Educação Física, Esporte e Lazer
19.06.2011 | 1 Comentário.
A globalização é um perigo. Por acaso estou em Lagos, que o mapa indica pertencer ao litoral sul de Portugal. Céu azul, sol das 6 às 21 horas, incontáveis condomínios com casas e apartamentos luxuosos e campos de golfe, carrões e idosos endinheirados: ingleses, alemães, árabes, franceses, espanhois… nos indispensáveis serviços subalternos nativos e brasucas. As marinas de Lagos, Portimão e Faro recebem grandes iates, lanchas e veleiros. Caravelas nem pensar.
Quando a tal globalização chegar ao Brasil o prudente é todos ficarmos com as costas(?) protegidas contra a parede.
23.04.2011 | 1 Comentário.
Tocava o sinal e o meu professor de matemática escrevia CQD no fim do teorema que ele tinha escrito na lousa durante a aula toda. Olhava pra traz e ria triunfante. Na época eu imaginava que era pelo triunfo sobre o problema. Quando virei professor da rede estadual e conheci os professores de sala de aula mudei de opinião. Era a comemoração pelo fim da aula.
Passei maus bocados tentando decorar fórmulas de matemática no ginásio e no SENAI.
Sempre me dei mal e passei raspando. Cheguei a ter uma reprovação. O livro de Matemática Moderna era simpático. Colorido, boa diagramação. O autor era o Osvaldo Sangiorgi.
Muiiiiiitos anos depois, quanto precisei escolher as disciplinas do doutorado em Ciência da Informação na ECA-USP – em que fui ultrapassado pelo prazo e só consegui matar o título na FEF Unicamp com o CEV, mas essa é outra história. Voltando para a lista de disciplinas da ECA: uma me chamou a atenção: cibernética pedagógica. Nome esquisito e provocante. Mais ainda o professor: Osvaldo Sangiorgi. Devia ser filho do autor do livro. Não era. Era o próprio. Um senhor alegre, jeito italiano, sotaque italiano da Mooca.
Logo na primeira aula lembrei das minhas decorebas inúteis. A matemática é uma linguagem, ele ensinou. Deu um exemplo. Tinha estrangeiros na classe e ele pediu pra cada estudante contar um trecho de uma história maluca. Começou com um gato que estava no telhado e acabou num parafuso enferrujado. Como o professor do ginásio, ele encheu a lousa de símbolos matemáticos e, no fim, recontou com precisão a história maluca. Fiquei sabendo um pouco tarde que a matemática é uma linguagem. Teria gostado mais de estudar no ginásio. Na época eu não sabia que não era pra decorar.
30.03.2011 | Comente.
Tem coisa que funciona.
Na periferia da recém fundada São Caetano dos anos cinquenta tinha muito cachorro na rua. A população era formada por muitos imigrantes e alguns migrantes, como meus pais, que tinham vindo do sertão do Rio Grande do Norte.
A turma jogava bola, fazia incursões na serraria e às vezes ia nadar escondido no laguinho da Laminação. Foi um dia marcante quando chegou o Sideval. Ele vinha do interior de São Paulo. Tinha morado em Monte Alto e Taquaritinga (a gente pronunciava respeitando o original: montiarrto e taquarrrrtchinga, desconsiderando a correção dos nossos pais).
Pra molecada urbana da Vila Barcelona era fascinante escutar as histórias de roça e dos perigos da selva do Sideval. A gente não sabia a diferença entre roça e selva. Era tudo mistério e perigo.
Sideval contou que o grande perigo era mesmo boi brabo no pasto que ele sempre precisava atravessar. Como ele conseguia? Tinha uma reza que era tiro e queda:
São Bento da água benta
São Benedito do artá
Boi brabo abaixa a cabeça
Pra deixá nóis passá
Parecia muito boa mesmo. Numa das rodas de conversa das tardes alguém sugeriu que a reza poderia ser boa contra cachorro também. Todos concordaram e passamos a usar a reza pra cachorro com sucesso quase absoluto, pelo que tivemos notícia.
Até hoje, depois de várias décadas, quando tenho que passar por algum cachorro pelas noites de Muzambinho, a reza vem automática, respeitando a pronúncia original:
São Bento da água benta
São Benedito do artá
Cachorro brabo abaixa a cabeça
Pra deixá nóis passá
Tem coisa que funciona.
11.03.2011 | 1 Comentário.
“Não era fácil ser goleiro no Brasil, nos anos 60. .. a qualquer momento da carreira… teria que encarar a genialidade do Pelé.”
