Ler para aprender a escrever - Blog do Laércio (cev)

Blog do Laércio


Educação Física, Esporte e Lazer


Ler para aprender a escrever

Nunca aprendi a escrever. Mas tento. Sempre gostei e lembro de ter sido incentivado pelo meu professor de português do SENAI – a gente gostava muito do professor e o chamava de Janjão; hoje vejo que foi mal. No curso técnico o empurrão foi o Professor Esaú Cobra Ribeiro, irmão do Nuno, cumpanhero no mestrado.

Como eram aqueles tempos me encantei com Dois Perdidos numa Noite Suja,  com os jovens Plinio Marcos e Luis Gustavo, assistida no Teatro de Arena. Depois vi “As Aventuras de Bonifácio”  com o Ricardo Bandeira, e comecei a mergulhar no teatro. Do Ricardo Bandeira ficou a minha tentativa frustrada de um dia ajudar a aproximar a mímica da Educação Física. Não consegui, mas até hoje curto os vídeos e escritos do Macel Marceau. Ainda vou conseguir traduzir e publicar a entrevista que ele deu para a Revue  EPS.

Era sobre isso que eu queria escrever, essa vagamundagem. Pra escolher um vídeo e linkar no Marcel Marceau passeei quarenta minutos.

Li muito sobre aprender a escrever, decorei regrinhas de gramática… e nada. Não tive disciplina ou competência. Foi bom que encontrei belíssimos livros sobre o assunto pelo caminho.  Ao lado do Manual da Falta de Estilo, gosto e dou de presente o Xântias, diálogos sobre a criação dramática. Releio especialmente o Capítulo “Ler”, dos diálogos. Catilografo uma parte do começo e o emocionante fim do capítulo:

Terceiro Diálogo: LER

… Xântias: – Então, qual a técnica de apreender a escrever?

Dionísio: – Ler

… Xântias: – Mas se assisto à peça, em vez de lê-la, não aprendo?

… Dionísio: – … E aqui está onde queria chegar, Xântias. Se a leitura não lhe prestar para ser um escritor, se você for visceralmente incapaz de escrever para o teatro,  se hoje ela lhe trouxer apenas o encanto de conhecer e emocionar-se, sem nem ao menos servir para galgar postos e vencer na vida pública invadida pelos iletrados, ainda assim lhe proporcionará a mais grata das dádivas: o conteúdo da sua velhice. Ler, ouvir música, olhar estampas, entender o semelhante, perdoar-lhe e amá-lo serão suas únicas atividades quando a sua carne já for fraca demais para ter fraquezas, o seu artritismo não suportar as viagens, os seus dentes, rins e o fígado não amaciarem as viandas, os molhos e os vinhos, sua testa não resistir ao sol, seu coração às alturas, o seu ouvido tiver horror ao ruído e trivialidades das novas gerações. Ai você estará requintado o bastante para saborear a solidão e o silêncio, com o que eles oferecem de mais puro. Terá chegado a hora de reler. Passar a limpo a saudade. Reviver a vida. Até fechar os olhos no meio de um período, sem lastimar o autor que você não foi, mas sentido, na frase interminada, o último eco de sua voz à cabeceira de sua solidão.

Como podem ter interessado a alguém, fiz os links dos livros direto para os preços baratinhos e raridades da Estante Virtual.

Laércio

Por Laércio Elias Pereira
em 4-03-2011, às 21:14

2 comentários. Deixe o seu.

Categorias:
Sem categoria.




Comentários

Gostei muito do texto, posso divulgar no Colégio onde trabalho?
Abraço
Professora Wanuza.

Por Wanuza Martins
em 5-03-2011, às 0:40.


Profa Wanuza, fico muito agradecido com o fato da Sra ter gostado, e mais ainda pela intenção de espalhar. Fique à vontade. Laercio

Por Laércio Elias Pereira
em 5-03-2011, às 10:30.


Deixe o seu comentário

(não será publicado)

(não será publicado)




© 1996-2012 Centro Esportivo Virtual - CEV.
O material veiculado neste site poderá ser livremente distribuído para fins não comerciais, segundo os termos da licença da Creative Commons.