As Ciências do Esporte e a Atividade Física pelo Mundo
18.01.2012 | Comente.
Prezados amigos
Não poderia abrir o ano com maior alegria. Quero compartilhar com voces meu paper que acaba de ser publicado na no International Journal of Health and PLace, em iniciativa da reputadissima Robert Wood Johnsson Foudation, sob coordenação do nosso amigo Jimmy Sallis.
Obrigado a todos que me ajudaram no Agita Victor
Article title: THE ROLE OF PARTNERSHIPS IN PROMOTING PHYSICAL ACTIVITY: THE EXPERIENCE OF AGITA SÃO PAULO Reference: JHAP1095
Journal title: Health and Place
We are pleased to inform you that a PDF file of your published article THE ROLE OF PARTNERSHIPS IN PROMOTING PHYSICAL ACTIVITY: THE EXPERIENCE OF AGITA SÃO PAULO
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22.12.2011 | Comente.
Descartes, Discurso do Método
René Descartes, Discurso do Método, Porto Alegre, L & PM, 2010
Publicado originalmente em 1637
Introdução de Denis L. Rosenfield
Nasceu em La Haye, França, em 31 de março de 1596 e morreu em Estocolmo em 1650. Com onze anos foi enviado para o colégio jesuíta de La Flêche, um dos melhores de França, de onde saiu em 1615 para conhecer o mundo, pois este não ensinava propriamente a verdade das coisas, mas se contentava com a repetição dos ensinamentos dos antigos. Foi no intervalo de umas guerras que nosso filosofo teve uma iluminação que o levou a escrever esta obra mestra do pensamento, o Discurso do Método, redigido em língua vulgar, o francês.
Pg 11: Em 1637, publica o Discurso do Método, escrita em língua vulgar, o francês. Naquela época, as obras literárias eram escritas em latim e estavam voltadas para um público douto, constituído por circulo exclusivo de iniciados às questões propriamente filosóficas.
E como se tratava de um “discurso do método”, a sua preocupação central residia no como conhecemos, no como podermos ter acesso a idéias verdadeiras que fossem imune ao erro, quando perseguido seguindo um procedimento metódico, sistemático.
Pg 12: Moderno, ele defendia a idéia da vida humana, numa atividade livertadora, pois voltada contra as mais diversas formas de dogmatismo.
Pg 21: Regras do Método: A primeira estipula não aceitar nada como verdadeiro sem antes ter passado pelo crivo da razão. Segunda: tudo o que aparece como complexo deve ser dividido em tantas partes simples quanto possíveis, pois a razão, ao focar um problema, tem mais condições de resolve-lo do que se encarar algo composto de várias maneiras. Terceira: uma vez feito esse processo de simplificação, ele deve seguir um ordenamento, de modo que a remontagem para o composto ou complexo possa ser feita sem desvios, que prejudicariam a verdade almejada. Quarta: como esse procedimento pode ser retomado e repetido por qualquer um, ele deve dar lugar a tantas revisões quanto necessárias. de modo que as objeções e contribuições de todos possam ser levadas em consideração.
Pg 27: O atributo essencial da razão ou da alma é o ato mesmo de pensar, o que Descartes denomina de substancia da alma, que não depende de qualquer coisa material. Eis porque ele dirá que o conhecimento da alma é mais fácil do que o conhecimento do corpo, pois na metafísica, a razão se depara apensa consigo mesma, sem intermediários ou mediações.
Primeira Parte:
Pg 37: O bom senso é a coisa do mundo partilhada: pois cada um pensa estar tão bem provido dele, que mesmo os mais difíceis de contentar em qualquer outra coisa não costuma desejar tê-lo mais do que o têm.
Pg 42: Eu estimava muito a eloqüência e era apaixonado pela poesia; mas achava que ambas eram dons do espírito, mais do que frutos de estudos.
Pg 45: Pois parecia-me que eu poderia encontrar muito mais verdade nos raciocínios que cada um faz sobre os assuntos que lhe importam, e cujo resultado, se julgou mal, irá puni-lo em seguida, do que naqueles feitos pelo homem de letras em seu gabinete, sobre especulações que não produzem qualquer efeito e não tem outra conseqüência, a não ser, talvez que lhe proporcionarão tanto mais vaidade quanto mais afastadas estiverem do senso comum, pelo tanto de espírito e de artifício que precisou empregar para torná-las verossímeis.