Esta é uma das lições que o Prof Manuel Sérgio preparou no livro Filosofia do Futebol e me mandou de presente no natal de 2009. Sim, é esnobação. Sempre que aparece oportunidade eu viro um sujeito mais chato do que aqueles clássicos que a gente cumprimenta com um “Como vai” e eles explicam. Falando ou escrevendo sobre o Manuel Sérgio gosto de ostentar que fui o primeirão a escrever pra ele, numa das vezes em que morei no Maranhão, no começo da década de oitenta. Depois puxei a turma que entendia melhor do assunto: Maria Izabel, Jão , Medina e Lino, e o resto foi história.
Ele veio para o Brasil em seguida, para o Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte em 1983, com uma passagem comprada pelo esforço da turma (não pedíamos nem aceitávamos ajuda duguverno para o CBCE nessa época bicuda).
Depois disso o O Manuel Sérgio veio várias vezes para o Brasil, e tivemos a feliz coincidência de trabalhamos todos na FEF-Unicamp por um período, tendo o Mestre como professor visitante.
No último parágrafo do livro o Professor fala sobre essa época e faz uma menção ao nosso time de futebol de salão, citando só os jogadores de linha João e Lino.
“Não era fácil ser goleiro de futebol de salão na Unicamp nos anos 80… a qualquer momento a gente tinha que encarar a distração do Manuel Sérgio na arquibancada”
10.03.2011 | 2 Comentários.
Eu ia começar dizendo que por jeito ou preguiça gosto de concisão. Textos e contos curtos. Ia citar o livro(inho) campeão de audiência pra mim: Minhas Universidades, do Gorky, o Máximo. Mas estou engalfinhado com o livro(ão) de memórias do Gabriel Garcia Marques, Viver para Contar , que quase emparelhou em encantamento com o Solo de Clarineta 1, do Érico Veríssimo.
Era aqui que eu queria começar a chegar: encantamento e Veríssimo. Encantamento é a qualidade fundamental de um texto para o leitor, como ensinou Borges. Encantamento com humor é melhor ainda. Por isso meus autores preferidos, além dos citados no parágrafo anterior, são: Barão de Itararé, Bernard Shaw – pra bancar o esnobe – Millôr, Chico Anísio, Sérgio Porto, e o Luis Fernando Veríssimo.
Estou quase chegando. Ia falar sobre o Luis Fernando Veríssimo. Como é que ele consegue encantar e desequilibrar a gente logo na primeira frase e levar até o fim do texto? A melhor definição que eu tinha pra esse prazer da leitura era a do meu amigo Collela, que gostava de dirigir nas estradas barrentas e lisas dos dias chuvosos do norte do Paraná de antigamente: “A gente acelera e vai consertando”. Com mais uma leitura do Xântias (que comecei a copiar na nota anterior) encontrei uma explicação no livro-aula do Guilherme Fiqueiredo:
…Dionísio … O espectador é um esperançoso. Ele quer ser conduzido, da expectativa e da esperança inicial, a uma série de emoções, que cresçam até o desfecho. Por conseguinte, o que você vai lhe contar deve conter um elemento muitas vezes decisivo do êxito: a surpresa. Ele espera ser surpreendido… Repito: surpreender não é contar o inédito, é contar de modo inédito. E fazer ver e ouvir pela primeira vez o que já se viu e ouviu várias vezes… Quando tiver de apresentar um incidente, uma fala, examine-os antes: veja qual o ângulo mais evidente de mostra-los, e elimine-o. .. Pois bem: divirta-se com ele [o espectador]: mostre que não era assim …
Se o Guilherme Figueiredo tivesse escrito o Xântias quarenta anos mais tarde teria usado o Luis Fernando Veríssimo como exemplo. Para comprovar que ele consegue isso em vários tipos de texto basta ler o livro (pequeno e fininho) O Gigolô das Palavras, uma seleção feita pela professora Maria da Glória Bordini.
………………
Cometi essa nota com muitos apontadores para os livros no sebo porque alguns estudantes (provavelmente mais do que um nos últimos 40 anos) me pediram sugestões de leitura, ou perguntaram o que eu andava lendo. Eu devia esse texto, pois. Mais uma boa do Borges: A gente escreve pra se livrar.
4.03.2011 | 2 Comentários.
Nunca aprendi a escrever. Mas tento. Sempre gostei e lembro de ter sido incentivado pelo meu professor de português do SENAI – a gente gostava muito do professor e o chamava de Janjão; hoje vejo que foi mal. No curso técnico o empurrão foi o Professor Esaú Cobra Ribeiro, irmão do Nuno, cumpanhero no mestrado.
