Congresso NNE 1980
A arte do Congresso NNE de Ciências do esporte dde 1980 foi do Edgar Rocha

Publicado em 25.02.2010.
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Por Laércio Elias Pereira
Educação Física, Esporte e Lazer
A arte do Congresso NNE de Ciências do esporte dde 1980 foi do Edgar Rocha

Publicado em 25.02.2010.
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Por Laércio Elias Pereira
Agora que o COB desistiu da ação de queimar livros é bom a gente guardar o documento que iniciou tudo. A desistência já está na entrada do CEV. Laercio
Publicado em 8.02.2010.
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Por Laércio Elias Pereira
Temos recebido muitos pedidos de informação sobre a censura ao livro da Profa Kátia Rúbio <http://cev.org.br/qq/katrubio/>. Alguns, achando que é pegadinha, que não é possível; outros insinuando que uma coisa dessas só pode ser propaganda marota pra vender os livros da Professora. O fato, extraido da carta da profa Kática, que vai transcrita no final desta nota: “Na última quinta-feira, 28 de janeiro de 2010 tomei contato com um documento do Comitê Olímpico Brasileiro que me informa que devo recolher o livro Esporte, educação e valores olímpicos. Essa notícia além de me surpreender me causou enorme espanto por conta das alegações utilizadas para tal. Conforme o documento “o uso dos termos ‘olímpico’, ‘olímpica’, ‘olimpíada’, ‘Jogos Olímpicos’ e suas variações… são de uso privativo do Comitê Olímpico Brasileiro no território brasileiro.”
Segue a carta na íntegra:
PELO DIREITO OLÍMPICO DE SE ESTUDAR E PESQUISAR ESTUDOS OLÍMPICOS NO BRASIL
Profa. Dra. Katia Rubio
Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo
Desde que ingressei na Universidade de São Paulo como docente fui posta à prova em um processo seletivo, três concursos, além das bancas de mestrado, doutorado e livre docência. Essa é a razão de ser da vida acadêmica. Sem contar na participação dos inúmeros editais que concederam auxílios ou bolsas aos projetos de pesquisa que desenvolvo. Com isso quero dizer que estou acostumada a ser avaliada e julgada de forma quase que ininterrupta há muitos anos.
Penso que aceitei o desafio da vida acadêmica porque fui criada e educada dentro do esporte. Aprendi ao longo da minha vida esportiva que o sucesso é o resultado de um processo que envolve dedicação, disciplina, determinação e que perder e ganhar faz parte do jogo. Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar, já cantava Elis. Tive a felicidade de contar com excelentes professores e técnicos que apontavam a todo instante a fundamentação ética dessa atividade, sem necessariamente evocar essas palavras.
Talvez venha daí o meu compromisso como pesquisadora e educadora: tive grandes mestres que adotaram uma pedagogia mimética e me inspiraram a fazer o mesmo.
Quando me dediquei ao estudo, ensino e pesquisa da Psicologia do Esporte e dos Estudos Olímpicos os fiz porque tinha a convicção da importância que esse fenômeno representa para a sociedade. Isso não é nenhuma novidade, uma vez que Thomas Arnold, no século XIX já havia observado essa possibilidade na sociedade inglesa da época e pautando-se nessa convicção fundou a Rugby School. Dessa experiência pedagógica resultou a obra Tom Brown’s Schooldays. Hughes foi aluno de Thomas Arnold na escola de Rugby, marco da institucionalização do esporte nas escolas inglesas, e na obra Tom Brown’s relatou de forma romanesca e apaixonada o cotidiano e as preocupações de uma pedagogia pelo esporte. Essa foi uma das obras que inspirou o Barão Pierre de Coubertin a edificar seu ideário olímpico, tema central dessa manifestação.
O estudo do fenômeno olímpico me inspira de diferentes formas, seja por seus aspectos macro que envolve a história, bem como as questões sociais e filosóficas, até seu âmbito mais específico relacionado basicamente à psicodinâmica do atleta e das equipes esportivas. Entendo que reside na compreensão desse continun – sujeito-sociedade – o sucesso de uma intervenção que não é apenas clínica, mas essencialmente social.
