prof. José Vasconcelos Raposo. Vamos realizar em Montes Claros a reunião de editores de revistas científicas de língua portuguesa sob a coordenação dele. Na análise sobre os artigos mais baixados da Motricidade encontramos os editoriais. O mais recente e acessado é Saúde e exercício físico como instrumento terapêutico: Que papel para as revistas científicas? Na conversa rolou a bronca com os critérios da FUNAI-CAPES. Vamos puxar a conversa na comunidade Editores.

2. N’O Porto – Faculdade de Desporto – fui recebido e ciceroneado pelo Prof Pedro Sarmento . Eu não imaginava que, participando de um congresso em Porto Alegre no dia 17, o Prof Jorge Bento estaria na escola. Estava. Chegou depois de viajar a noite toda e foi pra Faculdade. Véspera de feriado! Um mortal comum teria emendado. Andamos pela Faculdade e ele mostrou  como cuidava dos detalhes. Pagou o café na cantina. Conheci alguns diretores assim. Os saudosos Nagib Matni em na Escola de EF do Pará, o Boaventura no CEPEUSP, o Wiliam, nos 30 anos em que juntou cada livro e acompanhou cada tijolo na escola de Muzambinho antes que ele conseguisse encaminhar a federalização da Escola e ser proibido, pelos novos dirigentes, de entrar nas instalações que ele criou e acalentou. Tem gente nova assim também, mas a citação pode dar mais problema do que ajudar, dado o clima de praga emocional vigente nas nossas academias.

Com o Pedro Sarmento falamos da virtualização da área de Gestão do Desporto. Cursos online na mira. Conversamos sobre as instituições, revistas e, também, lembramos o Gastão Souza, pioneiro das listas de discussão de Gestão do Desporto, e que o substituiu na APOGESP

3.  Na parte final de estada aqui na metrópole tenho um encontro com o ex-escragiário do CEV – e adm da comunidade lusofonia – Italo Morale.

O Ítalo mora em Portugal e foi escragiário do CEV ainda como estudante na Católica de Brasília (12 anos atrás!!!!!). Foi ele quem editou o Manifesto Mundial de Educação Física com sumário clicável e links para os documentos citados. Eu ainda acho que esse deve ser o jeito do CEV tratar os documentos, entre protestos e gozações da moçada do suporte do CEV.

Vou tentar visitar o Manuel Sérgio no Instituto Piaget. Pra Universidade Aberta de Portugal eu levo a proposta de intercâmbio com o CEAD da Universidade de Pernambuco. Vou ser recebido pela Profa brasileira Daniela Melaré Vieira Barros que administra a Lista de Discussão Estilos de Aprendizagem https://sites.google.com/site/estilosead/

Resumidamente, era isso.
Laércio

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