Como eram aqueles tempos me encantei com Dois Perdidos numa Noite Suja, com os jovens Plinio Marcos e Luis Gustavo, assistida no Teatro de Arena. Depois vi “As Aventuras de Bonifácio” com o Ricardo Bandeira, e comecei a mergulhar no teatro. Do Ricardo Bandeira ficou a minha tentativa frustrada de um dia ajudar a aproximar a mímica da Educação Física. Não consegui, mas até hoje curto os vídeos e escritos do Macel Marceau. Ainda vou conseguir traduzir e publicar a entrevista que ele deu para a Revue EPS.
Era sobre isso que eu queria escrever, essa vagamundagem. Pra escolher um vídeo e linkar no Marcel Marceau passeei quarenta minutos.
Li muito sobre aprender a escrever, decorei regrinhas de gramática… e nada. Não tive disciplina ou competência. Foi bom que encontrei belíssimos livros sobre o assunto pelo caminho. Ao lado do Manual da Falta de Estilo, gosto e dou de presente o Xântias, diálogos sobre a criação dramática. Releio especialmente o Capítulo “Ler”, dos diálogos. Catilografo uma parte do começo e o emocionante fim do capítulo:
Terceiro Diálogo: LER
… Xântias: – Então, qual a técnica de apreender a escrever?
Dionísio: – Ler
… Xântias: – Mas se assisto à peça, em vez de lê-la, não aprendo?
… Dionísio: – … E aqui está onde queria chegar, Xântias. Se a leitura não lhe prestar para ser um escritor, se você for visceralmente incapaz de escrever para o teatro, se hoje ela lhe trouxer apenas o encanto de conhecer e emocionar-se, sem nem ao menos servir para galgar postos e vencer na vida pública invadida pelos iletrados, ainda assim lhe proporcionará a mais grata das dádivas: o conteúdo da sua velhice. Ler, ouvir música, olhar estampas, entender o semelhante, perdoar-lhe e amá-lo serão suas únicas atividades quando a sua carne já for fraca demais para ter fraquezas, o seu artritismo não suportar as viagens, os seus dentes, rins e o fígado não amaciarem as viandas, os molhos e os vinhos, sua testa não resistir ao sol, seu coração às alturas, o seu ouvido tiver horror ao ruído e trivialidades das novas gerações. Ai você estará requintado o bastante para saborear a solidão e o silêncio, com o que eles oferecem de mais puro. Terá chegado a hora de reler. Passar a limpo a saudade. Reviver a vida. Até fechar os olhos no meio de um período, sem lastimar o autor que você não foi, mas sentido, na frase interminada, o último eco de sua voz à cabeceira de sua solidão.
Como podem ter interessado a alguém, fiz os links dos livros direto para os preços baratinhos e raridades da Estante Virtual.
Laércio
12.02.2011 | 3 Comentários.
Não posso ver trabalho digrátis e conversa sobre capoeira que eu entro. Quanto a trabalhar digrátis, o Georgios, diagnosticou que é por que eu tenho medo de ganhar dinheiro. Nada que um bom psiquiatra não possa cobrar. Na capoeira, é pra poder contar que fui discípulo do Mestre Paulo Gomes e fui batizado por Mestre Caiçara, além de ter sido amigo do Mestre Sapo no Maranhão. Se derem chance eu conto também que participava do grupo de capoeira da Escola de Educação Física da USP em 1969. Fazíamos apresentações e o professor era o Lorival Pariz (aqui contracenando do Dina Sfat e Fernanda Torres , que já tinha vivido no Amapá, foi destaque no teatro em Salvador, quando lutou contra Antonio das Mortes no filme O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro do Glauber Rocha, e se aposentou como ator de teatro e televisão São Paulo.
Tudo isso pra dizer que me intrometi numa entrevista que o nosso administrador da lista cevcapoeira Falcão , fez com o Prof Lamartine Pereira da Costa , no fim de semana passado em Salvador, na reunião de trabalho que fizemos na UFBA sobre o Diagnóstico Nacional do Esportes (conto isso em outra nota, quando conseguir escrever).
Um bom momento da entrevista foi a pergunta do Falcão sobre o livro Capoeira Sem Mestre escrito em 1961: “Por que Capoeira sem Mestre?” Percebi que o tom da pergunta era de cobrança. Eu sabia a resposta: porque a coleção de livros populares das Edições de Ouro chamava “sem mestre”. Violão sem mestre, gaita sem mestre, capoeira sem mestre…
Com essa pergunta fiquei imaginando a bronca dos mestres com o livro nos últimos 50 anos. Falei das edições sem-mestre e o Lamartine concordou.