Vejo “milagres” sociais serem operados por meio do esporte, e não apenas o olímpico, mas afirmo que é o esporte olímpico que fornece muitos grandes exemplos para que milhões de crianças desenvolvam o desejo do vir a ser. E é nisso que eu aposto minhas fichas, minha energia de vida e meu vigor acadêmico: no estudo do fenômeno olímpico e em suas reverberações em diferentes indivíduos, sejam eles crianças ou adultos, que se refletirão nos movimentos da sociedade de forma mais ampla.
Essa foi a motivação para realizar os projetos de pesquisa Do atleta à instituição esportiva: o imaginário esportivo brasileiro (2001/14054-8) com auxílio pesquisa FAPESP, A função social da derrota entre atletas medalhistas olímpicos brasileiros com auxílio pesquisa concedido pelo CNPq (403212/2003 – edital 06/2003 – Ciências Humanas), Mulheres Olímpicas Brasileiras (2006/61269-3) com auxílio pesquisa FAPESP e meu pós-doutorado na Universidade Autônoma de Barcelona com bolsa concedida pela FAPESP (2004/05625-0), que como pode ser observado nos títulos dos projetos, abordam de diferentes maneiras o fenômeno olímpico.
Além disso, como sugerem os títulos de meus livros, quase todos eles relatando o resultado de pesquisas, o fenômeno olímpico e esportivo é o motor de minha ação autoral. São eles Esporte, educação e valores olímpicos. São Paulo: Ed. Casa do Psicólogo, 2009. Joaquim Cruz – Estratégias de preparação psicológica: da prática à teoria. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2008. Medalhistas olímpicos brasileiros: memórias, histórias e imaginário. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2006. Heróis Olímpicos Brasileiros. São Paulo: Zouk, 2004. RUBIO, K. O atleta e o mito do herói: o imaginário esportivo contemporâneo. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2001.
Além dos livros organizados com colegas dos Estudos Olímpicos, Psicologia do Esporte e Educação Física a seguir: RUBIO, K. (Org.); REPPOLD FILHO, A. (Org.); MALUF, R. M. (Org.); TODT, N. S. (Org.). Ética e compromisso social nos Estudos Olímpicos. Porto Alegre: Editora PUC-RS, 2007. RUBIO, K. (Org.). Educação Olímpica e responsabilidade social. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007. RUBIO, K.; ANGELO, L. F. (Orgs). Instrumentos de avaliação em Psicologia do Esporte. São
Paulo: Casa do Psicólogo, 2007. RUBIO, K. (Org.) Megaeventos esportivos, legado e responsabilidade social. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007. RUBIO, K. (Org.). Psicologia do Esporte: teoria e prática. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003. RUBIO, K. (Org.). Psicologia do Esporte aplicada. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003. RUBIO, K. (Org.); CARVALHO, Y. M. (Org.). Educação Física e Ciências Humanas. São Paulo: Hucitec, 2001. RUBIO, K. (Org.). Psicologia do Esporte: interfaces, pesquisa e intervenção. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000. RUBIO, K. (Org.). Encontros e desencontros: descobrindo a Psicologia do Esporte. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.
Há anos estamos trabalhando na realização de projetos de educação olímpica em consonância com o pensamento de Pierre de Coubertin. Pensei que a realização dos Jogos Olímpicos no Brasil fosse o momento oportuno e privilegiado para multiplicarmos essas ações que já ocorrem dentro de uma perspectiva de educação não-formal e informal. Nós da área acadêmica temos essa estranha mania de ter fé na vida e acreditar em coisas improváveis ou mesmo impossíveis.
Na última quinta-feira, 28 de janeiro de 2010 tomei contato com um documento do Comitê Olímpico Brasileiro que me informa que devo recolher o livro Esporte, educação e valores olímpicos. Essa notícia além de me surpreender me causou enorme espanto por conta das alegações utilizadas para tal. Conforme o documento “o uso dos termos ‘olímpico’, ‘olímpica’, ‘olimpíada’, ‘Jogos Olímpicos’ e suas variações… são de uso privativo do Comitê Olímpico Brasileiro no território brasileiro.”
