Educação Física, Esporte e Lazer
A idéia do MIMTREVISTA (sim, com M) está rodopiando nos meus projetos desde que li um artigo do nosso primeiro mestre da internet no Brasil, o Sergio Charlab, que era colunista do Jornal do Brasil e também da nova revista Internet World (em 1995). O que pegou foi um artigo incitando cada um a fazer o seu FAQ. Como tenho implicância quaresmática (Ixi!) com expressões estrangeiras fiquei procurando uma tradução para Frequent Asked Questions. Passamos a usar na internet o Perguntas & Respostas, e Perguntas Frequentes … mas não alcançava. O que podia alcançar mesmo era o MIMTREVISTA. Daí li o saboroso “Edney entrevista Interney” e fiquei convencido.
Como estamos na Internet, a MIMTREVISTA pode ser atualizada a qualquer momento. Basta constar a data da atualização. Sim, tenho pena da turma do tempo do Gutembergue, que tinha que escrever outro livro ou artigo quando mudava de idéia.
Vamos, pois.
Pergunta. Você é maranhense?
Laercio. Morei muitos anos e construí castelos no Maranhão, tenho filho nascido em São Luis e tudo, mas nasci em São Caetano do Sul. Tenho gen nordestino, do Rio Grande do Norte. Depois de muitas secas meu pai saiu do sertão, tomou “um Ita no Norte” e foi pra recém criada São Caetano do Sul, trabalhar como peão na General Motors. Depois mandou buscar minha mãe e uma fieira de tios e parentes.
P. Como você foi parar na Educação Física? Vc sempre pensou em ser professor de EF.
L. Virei um professor de Educação Física apaixonado, mas nunca tinha pensado que alguém poderia viver disso até encontrar, durante o Cursinho do Grêmio – pra sociologia -, com uma amiga, Janice, que me contou que existia o curso. Nem fui saber o resultado da sociologia. Me inscrevi, fiz o cursinho “teórico-prático” do CA Ruy Barbosa e fui cursar EF no Ibirapuera. Na lutas e passeatas dos meiaoito conseguimos, participando do movimento de criação da UNESP, fazer com que a EF fosse pra USP, por ser em São Paulo. As faculdades do interior foram pras UNESP.
P. O que influenciou nessa decisão brusca de mudar da sociologia pra EF?
L. Passei a infância jogando bola e sendo escoteiro no clube da GM. Tive um excelente Chefe no Grupo Escoteiro João Ramalho (Chefe José Gonçalves) e ótimos professores de Educação Física no Ginásio (Diogo, Valdebi Romani no Amaral Wagner, e no Senai (Renato, em Santo André onde fiz ajustagem mecânica e Muller – Tuta – no Senai do Brás, quando cursei ferramentaria).
P. Por que Vc mudou tanto, morou em tantos lugares?
L. Porque vim pra vida a passeio, não em viagem de negócios (como dizia o Carlito Maia). Também coleciono uma legião de amigos que é uma beleza em volta dessas 34 casas em que morei.
P. E o CEV, como foi isso?
L. Toda a minha vida profissional girou em torno de publicações, desde o Opinião, que a gente fazia em papel-jornal e tudo no CA Ruy Barbosa, numa gráfica inconsequentemente em frente ao DOPS. Tenho admiração pelas profissões de jornalistas, bibliotecários – sou um dos admiradores incondicionais de Jorge Luis Borges – e os que conseguiram chegar à condição de mestre ensinada pelo Octavio Paz “Os verdadeiros mestres são os que sabem fazer rir com seus pensamentos e pensar com as suas histórias engraçadas”. Do Barão de Itararé, passando pelo Millôr e chegando no Luis Fernando Veríssimo. O CEV foi um jeito de juntar tudo. Amigos, publicações, especialidades. Eu sempre tive a preocupação da informação técnica e científica da EF chegar até o professor de Barra do Corda, no sul do Maranhão. Também foi a maneira que eu encontrei para cumprir a vida com alguma utilidade. Não posso deixar de citar aquela ponta de egoísmo de professor: luto para melhorar o mundo e vou ser beneficiado com isso.
P. Gostaria de acrescentar mais alguma coisa.
L. Gostaria, mas vou esperar as atualizações e as provocações que, torço, aconteçam aqui no blog.
tem uma brinquedo “novo”: http://www.formspring.me/
basicamente, uma plataforma de entrevista. pergunta e resposta. fulano entra lá, pergunta, vc responde. isso é divulgado no seu twitter, facebook, etc.
vi teu MIMTREVISTA e pensei…
que tal ter isso mais estruturado, no CEV? e aberto? compondo seu perfil no CEV?
entro em http://cev.org.br/qq/laercio e vejo as perguntas e respostas já publicadas.
faço a(s) minha(s) pergunta(s). vc responde. e assim vamos…
que tal?
Por Alê M.
em 13-04-2010,
às 22:43.
E’ verdade que você participou dos Jogos Olimpicos de Munique ? Como foi isso ?
Por Alvaro Ribeiro
em 14-04-2010,
às 1:47.
Opa, Claudia, isso é um bom elogio. Vc sempre me dando força. Acho que essa rodação faz parte da minha irresponsabilidade. Mas eu podia achar que não tinha clone, mas, em todos os lugares vem alguém me cumprimentar errado, achando que eu sou outro baixinho, careca de barba :-(
Por Laércio Elias Pereira
em 14-04-2010,
às 9:56.