Pg 57: mas o que mais me contentava nesse método é que por ele eu tinha certeza de usar em toda minha razão, se não perfeitamente, ao menos da melhor maneira possível.
Pg 59: Quatro máximas: a primeira era obedecer as regras e aos costumes do meu país; minha segunda máxima era ser o mais firme e resoluto em minhas ações quanto pudesse; minha terceira máxima era procurar sempre vencer antes a mim mesmo do que a fortuna,
Pg 65: E nos nove anos seguintes não fiz outra coisa senão percorrer o mundo de lá para cá, procurando ser mais expectador dom que ator nas comédias que nele se representam e , refletindo particularmente, em cada matéria, sobre o que a pudesse tornar suspeita e nos levar a um engano, erradiquei de meu espírito todos os erros que nele haviam se introduzido anteriormente.
Pg 70: Mas logo notei que, quando quis assim pensar que tudo erqa falso, era preciso necessariamente que eu, que o pensava, fosse alguma coisa. E observando que esta verdade, penso, logo existo, era tão forte e tão segura que as mais extravagantes suposições dos céticos eram incapazes de a abalar, julguei que podia admiti-la sem escrúpulo como o primeiro princípio da filosofia que eu buscava.
De modo que esse eu, isto é, a alma pela qual sou o que sou, é inteiramente distinta do corpo, sendo inclusive mais fácil de conhecer do que ele, e, ainda que ele não existisse, ela não deixaria de ser tudo o que é.
Pg 71:Por exemplo, eu via claramente que, ao supor um triângulo, era preciso que seus três ângulos fossem iguais a dois retos, mas nada que assegurava que houvesse no mundo algum triângulo.
Pg 76: E é evidente que não é menos repugnante admitir que a falsidade ou a imperfeição procedem de Deus do que admitir que a verdade ou a perfeição procedem do nada.
Pg 77: Pois, enfim, quer estejamos despertos ou adormecidos, não devemos nunca nos deixar persuadir senão pela evidência de nossa razão.
Pg 98: Embora haja vários animais que mostrem mais engenho do que nós em algumas de suas ações, vermos no entanto que eles não demonstram o mesmo em uitas outras de modo que o que eles fazem melhor que nós não prova que tenham espírito, pois, se o tivessem, o teriam mais que qualquer um de nós e agiriam melhor em tudo; mas eles não têm nenhum…
Pg 102: É verdade que aquela (medicina) agora em uso contém pouca coisa cuja utilidade seja tão notável; mas,, sem ter o intuito de desprezá-la, estou certo de não haver ninguém, mesmo entre os que fazem dela profissão, que não admita que tudo o que sabemos é quase nada, comparado ao que resta por saber e que poderíamos nos livrar de uma infinidade de doenças , tanto do corpo quanto do espírito, e talvez até do enfraquecimento da velhice, se tivéssemos o conhecimento de suas causa e de todos os remédios que a natureza nos proporcionou.
Pg 103: …com as experiências que seriam preciso fazer, e comunicando também ao público tudo que apreendessem, a gim de que, começando os últimos onde os precedentes haviam terminado e juntando assim as vidas e os trabalhos de muitos, fossemos todos juntos bem mais longe do que cada um em particular poderia ir.
Pg 106: Assim, de fato, insisto que saibam que o pouco que aprendi até agora é quase nada, comparado ao que ignoro, e que não desespero de poder aprender, pois aos que descobrem aos poucos a verdade nas ciências sucede quase o mesmo que àqueles que, começando a enriquecer, têm menos dificuldade de fazer grandes aquisições do que o tiveram antes, quando mais pobres, em relação a outras bem menores.
Pg 108: De modo que nunca deparei com um censor de minhas opiniões que não me parecesse ou menos rigoroso ou menos justo que eu mesmo.
Pg 109: E penso poder dizer sem vaidade que, se há alguém capaz disso, há de ser eu e não um outro qualquer; não que não possa haver no mundo espíritos incomparavelmente melhores que o meu, mas porque não se poderia conceber tão bem uma coisa e torná-la sua, quando aprendida de um outro, como quando a inventamos nós mesmos.
Pg 116: Pois penso que as razões se seguem de tal maneira que, assim como as últimas são demonstradas pelas primeiras o são reciprocamente pelas últimas, que são seus efeitos.
22.12.2011 | Comente.