Voltamos ao tempo da Inquisição onde apenas os iniciados poderiam fazer parte dos mistérios e os livros e publicações indexados deveriam ser expurgados impingindo aos descuidados o calor das chamas das fogueiras? É sempre bom lembrar que Hitler também fez suas escolhas de obras indexadas e termos permitidos.
O livro Esporte, educação e valores olímpicos foi gestado muito antes do anúncio da candidatura do Rio de Janeiro, uma vez que não tínhamos em nosso país nenhuma obra dedicada aos jovens para tratar do tema Olimpismo. Criei também um guia didático para uso dos professores em sala de aula apontando como usar o material como tema transversal, aproximando assim nossa tão desrespeitada educação física escolar de disciplinas “nobres” como a língua portuguesa, história, geografia, biologia etc.
Como diria Luther King “I have a dream” e continuarei a tê-lo, independente da ação do COB. Meu sonho continua vinculado ao país que tenho e ao país que desejo ter, e como o esporte pode contribuir para essa realização.
Publicar livros é dever de ofício de pesquisadores, principalmente das ciências humanas, e esse último é mais um entre os muitos que ainda pretendo publicar sobre o tema olímpico. Tenho um livro no prelo sobre as Mulheres Olímpicas Brasileiras. Que faço diante disso? Nomeio o inominável ou deixo que pisem as flores de meu jardim como no poema em homenagem a Maiakovsky?
“[...]
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
[...]”
Conto com o apoio de todos aqueles que estudam, pesquisam, ensinam e publicam sobre Olimpismo, Educação olímpica, Valores olímpicos, Ideais olímpicos, Imaginário olímpico, os deuses olímpicos não atletas, os heróis olímpicos de hoje e da Antiguidade para que essa forma de censura não se abata sobre nossas produções, para que prevaleça a liberdade de pesquisa e de expressão e para que o conhecimento possa chegar a toda a sociedade, saindo dos círculos restritos da universidade e contribuindo para uma sociedade mais justa e um país melhor.
Se de alguma forma essa notícia também lhe causa perplexidade escreva para carlos.nuzman@cob.org.br, andre.richer@cob.org.br, presidência@cob.org.br manifestando sua opinião.
São Paulo, 29 de janeiro de 2010
PELO DIREITO OLÍMPICO DE SE ESTUDAR E PESQUISAR ESTUDOS OLÍMPICOS NO BRASIL
Profa. Dra. Katia Rubio
Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo
Desde que ingressei na Universidade de São Paulo como docente fui posta à prova em um processo seletivo, três concursos, além das bancas de mestrado, doutorado e livre docência. Essa é a razão de ser da vida acadêmica. Sem contar na participação dos inúmeros editais que concederam auxílios ou bolsas aos projetos de pesquisa que desenvolvo. Com isso quero dizer que estou acostumada a ser avaliada e julgada de forma quase que ininterrupta há muitos anos.
Penso que aceitei o desafio da vida acadêmica porque fui criada e educada dentro do esporte. Aprendi ao longo da minha vida esportiva que o sucesso é o resultado de um processo que envolve dedicação, disciplina, determinação e que perder e ganhar faz parte do jogo. Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar, já cantava Elis. Tive a felicidade de contar com excelentes professores e técnicos que apontavam a todo instante a fundamentação ética dessa atividade, sem necessariamente evocar essas palavras.
Talvez venha daí o meu compromisso como pesquisadora e educadora: tive grandes mestres que adotaram uma pedagogia mimética e me inspiraram a fazer o mesmo.
Quando me dediquei ao estudo, ensino e pesquisa da Psicologia do Esporte e dos Estudos Olímpicos os fiz porque tinha a convicção da importância que esse fenômeno representa para a sociedade. Isso não é nenhuma novidade, uma vez que Thomas Arnold, no século XIX já havia observado essa possibilidade na sociedade inglesa da época e pautando-se nessa convicção fundou a Rugby School. Dessa experiência pedagógica resultou a obra Tom Brown’s Schooldays. Hughes foi aluno de Thomas Arnold na escola de Rugby, marco da institucionalização do esporte nas escolas inglesas, e na obra Tom Brown’s relatou de forma romanesca e apaixonada o cotidiano e as preocupações de uma pedagogia pelo esporte. Essa foi uma das obras que inspirou o Barão Pierre de Coubertin a edificar seu ideário olímpico, tema central dessa manifestação.