Opa, Alvarus, foi bom o treino de Vc deixar a bola pingando na área ;-) Minha geração saiu de mochila e, depois de formado, andei pela Espanha e França, fazendo curso de handebol com meus mestres. De carona fui até Munique e me matriculei para voluntário no Sporthalle, onde pela primeira vez na Olimpiada teve handebol de salão – antes foi ginástica, quando eu apareci na TV mundial. Eu fui o varredor de pozinho número 3 na barra fixa. Reencontrei meus mestres treinando as equipes que disputaram enquanto supervisionava as geladeiras de cocacola numa passadinha rápida à noite. O crachá de fiscal de geladeira me dava acesso a tudo antes do atentado. Quando eram os jornalistas paquistaneses que vinham no caminhão da madrugada eu ajudava a descarregar e a gente comemorava com algum uisque amigo esquecido nas geradeiras, pra espantar o frio e animar nossas conversas de reformar o mundo. Estive abaixo dos helicópteros e a gritaria dos BOPE alemães com os terrorista da Vila (era pertinho). Teve missa e tudo no dia seguinte. Só assustei no avião de volta. Depois de quatro horas de idas-vindas e revistas o avião conseguiu decolar. Abri o jornal e estava na manchete de primeira página:”Setembro Negro promete explodir um avião da Lufthansa”. Justo onde eu estava. Ainda bem que um amigo que trabalhava na companhia – descoberto no metro de Munique – tinha descolado uma conexão esticada, que me deu o direito de relaxar dois dias num hotelzin cheio de estrelas numa praia do Marrocos. Ajudou.
Por Laércio Elias Pereira
em 14-04-2010,
às 11:40.
Opa, Alexandre, eu tava pensando nisso, mas sem coragem de sugerir. Acho ótimo!
Por Laércio Elias Pereira
em 14-04-2010,
às 15:35.
Laércio: você foi a primeira pessoa que conheci torcendo para o São Caetano, ou o Saad. Você gosta de ser do contra?
Por João Freire
em 15-04-2010,
às 12:14.
Opa, Jão, a gente que é meio metido-a-besta sempre acha uma comparação disparatada pra fazer. Gosto do Carlos Drummond ter escrito que quando ele nasceu a mãe mandou ele “ser gauche na vida”. Acho que é uma vocação de surfe. O Surfo nas ondas pequenas ou contra todas as grandes ;-). Tem tambem a questão de companhia. Esse negócio de ser a favor de tudo acaba parecendo que o sujeito é do PMDB ou do DEMO. Já pensou?
Por Laércio Elias Pereira
em 15-04-2010,
às 14:18.
Laércio: você lembra do Volkswagen Clube? Lá a gente se conheceu e muita coisa começou por ali. Você, o Marcos, acho que o Lino, e vocês decidiram ir para o Maranhão. Fale um pouco sobre isso.
Por João Freire
em 16-04-2010,
às 10:57.
Opa, Jão, cometi um curso de Handebol no Maranhão (eu era técnico da GM, da seleção paulista estudantil – feminino, a maioria minhas atletas da GM). Pra ir dar o curso no começo de 1973 pedi pra um namorado de uma atleta manter os treinamentos da seleção na minha ausência (já que ele sempre ia aos treinos levar a noiva). No Maranhão, durante o curso, aproveitei pra dar treino pra seleção maranhense. O Claudio Vaz, que havia me convidado, esticou o convite pr’eu ajudar com as equipes do Maranhão nos JEBs. Eu disse que não podia, pois era técnico de São Paulo. Niqui cheguei em São Paulo esse noivo da atleta me explicou que o chefe (acho que era o Zaninetti) tinha dito que o técnico agora era ele, comunicando a minha dançada. Liguei pro Claudio dizendo que poderia ir pelo Maranhão e foi o que acontecewu. Isso foi em julho. Em setembro voltei para o Maranhão para arbitrar um conflito entre católicos e protestantes (os dois times de handebol do Dimas, Marista e Batista, tinham ido pra final e eu fui apitar). Nessa levei o Biguá (grande comunicar do rádio e TV, que até ganhou a cidadania maranhense, hoje diretor da Confederação Brasileira de Voleibol). O Biguá era atleta da GM. Em janeiro de 1974 mudei pro Maranhão e levei mais dois atletas, Horácio – hoje de volta a São Caetano depois de viver rodopiando por mais de 100 países – e o Vitché, o melhor atleta da GM, que hoje é professor da UFMA. Em 1974 ainda convidamos o prof Domingos Salgado pra montar o processo do curso na hoje UEMA (criado por lei em junho de 1974, mas que nunca decolou). Depois foi o Sidney Zimbres – até hoje lá – que foi quem convidou o Lino. Acho que quem puxou a fieira desse flanco foi o Marcão (ele trabalhava comigo no SESI de São Caetano), que foi em 75. Eu conheci o Lino no Maranhão. Acho que quem sabe melhor essas histórias é o o mano Leopoldo, incansável cevnauta, e que é membro do Instituto do Patrimônio Histórico do Maranhão, para o nosso orgulho, e andou escrevendo sobre isso. http://cev.org.br/comunidade/historia/debate/memoria-handebol-maranhao/
Por Laércio
em 18-04-2010,
às 16:50.
Logo logo vamos ter o MEntrevista no Quem é Quem do CEV. Acho que vai dar jogo… aguarde!
Por Alê M.
em 22-05-2010,
às 17:22.
Laercio vc foi um marco no esporte maranhense. O nosso handball foi exemplo em todo Brasil. Que DEUS continue te iluminando. Um grande abraço Gilson
Por Gilson Caldas
em 1-06-2010,
às 13:09.
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Como você consegue estar em tantos lugares diferentes, tanto presencial quanto virtualmente? Tem um clone, por acaso? []s
Por Cláudia Bergo
em 13-04-2010, às 20:06.