Educação Física, Esporte e Lazer
Andar de ônibus é comigo mesmo. Gosto do título que o Alfredo Faria Jr. me deu: o sujeito da Educação Física do Brasil que mais andou de ônibus. Dificilmente perderei a classificação, já que continuo no ramo. Desta vez foi o Campinas-São João Del Rey-Campinas, que saiu catando caipiras a partir de Sumpaulo (voltando, pois), num inacreditável ônibus Viação Gardênia de janelas pintadas, que, atravessando o belo sudeste de Minas Gerais e conferindo as lombadas de todas as cidadezinhas fundadas desde o ciclo do ouro, durante um dia frio e ensolarado, proporcionou aos passageiros a sensação de passar 11 horas viajando num camburão. Depois conto sobre as aventuras na EF-UFSJdelRey.
Já encarei mais de dez vezes o São Luís-SãoPaulo, viagem de duração democrática entre 48 e 60 horas, dependendo das enchentes do Tocantins ou da barreira de garimpeiros que fechavam a Belém Brasília e obrigavam o ônibus a virar no rumo do Oceano Atlântico, atravessando a Bahia, Pernambuco e Piauí pra chegar no Maranhão.
Teve também a subida dos Andes pelos Caracoles num micro-ônibus, vindo de um terremoto no Chile. Inesquecível a carona nos ônibus da excursão do Grupo de Danças Mexicanas do professor Vidales, saindo de Madri na direção de Munique no longínquo 1972, e rodopiando entre a Espanha e França enquanto eu aprendia a sapatear a “danza del conejo”, e dançar um pouco o que me parecia uma espécie de quadrilha (eu sabia até a metade; o resto a turma me empurrava).
Clássicos têm sido os caminhos da roça: Belzonte-Campinas durante do doutorado e, depois, Floripa-Sumpaulo, quando trabalhei na FMU, Floripa-Muzambinho e Floripa-Faculdade da Serra Gaúcha em Caxias do Sul.
Das viagens esporádicos e curiosas, lembro de um assaltante jogando as malas pelas janelas do ônibus noturno no trajeto entre Rio-Belzonte na Baixada Fluminense (viagem para o lançamento do Atlas; era um ônibus clandestino – bicheiríssima! – no sufoco do natal, e choveu no meu exemplar autografado pelo Lamartine. Ah! Uma paranóia geral e quase-linchamento na madrugada de uma travessia entre João Pessoa e Fortaleza. Quando registrar vou dar o título de “próduto américano”.
O susto mais recente e perigoso foi acordar com o barulho de estilhaços do pára-brisas do ônibus, com pedradas na Fernão Dias (perto de Itapeva-SP), vindo de um encontro de trabalho com os amigos de Montes Claros (Unimontes e Funorte), na tentativa de assalto ao ônibus que devia ser tombado na curva do fim da descida. O motorista conseguiu chegar ao posto rodoviário, dirigindo no escuro e sem visibilidade. Se não tivesse conseguido talvez essa história não estivesse aqui.
Quando juntar competência conto mais detalhes. História de andar de ônibus é comigo mesmo.
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Agora estou curioso para ler sobre as aventuras de Laercio em SJDR/MG!
Por Gabriel Vargas
em 7-07-2010, às 16:13.