O estudo do fenômeno olímpico me inspira de diferentes formas, seja por seus aspectos macro que envolve a história, bem como as questões sociais e filosóficas, até seu âmbito mais específico relacionado basicamente à psicodinâmica do atleta e das equipes esportivas. Entendo que reside na compreensão desse continun – sujeito-sociedade – o sucesso de uma intervenção que não é apenas clínica, mas essencialmente social.
Vejo “milagres” sociais serem operados por meio do esporte, e não apenas o olímpico, mas afirmo que é o esporte olímpico que fornece muitos grandes exemplos para que milhões de crianças desenvolvam o desejo do vir a ser. E é nisso que eu aposto minhas fichas, minha energia de vida e meu vigor acadêmico: no estudo do fenômeno olímpico e em suas reverberações em diferentes indivíduos, sejam eles crianças ou adultos, que se refletirão nos movimentos da sociedade de forma mais ampla.
Essa foi a motivação para realizar os projetos de pesquisa Do atleta à instituição esportiva: o imaginário esportivo brasileiro (2001/14054-8) com auxílio pesquisa FAPESP, A função social da derrota entre atletas medalhistas olímpicos brasileiros com auxílio pesquisa concedido pelo CNPq (403212/2003 – edital 06/2003 – Ciências Humanas), Mulheres Olímpicas Brasileiras (2006/61269-3) com auxílio pesquisa FAPESP e meu pós-doutorado na Universidade Autônoma de Barcelona com bolsa concedida pela FAPESP (2004/05625-0), que como pode ser observado nos títulos dos projetos, abordam de diferentes maneiras o fenômeno olímpico.
Além disso, como sugerem os títulos de meus livros, quase todos eles relatando o resultado de pesquisas, o fenômeno olímpico e esportivo é o motor de minha ação autoral. São eles Esporte, educação e valores olímpicos. São Paulo: Ed. Casa do Psicólogo, 2009. Joaquim Cruz – Estratégias de preparação psicológica: da prática à teoria. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2008. Medalhistas olímpicos brasileiros: memórias, histórias e imaginário. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2006. Heróis Olímpicos Brasileiros. São Paulo: Zouk, 2004. RUBIO, K. O atleta e o mito do herói: o imaginário esportivo contemporâneo. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2001.
Além dos livros organizados com colegas dos Estudos Olímpicos, Psicologia do Esporte e Educação Física a seguir: RUBIO, K. (Org.); REPPOLD FILHO, A. (Org.); MALUF, R. M. (Org.); TODT, N. S. (Org.). Ética e compromisso social nos Estudos Olímpicos. Porto Alegre: Editora PUC-RS, 2007. RUBIO, K. (Org.). Educação Olímpica e responsabilidade social. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007. RUBIO, K.; ANGELO, L. F. (Orgs). Instrumentos de avaliação em Psicologia do Esporte. São
Paulo: Casa do Psicólogo, 2007. RUBIO, K. (Org.) Megaeventos esportivos, legado e responsabilidade social. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007. RUBIO, K. (Org.). Psicologia do Esporte: teoria e prática. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003. RUBIO, K. (Org.). Psicologia do Esporte aplicada. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003. RUBIO, K. (Org.); CARVALHO, Y. M. (Org.). Educação Física e Ciências Humanas. São Paulo: Hucitec, 2001. RUBIO, K. (Org.). Psicologia do Esporte: interfaces, pesquisa e intervenção. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000. RUBIO, K. (Org.). Encontros e desencontros: descobrindo a Psicologia do Esporte. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2000.
Há anos estamos trabalhando na realização de projetos de educação olímpica em consonância com o pensamento de Pierre de Coubertin. Pensei que a realização dos Jogos Olímpicos no Brasil fosse o momento oportuno e privilegiado para multiplicarmos essas ações que já ocorrem dentro de uma perspectiva de educação não-formal e informal. Nós da área acadêmica temos essa estranha mania de ter fé na vida e acreditar em coisas improváveis ou mesmo impossíveis.
