Educação Física, Esporte e Lazer
Antigamente, ainda no século vinte, em conversas na Escola do Futuro da USP, constumávamos tripudiar sobre os velhos conceitos, dizendo que “Os currículos costumam ser construídos com base no passado glorioso dos professores, não no futuro incerto dos estudantes”. Ou seja, a gente também analisava olhando no retrovisor. Diferente da Singularity University, que usa como base projeções futuristas, cujo diretor, Salim Ismail, esteve no Brasil e deu entrevista ao Link. Ler, refletir e palpitar.
Universidade de futurismo
LINK-Estadão. 21 de março de 2010
Em quarenta anos, o avanço tecnológico será tão grande que os seres humanos superarão sua própria biologia e, fundidos a máquinas, viverão para sempre. “Quem evitaria inovações que podem nos fazer viver mais e melhor?”, desafiou o autor da tese, o inventor-futurista Ray Kurzweil, em entrevista ao Link no ano passado. Brisa? Pode ser, mas essa crença tem nome (singularidade), defensores quase religiosos e até uma universidade própria.
Fundada em 2008, a Singularity University fica no Vale do Silício e é bancada por parceiros de peso como a Nasa e o Google. Sua missão é justamente desenvolver equipamentos e conceitos que conduzam para esse tal novo estágio da evolução, unindo o que há de mais avançado em áreas como biotecnologia e nanotecnologia. Rotulada de “Universidade do Google”, a Singularity University diz basear seu currículo em macroprojeções sobre o futuro, como aquelas feitas por Kurzweil em seus livros. O diretor-executivo da instituição, Salim Ismail veio ao Brasil na semana passada e conversou com o Link sobre a “escola de futuristas”.
Qual a diferença entre a Singularity University e outras instituições? Resolver problemas usando novas tecnologias não é o objetivo de várias delas?
As universidades normais pecam por basear o currículo no passado. Nossos estudos são baseados nas pesquisas e nas projeções para o futuro. Uma singularidade ocorre toda vez em que uma tecnologia única surge, quebrando com todos os modelos anteriores. Um exemplo bem pé no chão é o iPhone, que criou um novo modelo de negócios e mudou tudo. Como instituição, não ficamos estudando o passado. Nos preparamos e vislumbramos o dia em que custará US$ 100 para decifrar o seu genoma, favorecendo uma medicina personalizada. As tecnologias crescem de maneira exponencial, então, olhamos para elas como um meio para resolver os grandes problemas da humanidade.
Essa ideia de singularidade de Ray Kurzweil soa, para muita gente, mais como profecia religiosa do que algo científico. Isso afeta a universidade?
Acho que não, já que temos o apoio de instituições como a Nasa e o Google. Existe algum preconceito, mas só de pessoas que não entendem a nossa proposta. O termo singularidade, cunhado pelo cientista Vernor Vinge, fala de um futuro em que teremos os meios tecnológicos para construir uma superinteligência, um super-humano. O Ray Kurzweil levou isso para outro lado, dizendo que os seres humanos, usando a tecnologia, podem superar a própria biologia e tornarem-se imortais. São ideias que nos inspiram, mas são diferentes do nosso ideal enquanto instituição. Queremos realizar, inventar essas tecnologias que nos levarão para esse estágio, juntando áreas como nanotecnologia e biotecnologia.
E o que vocês já fizeram, por enquanto?
Só tivemos uma turma formada por enquanto, mas já tivemos alguns projetos interessantes. Um deles se chama Acasa, uma empresa que planeja construir uma impressora 3D gigante. Até aí, nada de novo. Só que o produto de sua impressão são casas. Inteiras. Você enche os cartuchos de cimento, areia. Aperte um botão e pronto, o aparelho produz uma moradia em três dimensões. Essa tecnologia já existe há algum tempo. mas agora está se tornando viável economicamente. Imagine o impacto de um produto assim em países como o Chile e Haiti, que precisam de soluções rápidas para uma reconstrução radical. Isso mudaria totalmente o campo da construção. Queremos construir coisas que causem justamente esse impacto.
E o que podemos esperar para os próximos anos?
Uma geração de líderes mais ligada nas soluções que as novas tecnologias trazem do que na política em si. O aquecimento global, por exemplo, continua sem solução por uma razão estritamente política, não técnica. Essa força renovadora deve vir de países como o Brasil e a Índia, ambiciosos, criativos e em desenvolvimento.
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Excelente, todavia, sob minha ótica, deveríamos enfocar sempre o TEMPO. Para equacionar e termos uma solução rápida teríamos que criar UNIVERSIDADES VIRTUAIS com tecnicidades para cadastramentos rápidos, aulas on line, exames e aprovações. Lembremos sempre que a nossa corrida é contra esse TEMPO.
Por Nery Torres
em 19-08-2010, às 21:23.