Israel – Setembro de 1011
Israel sempre foi para mim um país enigmático e foi tentando desvendar-lo que alcancei esse canto pequeno do planeta que ocupa desproporcionalmente o espaço da mídia internacional. Assim, no caminho de Tel-Aviv para Jerusalém tive ao meu lado um judeu de meia idade, que me perguntou de cara que dia iria embora e folgou em saber que seria cinco dias antes da data de votação da admissão da Palestina as NACOES UNIDAS, quando os moradores vizinhos amecam invadir Israel caso o ingresso não seja aprovado. Pude começar a ver bairros de árabes, alguns especialmente ricos, e que ganham por aqui mais de 10 vezes o ganhavam em seus países, razão pela qual não querem voltar aos mesmos e sejam contra a reintegração de áreas tomadas por Israel aos vizinhos na Guerra dos Sete Dias.
Entrar na cidade velha de Jerusalém nos enche de emoções raras, em que se mesclam sentimentos religiosos antigos com o racionalismo de um profissional de ciência. Assim desde o Portao dos Leoes, se percorre a Via Dolorosa, que teria sido percorrida por Jesus Cristo em seu calvário, registrando-se 9 das 14 estacoes da via crucis, das quais pude visitar duas que estavam abertas a visitação na rua e outras três na Igreja do Santo Sepulcro, onde se encontram os despojos de Jesus. Infelizmente todo o caminho está tomado pelos comerciantes que vendem praticamente de tudo, de condimentos a eletrônicos.
Pode-se adentrar a Cidade Velha por sete portões, sendo que o mais famoso é o Jafa Gate, construção da época otomana. Dentre os pontos turísticos mas interessantes nesse setor cidade destaco perto do Quarteirao Judeu, a Sinagoga de Hurva, contuida em 1700 e reconstruída em 1864, símbolo da renovação do Judaismo, pois foi destruída de novo pelos jordanianos em 1948, assim como o Museu da Diáspora, Museu da Camara do Holocausto, a Tumba do Rei David e o Local do Nascimento de Maria.
Mas nada mais importante que a visita ao Muro das Lamentacoes. O templo de Salomao incialmente construído no século X antes de Cristo e destruído pelos Babilonios em 586 AC. Foi novamente construído e destruído por Tito, general romano no ano 70 da era crista, que deixou parte do muro para que os judeus se lembrassem da violenta derrota frente a Roma, daí o nome de Muro das Lamentacoes, único resquício do templo erigido por Herodes, o Grande, no lugar do antigo Templo de Jerusalém. Era uma sexta-feira a noite, momento sagrado do Sabath, e eu entrei emocionado no recinto do Muro, fotografando e filmando grupos de judeus com gorrinho, com cartola e até com um estranho chapéus estilo abóbora, que se mesclavam com jovens e membros do exercito israelense com suas metralhadoras nas mãos, que cantavam e festejavam a data em êxtase total. Fui avançando por entre o povo até que cheguei a pousar minhas mãos no muro. Logo em seguida percebi que umas mulheres atrás estavam impacientes com minha eventual demora, ao que retruquei internamente que teria o direito de passar o tempo que julgasse apropriado naquela posição. Mas comecei a verificar que ao meu lado esquerdo só havia mulheres assim como no direito…isso mesmo, havia entrado no setor dedicado a elas, e pior, filmando e fotografando, algo que depois me dei conta que era proibido. Sem dúvida um dos maiores vexames em minha carreira internacional….
Uma ponta de apreensão percorreu minha medula quando o taxista que se prontificou a me levar até o Monte das Oliveiras, ao Ghetsimani (que aliás pude ver sob maravilhosa lua cheia em plena noite do Sabath) e a cidade velha, comecou a telefonar para alguém que após fiquei sabendo que seria um motorista (Ata, muito sério e simpático), que por sua vez me perguntou de onde era e se falava espanhol e então telefonou para alguém que deu para entender que falava ¨é brasileiro¨. E o carro saindo da área de Israel e entrando no lado árabe de Belém, em ruas mais pequenas e ruelas que lembram a periferia de Sao Paulo. E eu me perguntando, para onde esse cara está me levando? Foi quando parou e me entregou para uma terceira pessoa, o que realmente me intrigou, mas que seria meu guia em Belém. E de fato o foi, para alivio geral! Me levou até a igreja de Santa Helena, a mais antiga do mundo, onde assisti a uma cerimônia estranha, em que no meio os capeloes começaram a varrer a igreja (significando que cada um tem seu pedaço), e então visitei o local onde Jesus nasceu (tirei uma foto, com direito a beijo em uma estrela de prata que cobre o local) e repousou (outra foto). Ao lado, fui a igreja de Santa Catalina, onde fizemos uma foto interessante com Jesus Menino. Após me levou a uma lojinha onde o proprietário muito hábil me deu um malho para comprar seus produtos, mas com muita habilidade (ofereceu de cara um brinde com vinho branco feito pelos curas locais, especialmente para celebrar a Noite de Natal). Pude ainda ver o Vale da Anunciação, onde Maria foi avisada da gestação de Jesus, assim como a Capela da Assuncao de Maria.