Na última quinta-feira, 28 de janeiro de 2010 tomei contato com um documento do Comitê Olímpico Brasileiro que me informa que devo recolher o livro Esporte, educação e valores olímpicos. Essa notícia além de me surpreender me causou enorme espanto por conta das alegações utilizadas para tal. Conforme o documento “o uso dos termos ‘olímpico’, ‘olímpica’, ‘olimpíada’, ‘Jogos Olímpicos’ e suas variações… são de uso privativo do Comitê Olímpico Brasileiro no território brasileiro.”
Voltamos ao tempo da Inquisição onde apenas os iniciados poderiam fazer parte dos mistérios e os livros e publicações indexados deveriam ser expurgados impingindo aos descuidados o calor das chamas das fogueiras? É sempre bom lembrar que Hitler também fez suas escolhas de obras indexadas e termos permitidos.
O livro Esporte, educação e valores olímpicos foi gestado muito antes do anúncio da candidatura do Rio de Janeiro, uma vez que não tínhamos em nosso país nenhuma obra dedicada aos jovens para tratar do tema Olimpismo. Criei também um guia didático para uso dos professores em sala de aula apontando como usar o material como tema transversal, aproximando assim nossa tão desrespeitada educação física escolar de disciplinas “nobres” como a língua portuguesa, história, geografia, biologia etc.
Como diria Luther King “I have a dream” e continuarei a tê-lo, independente da ação do COB. Meu sonho continua vinculado ao país que tenho e ao país que desejo ter, e como o esporte pode contribuir para essa realização.
Publicar livros é dever de ofício de pesquisadores, principalmente das ciências humanas, e esse último é mais um entre os muitos que ainda pretendo publicar sobre o tema olímpico. Tenho um livro no prelo sobre as Mulheres Olímpicas Brasileiras. Que faço diante disso? Nomeio o inominável ou deixo que pisem as flores de meu jardim como no poema em homenagem a Maiakovsky?
“[...]
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
[...]“
Conto com o apoio de todos aqueles que estudam, pesquisam, ensinam e publicam sobre Olimpismo, Educação olímpica, Valores olímpicos, Ideais olímpicos, Imaginário olímpico, os deuses olímpicos não atletas, os heróis olímpicos de hoje e da Antiguidade para que essa forma de censura não se abata sobre nossas produções, para que prevaleça a liberdade de pesquisa e de expressão e para que o conhecimento possa chegar a toda a sociedade, saindo dos círculos restritos da universidade e contribuindo para uma sociedade mais justa e um país melhor.
Se de alguma forma essa notícia também lhe causa perplexidade escreva para carlos.nuzman@cob.org.br, andre.richer@cob.org.br, presidência@cob.org.br manifestando sua opinião.
São Paulo, 29 de janeiro de 2010
Publicado em 1.02.2010.
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Por Laércio Elias Pereira
Estudantes nativos digitais utilizando cada vez mais os recursos das Tecnologias de Informação e Comunicação para aprender e descobrir o mundo, e os professores não conseguem alcançar. E agora?
Publicado em 10.10.2009.
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Por Laércio Elias Pereira

Calanguinhos do LOR para o logotipo do programa Cientista Mirim de Alagoas
Publicado em 26.09.2009.
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Por Laércio Elias Pereira

A vida nos oferece alguns presentes impagáveis. Nem acreditei quando a Myriam, minha amiga de turma da EFEUSP, e companheira da lista “Turma de 70″ crianda antigamente, antes do Yahoo comprar o eGroups, me convidou para o aniversário de 96 anos do nosso mestre de Atletismo Aluizio Queiroz Telles. Não se chega a tudo isso sem algumas batalhas de saúde, mas é muito bom de comemorar. VIVA
Publicado em 10.07.2009.
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Por Laércio Elias Pereira
Quando, em reunião com professores, arrisco a minha escola ideal, pública. Quatro quadras de esporte com vestiarios e salão de ginástica. Tempo integral. Um teatro junto da escola administrado com a Associação de Pais e Mestres. Na aula que cair no primeiro horário os professores devem discutir as notícias dos jornais do dia com os estudantes. Eixos tematicos: na Semana do Negro: capoeira, historia da África, arte negra… Diante da descrença geral sobre uma escola dessas apenas informo que era o Ginásio Vocacional de São Caetano onde trabalhei no fim dos anos 1960. Devo confessar um certo saudosismo, atiçado pela palestra do Prof Claudio Moura Castro na Reunião Regional da SBPC aqui em Maceió – “Muito Brasil e pouca educação: a escola é ruim porque os pais acham boa?” - e com a charge que o Glauco me mandou:
Publicado em 26.05.2009.