Teve mais: Lamartine contou que, quando saiu o livro recebeu em casa o Annibal Burlamaqui autor de A Ginástica Nacional (capoeiragem Metodizada e Regrada) Tinha ido tirar satisfação sobre o possível plágio do livro que ele tinha escrito em 1928. Lamartine explicou que não conhecia o livro, tinha visto uma página que saiu no jornal e todo mundo copiou. Começaram uma longa conversa que durou anos, como bons amigos.
É hora de comemorar os 50 anos do “Capoeira sem Mestre”.
25.01.2011 | Comente.
Até o pessoal que chegou ao planeta depois da segunda guerra mundial, quando nasceram os meiaoito, as gerações eram medidas de 25 em 25 anos. Agora é de dez em dez. Estamos na geração Z, com características de vida bem diferentes, como podemos constatar em nossos alunos, filhos e netos. Acho que para a Educação Física a situação é grave. Fomos todos formados com os ideais dos currículos de antigamente (da Escola Nacional de Educação Física e da hoje USP). Pouco verniz em cima disso nos mais de seiscentos cursos do Brasil.. Vamos utilizar a matéria da Globo News Diferença de valores e culturas entre as gerações pra discutir isso com cumpanhêros e estudantes?
15.10.2010 | 2 Comentários.
Uma vez escoteiro, sempre escoteiro. É difícil dizer ou escrever “fui escoteiro”. Tenho conversado sobre a importância de ter freqüentado um grupo escoteiro com a Marô e o Litto . A Marô aprendeu sobre a natureza. Está morando há 27 anos nos Estados Unidos e veio passar o fim de ano com a família e cuidar de macacos doentes numa ONG do interior de São Paulo. O Litto gosta de ter aprendido pertencimento e cooperação. Lembra sempre de como era bom marchar na curva, com o alinhamento certinho feito por todos.
Pra mim foi mais.
Eu dividia, naquele trecho da Rua Alegre, em São Caetano, uma respeitada importância com meu amigo Luís. Nós dois tínhamos encarado 4 pontos. Ele na orelha, numa das nossas incursões pela serraria da rua de cima, e eu por imprudência nos balanços do Clube da GM, onde entramos juntos como lobinhos aos 6 anos. Fomos recebidos e guiados muitos anos pelo Chefe Gonçalves. Ele também era técnico de futebol do mirim da GM, que era formado pelos lobinhos. Comecei na linha e o Luís no gol. Logo trocamos de posição. O Chefe Gonçalves costumava colocar apelidos quando tinha gente de nome repetido no grupo ou no time. O Luís duplicado ficou Luís Chevrolet. Mais tarde implicariam que o nome parecia propaganda, e ele fez uma vitoriosa carreira como Luís Pereira. Eu, menos hábil, fui jogando nos times amadores e depois virei professor de Educação Física, um pouco como naquela família em que o sujeito, sem os atributos físicos para contentar os pais que queriam vê-lo como levantador de pesos, acabou sendo operador de guindaste.
Fiz uma boa carreira no Grupo Escoteiro João Ramalho. Fui líder da matilha verde e lobinho-mor da Alcatéia Bartira. Depois fui chefe da patrulha lobo, já como escoteiro. Lembro do acompanhamento atento do Chefe Gonçalves, que certamente não conhecia o Lauro de Oliveira Lima, mas já tinha o mote: “Professor não ensina, ajuda o estudante a aprender”. Lembro de nunca ter me vangloriado ou ostentado os cargos. Mais tarde aprenderia com a minha amiga Beta, antropóloga, companheira de fundação da associação dos professores da UFMA (APRUMA), que entre os Guajajaras o chefe não era quem mandava; era quem fazia primeiro. Deixei o João Ramalho aos 13 anos, saindo pra assinar carteira de trabalho na GM como aprendiz de ajustador mecânico, orientado e incentivado pelo Chefe Gonçalves que, tenho certeza, interferiu preu não enroscar na matemática encardida das provas de seleção.
Não nos encontramos mais desde então. Soube que ele foi padrinho de casamento do Luís, e tinha ficado chateado de não ir no meu (ele não conseguiria, foram muitos casamentos). Mas, professor é pra sempre. Eu disse que não ostentava as chefias, mas não posso dizer a mesma coisa do distintivo de teatro, que o Chefe Gonçalves me deu mesmo contra as regras. Era de cor caqui, de escoteiro, sobre o uniforme azul de lobinho.