Um dos problemas que o turista enfrenta é o preço que os taxistas aplicam, extremamente altos e arbitrários. Assim fui escalpelado pelo taxi que me trouxe de Tel Aviv para Netanya, uma linda região marítima, em que a partir do Blue Bay, hotel que nos abrigou, com perfil bem inferior ao Crowne Plaza em que fiquei em Jerusalém (e que ficava em bairro excelente com a Suprema Corta e o Parlamento ao lado) pode-se ver ao percorrer a praia por uma lado enormes falésias marron-avermelhadas onde em buracos desse acidente geográfico o pássaro mais típico daqui, preto com manchas cinzas, da família dos corvos mantém sua casa e por outro um mar verde-azulado que não fica atrás das melhores praias brasileiras. No sentido do centrinho de Netanya, se percorre lindas calcadas, com espaço para ciclovia e jardins, muito bem cuidados, com diversos brinquedos para as crianças, alcançado-se o elegante restaurante marroquino Marraquesh e o charmoso Café Del Mar, com direito a escutar excelente música que lembrava em muito a bossa nova.
A reunião do ICSSPE foi realizada no famoso Wingate Institute, que compreende o Zimman College of Physical Education, o Instituto de Coaching, e outras instituições como o Ribstein Research Center, onde se faz boa parte das pesquisas médico-desportivas. Justamente ao lado desse centro, foi construído um Jardim em homenagem ao nosso grande amigo Oded Bar-Or. Uma placa diz que ademais de um grande cientista era uma pessoa extraordinária. É pouco. Jantamos duas noites na luxuosa marina da cidadezinha de Herzelyia, onde mil de barcos se alinham a frente de descolados restaurantes.
Uma das coisas que estranho muito, muitíssimo é a dos Judeus Ortodoxos.
Para aqueles que querem mais detalhes, estou anexando abaixo um resumo deles. Eram 10000 quando o Estado de Israel foi estabelecido e hoje chegam a 20% da população. Uma loucura ser atentarmos para o fato que eles não trabalham, pois ficam orando o dia todo, mas são pagos pelo estado, estado que eles não reconhecem como seu país! Inclusive não cantam o hino nacional e nem celebram o Dia dos Mortos, quando todo o país as 10 da manha para por um minuto. Para mim parecem figuras sinistras, que abertamente pregam a beligerância com a Palestina e os outros vizinhos, e não reconhecem Israel e nem falam hebreu, porque consideram que somente depois da vinda do Messias poderiam faze-lo. Conspiram assim sempre contra a paz e um deles foi quem matou o querido Isac Rabin. Vestem sempre preto em um país extremamente quente e perguntados sobre isso nenhum judeu conseguiu me dar uma resposta adequada. Comecam explicando que os beduínos também usam preto no deserto, mas para poder guardar energia, coisa que esses ortodoxos não tem que se preocupar hoje em dia. Outros me disseram que é para mostrar humildade, mas nada melhor que o branco para denotar simplicidade? Por fim parece que eles trouxeram esses hábitos de seus países de origem, em especial da Polonia, perpetuando até nossos dias.