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Por Laércio Elias Pereira
Com a ajuda do Valter Bracht e do Rafael Botelho cadastramos o programa, um artigo sobre classificação bibliográfica e as Conclusões do Primeiro Simpósio Paulista de Educação Física, promovido pela APEF e realizado em São Paulo em julho de 1940.
Além da permanência dos temas tratados há 70 anos, também as Conclusões Finais (sic) são interessantes, e um exemplo que foi sendo perdido nos últimos anos. Encontros científicos tem servido somente para a apresentação de trabalhos. Raros apresentam Conclusões e Recomendações. Ler e discutir.
http://cev.org.br/eventos/i-simposio-paulista-educacao-fisica
Publicado em 7.05.2009.
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Por Laércio Elias Pereira
Nunca vou me acostumar a morrer na praia. Foi assim com o Tubino, e agora com o Prof Crodowaldo Pavan. Perdi de fazer as entrevistas. Marcadas.
No caso do Tubino estávamos preparando uma entrevista a ser feita em Foz do Iguaçu, durante o Congresso de comemoração dos 60 anos da Federação Internacional de Educação Física, FIEP, que ele nos orgulhava com a presidência. Era hora de puxar a história que ele não costumava contar, certamente constrangido pela modéstia, de quanto ele ajudou amigos e colegas de farda perseguidos pela ditadura. Arriscando tudo. Acabei conseguindo fazer apenas uma mençãozinha aqui mesmo no blog: Tubino e as ditaduras.
Em dezembro de 2007 recebi um precioso convite da Andréia e da Fernanda Ramirez (administradoras das comunidades cevgenetica, cevsarau e divulgação científica em esportes) para participar da festa de fim de ano do Núcleo José Reis de Divulgação Científica da USP, onde elas estavam fazendo especialização e o Prof. Crodowaldo Pavan era o diretor científico.
Sem cerimônia imobilizamos o mestre no canto onde estava a jarra de ponche por mais de hora e meia, assombrados e encantados com as revelações.
Ele contou como iniciou a famosa jornada da implantação dos estudos de genética no Brasil que revelou cientistas importantes (inclusive o seu orientando de doutorado Prof Henrique Saldanha (orientador do mestrado da Andréia) e seus outros orientandos que ganharam bolsa da Fundação Kellogg.
Provocado, também contou sobre a convivência da SBPC com a ditadura, quando ele foi presidente (1981-87): “Nós criticávamos o governo, que não deixava de financiar as Reuniões Anuais, indicando que não deveríamos fazer alarde disso.” Esse seria um ponto a aprofundar na entrevista.
Falamos da Revista Ciência Hoje criada e feita sob o ponto de vista dos cientistas, e, de passagem, conversamos sobre as estratégias que usamos para a ressuscitação da Secretaria Regional da SBPC do Piauí durante a minha gestão de Secretário Regional do Maranhão, e responsável pela região a) AM, PA, AP, MA e PI, quando ele era presidente. Em seguida entramos no assunto do CNPq, que ele reinventou e turbinou.
Perguntamos por que essas histórias não estavam difundidas, e ele mostrou desalento com os jornalistas e mesmo com os historiadores da ciência: “Querem sensacionalismo, ou montam histórias coerentes com seus pontos de vista.” Também reclamou que nas entrevistas com ele sempre misturavam CNPq, SBPC, etc e davam pouco espaço para genética, cujos pesquisadores ele respeitava como grandes pioneiros da ciência no Brasil.
Arrisquei dizer que o problema era a falta de “crítica-inter-pares” nas entrevistas, sugerindo alguma espécie da Roda Viva da Ciência, em que o próprio cientista convidado escalaria os entrevistadores, buscando-os nos seus “colégios invisíveis”. Ele topou na hora, e pediu para gente tocar a idéia. Andréia e eu saímos a campo com a ajuda dos pesquisadores do Núcleo. Chegamos a conversar com a TV Cultura e, a despeito da boa receptividade do Presidente Paulo Markun, a idéia empacou. Fizemos outras tentativas que não vale a pena mencionar. Mas, a idéia continua viva: entrevistar nossos mestres que fizeram – e conhecem – a história da ciência no Brasil. Com o Professor Crodowaldo Pavan não vai dar mais.