A honraria foi por causa da uma apresentação num fogo de conselho de aniversario do João Ramalho, com muita gente de outros grupos. Apresentamos a peça O Lobo e o Cachorro. Como faria com algumas peças (inesquecível Arena Conta Zumbi) e filmes mais tarde, eu tinha toda a peça decorada. Fiz a minha parte do lobo, e ponto pro Wilson, que fez o cachorro. O dialogo final era assim:
- Deve mesmo ser delicioso viver de barriga cheia não é cachorro? Mas o que é que você tem aí no seu pescoço? Tá meio ralado..
- Isso não é nada, lobo. Isso é da coleira…
- Amarrado numa corrente? Preso? Não, meu amigo, não. A minha liberdade vale muito mais do que a comida dos seus patrões! Adeus, compadre cachorro. Adeus.
Além de gostar de natureza, ainda saber fazer alguns nós úteis e ter aprendido cedo o valor de saber fazer comida, até hoje ainda imagino os dois nós que tenho que desamarrar do lenço com as minhas duas boas ações do dia. Às vezes desato os nós procurando informações boas, respondendo mensagens ou digitando textos para o CEV. Uma vez escoteiro, sempre escoteiro. Obrigado, Chefe Gonçalves.
4.10.2010 | Comente.
Entre os caminhantes da beira-mar hoje (pego cedo na ciclovia: cinco e meia) o mais sorridente era o Dr. Mendes de Barros. Até passei duas vezes por ele pra comprovar.
Figuraça de Alagoas, advogado famoso, criador do PT em Alagoas, que depois não o aceitou como membro por ser “almofadinha”(como se dizia na época), também estava no avião que ia para o Rio Grande do Sul dar apoio ao Governador Leonel Brizola na resistência ao golpe de 64, quando o avião ficou retido no Rio, dizque por ordem do Carlos Lacerda.
Ele também foi diretor do CRB, tendo assumido como técnico na vacância do profissional por falta de recursos do clube. Nessa circunstância travou diálogo célebre com o concorrente Mario Travagnili, que vinha como treinador do Fluminense e tinha Rivelino (p. 183).
O reporter:
- Dr Mendes, o senhor vai mandar marcar o Rivelino?
- Qual é o nome do senhor? (era o Mario Travaglini). O senhor deu alguma orientação especial ao Rivelino?
- Não senhor, respondeu o técnico do Fluminense.
- Eu também não vou dar nenhuma orientação, não quero vantagem desse povo.
Atualmente, aos 75, Dr. Mendes tem dado força às nossas reuniões da SBPC pelo interior, onde sempre sobra um tempinho pra cachacinha e a boa conversa.
Dr. Mendes de Barros ficou conhecido como o maior marajá do Brasil no tempo da campanha do Collor para presidente. Ele contou que o assunto apagou quando descobriram em São Paulo tinha salários 8 vezes maior do que o seu.
Já teve grandes refregas com Fernando Collor. Ano passado declarou ao jornal O Estado de São Paulo. “Collor me levou com ele para o palco nacional. Ele saiu daquele jeito, enxovalhado pela mídia como ladrão – aliás, a mesma mídia que o consagrara como salvador da pátria. Eu ganhei a guerra, recebi os atrasados e me aposentei como marajá.”
O sorriso de hoje certamente tem o sabor da derrota de Collor para o governo do Estado na eleição de ontem.
Escrevo tudo isso porque demorei pra anunciar o livro “A vez da caça. O marajá mais famoso do Brasil desvenda a sua vida, Maceió, 2009) que o jornalista Joaldo Cavalcanti escreveu sobre ele.
Faltava eu confirmar se não era com “i” a palavra de uma das histórias. Ele confirmou que era. Assim, encerro o dia feliz com um trecho do livro devidamente corrigido.
Era uma disputa de campanha na televisão:
” No tiroteio das mensagens pela TV, apareceu certa ocasião um cidadão vestido de branco, cheio de brincos, pulseiras e a ainda cabelo grande. A tomada cinematográfica começava do pé e terminava na cabeça, onde o locutor apresentava ao telespectador o personagem: “Este é o marajá”
Mendes foi à forra no dia seguinte: vestiu-se de branco como o marajá, e filmou do mesmo jeito, a partir dos pés.
- Quando a câmara chegou na minha cabeça, eu devolvi: o marajá sou eu, o outro é viado”
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