Publicado em 4.04.2009.
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Por Laércio Elias Pereira
Tive os meus 15 minutos de fama. Fui convidado pelos amigos da UFAL pra falar no Encontro de Educação Física que fez parte do Congresso Regional da SBPC em Maceió em outubro. Participei do Encontro desde o começo, como de costume, juntando pedras pra jogar na minha hora. É o que se pode fazer em apresentações curtas. Encasquetei com a apresentação sobre capoeira. A turma parecia receber a exposição como se a capoeira fosse novidade na Educação Física, 40 anos depois que o Lourival Pariz, professor de Educação Física que lutou capoeira no filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, do Glauber Rocha, deu aulas pra gente na USP.
Gosto de falar de capoeira porque fui discípulo do Mestre Paulo Gomes e batizado por ninguém menos do que o Mestre Caiçara. Depois – voltando ao Encontro – teve aquela ladainha da capoeira, skindun, skindun, skin-dundundun… pobrinha. Decidi fazer a provocação sobre a falta de musica (e teatro) na EF. Lembrei de uma entrevista recente em que o Walter Silva (Pica-pau, o primeiro DJ do Brasil), reclamou que o Chico Buarque era ingrato de não lembrar que tinha começado num espetáculo organizado por ele na Educação Física da USP.
Do auditorio da UFAL mesmo (MOBO +TimWeb) puxei a pagina dele e escrevi perguntando. A resposta veio no dia seguinte:
Walter Silva <wsilvapicapau@xxx>
para Laercio Elias Pereira
data 22 de outubro de 2008 07:14
assunto Re: Walter Silva. Agradecimento e pedido de informacaoCaro Laercio…
… o nome do show foi “Mens Sana in Corpore Samba”, produzido para os alunos da escola de ed. física (DEFE) da USP e realizado no teatro Paramount em 16/11 de 1964. De fato, nesse show, foram lançados Chico Buarque, Toquinho, Ivete, Maria Lucia e outros. O diretor do centro acadêmico era Luis Alberto Lorenzeto. Mais detalhes, você encontra no meu livro “vou te contar”abraços.
Walter Silva.
Corri em busca do livro imaginando que ia ser uma batalha conseguir.
Não foi. O livro está no Google Books (80% no ar; assim costuma vender muito mais). Torci pro trecho da EF estar nos 80%.
Estava na pagina 65.
Também escrevi pro Lorenzetto assuntando sobre a possibilidade de uma historia detalhada por escrito que ele mandou (autorizando a divulgação):
de: Luiz Alberto Lorenzetto
para: Laercio Elias Pereira
data : 27 de fevereiro de 2009 19:30
assunto: Re: LORENZETTO. Mens Sana em corpore SambaCaro amigo
Segue o que a memória de um senhor de 67 anos conseguiu trazer.
Um grande abraço
Lorenzetto“‘MENS SANA IN CORPORE SAMBA’
Caríssimo Laércio
Rolava o ano de 1964 quando vivíamos assolados pela revolução militar. Nesta época eu estudava na Escola Superior de Educação Física do Estado de São Paulo, que funcionava no Ginásio do Ibirapuera (2as, 4as e 6as) e no Departamento de Educação Física na rua Germaine Buchard (3as e 5as).
Tendo sido eleito presidente do Centro Acadêmico “Ruy Barbosa”, fui indicado pelo Diretor da Escola, Prof. Dr. Alencar, como responsável pelo órgão acadêmico, quando o governo federal destituiu as diretorias de todos os Centros Acadêmicos.
De uma equipe eleita pela maioria dos alunos apenas eu restei e passei a responder sozinho pelo Centro.
Na época a música popular brasileira estava num dos seus auges e os “shows” musicais nas boates, Faculdades, casas de estudantes e no Teatro Paramount, mais tarde Teatro Record, bombavam com muita euforia..
Na boate Zum Zum do Rio de Janeiro Silvinha Telles era a grande estrela, e no Brasil todo Jair Rodrigues e Ellis Regina eram referências de sucesso.
Vinícius, Tom, Carlos Lira, Bôscoli, Caymmi, Menescal, João Gilberto, entre muitos outros já eram artistas de renome.
Não dá para falar de todo o mundo musical, pois o que nos interessa no momento é: como a Educação Física entrou na música e na “dança”?
Em 24/07/64 os alunos da Filosofia da USP promoveram o Show SAMBANOVO.
Em 26/10/64 os alunos da Paulista de Medicina promoveram o Show O REMÉDIO É BOSSA.
Em 23/11/64 os alunos da Odontologia da USP, liderados pela minha irmã (Maria Aparecida Teixeira Lorenzetto – mome de solteira) promoveram o Show I DENTI-SAMBA, sob a orientação do produtor musical Walter Silva, o famoso Pica-Pau.
Como minha irmã do meio Maria Lúcia Teixeira Lorenzetto (hoje trabalhando na Irlanda com crianças portadoras de necessidades especiais- Método Antroposófico de Rudolf Steiner) já ensaiava os primeiros passos como cantora, sob a orientação do Walter Silva, eu disse a ele que os alunos da Educação Física também gostariam de promover um Show de bossa nova.
O Walter, com sua criatividade, propôs então montar um esquema diferente: um Show dividido em duas partes, completamente distintas.
A 1ª. parte seria composta pelos artistas “amadores” que começavam a despontar no cenário musical: Bossa Jazz Trio, Chico Buarque, Edu Lobo, Maria Lúcia, Roberta Faro, Taiguara, Toquinho, Yvete; e a 2ª. parte teria a apresentação de Silvinha Telles, reeditando o Show da boate Zum Zum, do Rio de Janeiro.
Como os leitores podem verificar, alguns desses “amadores” tornar-se-iam a nata da música popular brasileira, recebendo do Walter Silva e dos alunos do curso de Educação Física um dos primeiros incentivos para lançar-se no mercado musical.
A notícia foi bem recebida pelos alunos do curso de Educação Física, que comprometeram-se a colaborar com tudo, principalmente na venda dos ingressos.
Com o dinheiro que o Centro Acadêmico tinha em caixa deu para imprimirmos panfletos, cartazes e os ingressos. Saímos a campo para a divulgação, distribuindo a propaganda, oferecendo os ingressos e passando várias madrugadas colando os cartazes nos postes da cidade.
Acreditava eu que com o restante da venda dos ingressos daria para pagar o aluguel do Teatro Paramount e o cachê da Silvinha Telles e do Walter Silva.
Chegou o dia tão esperado!
Ansioso, eu esperava na entrada do Teatro para receber o restante da venda dos ingressos. Se não me falha a memória só deu para pagar o aluguel do Teatro.
A maioria dos alunos não vendeu a sua cota e alguns nem compareceram ao show.
Diante da “inadimplência”, o Walter Silva conseguiu uma redução do pagamento com a cantora principal e mesmo assim ficamos devendo uma quantia enorme.
Não tendo de onde arranjar dinheiro, pedi ajuda ao meu pai, que tinha na época, uma Perua Rural Willys (1964) e um Jeep Wyllis (1962).
Ele colocou o Jeep à venda, conseguiu o equivalente ao que seria hoje, aproximadamente uns R$ 20.000,00 e assim saldamos a nossa dívida.
Na gestão seguinte do então Diretório Acadêmico, o então colega Carlos Unger foi eleito presidente e firmou um compromisso moral de quitar a dívida com o meu pai.
Após um ano de gestão, e depois de muitas campanhas, festas e arrecadações, o Carlos e equipe conseguiram a quantia necessária para saldar a dívida.
Se o Carlos estiver lendo estas informações aproveito para enviar-lhe um abração agradecido por mais este esforço em prol da nossa comunidade.
Laércio, não consegui encontrar o cartaz do show. Assim que eu conseguir lhe envio com o maior prazer.
Termino aqui mais uma recordação de tempos tão bons!
Luiz Alberto Lorenzetto
Publicado em 12.03.2009.
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Por Laércio Elias Pereira