Assisti a um por de sol inesquecível. Estava a bola de fogo pouco a pouco baixando sobre o poente. Não havia nem uma pequena nuvem por perto. Só o astro rei e os limites do oceano. Os israelenses lembram os brasileiros em alguma forma de estilo de vida, como o desejo de bem estar, de beber, comer e de se divertir. Mas somente esse povo extremamente organizado e obstinado explica a visão do único país do Oriente Médio em que se pode ver grandes quantidades de verde, de plantações, de arvoredos e até de algumas grandes árvores, pássaros exóticos, flores mil, que transformam a região em verdadeiro canteiro de primaveras vermelhas, amarelas, brancas, violeta, laranja entre outras flores que reluzem ao sol, permanentemente presente, substituído a noite pela lua que reina tranqüila na negritude do céu; lembrando esse país, aparentemente calmo, mas cercado de tensões contínuas e eternas.
judaísmo ortodoxo é um dos três grandes ramos do judaísmo, uma vertente que se caracteriza pela observação relativamente rigorosa dos costumes e rituais em sua forma mais primitiva e tradicional, segundo as regras estabelecidas pela Torá e pelo Talmud, e imediatamente desenvolvido e aplicado pelas autoridades posteriores conhecidas como Gueonim, Rishonim e Arraronim. Geralmente o Judaísmo Ortodoxo consiste em duas vertentes diferentes, a Ortodoxa Moderna e a Ultra Ortodoxa. Os ortodoxos representam cerca de 15% da comunidade internacional. Os homens usam chapéu, roupas pretas e não cortam o cabelo junto às orelhas. Os ortodoxos defendem os hábitos tradicionais. Defendem posições religiosas e políticas radicais: Não reconhecem as sinagogas não ortodoxas e alimentam posições contra os muçulmanos e cristãos.
[editar] Crenças
O Judaísmo Ortodoxo é caracterizado pela crença que:
• A Torá e suas leis são Divinas, foram transmitidas por Deus(D’us) à Moisés, são eternas e inalteráveis.
• Há uma lei oral no judaísmo, que contem a interpretação oficial das seções legais da Torá escrita e também é Divina em virtude de ter sido transmitida por Deus à Moisés juntamente com a lei oral, como incluído no Talmude, Midrash e inúmeros textos relacionados, todos intrinsecamente e inerentemente ligados com a lei escrita da Torá.
21.01.2011 | 1 Comentário.
Amigos atuando como fundador e diretor do CELAFISCS e coordenador geral do Programa Agita São Paulo fui homenageado pela Diretoria de Ensino e Cultura da Polícia Militar do Estado de São Paulo em solenidade de celebração do seu 74ª(septuagésimo quarto) aniversário, ocasião em que destacadas personalidades foram homenageadas com a Medalha “Cel. Paul Balagny”.
Esta Comenda enaltece personalidades civis e militares, e ou instituições que tenham se destacado por relevante contribuição às ciências, letras, artes e cultura, resultando em benefício à Policia Militar do Estado de São Paulo.
A entrega solene aconteceu na manhã do dia 18 de janeiro na Capelania da Polícia Militar no bairro da Luz na capita de São Paulo, com a participação do alto comando da Policia Militar bem como dos Diretores de todos as escolas de formação da PM do estado.
12.01.2011 | Comente.
O Livro das Ilusões
Paul Auster. São Paulo, Companhia das Letras, 2002.
Paul Auster nasceu em 1947 em New Jersey, estudando literatura francesa, inglesa e italiana na Universidade de Columbia, em Nova York. Viveu em Paris de 1971 a 1975. De sua autoria cita-se Da Mão para Boca, A invenção da solidão e a Trilogia de Nova York.
Quando topa com Hector Mann, David se maravilha diante da maestria com que o ator controla o “bigode falante”e explora o terno branco; e passa a escrever uma monografia do ator. Assim que o livro é publicado o velho ator que todos davam como morto, reaparece num lugar chamado Tierra del Sueno, fazendo com que David se vê agora me meio ao desafio de decifrar a vida secreta do cômico.
Pg 20: Tudo vinha de mão beijada demais, eu achava; não sobrava o suficiente para a imaginação do expectador, e o paradoxo era que quanto mais perto os filmes chegavam da simulação da realidade, tanto menos conseguiam representar o mundo – que está em nós tanto quanto em volta de nós.
O acréscimo do som e da cor criou a ilusão de uma terceira dimensão, mas ao mesmo tempo roubou das imagens a sua pureza.
Pg 34: Há outros elementos envolvidos – os olhos a boca, os avanços e tropeções habilmente calibrados – mas o instrumento de comunicação é o bigode e, mesmo falando uma linguagem sem palavras, contorções e tremeliques são tão claros e compreensíveis quanto uma mensagem em código Morse.
Pg 43: Quando todas as cartas do baralho estão contra você, a única maneira de ganhar uma partida é violar as regras.
Pg 71: A idéia de um cadáver viajando pelo correio enche de horror, mas ossos secos e mofados são facilmente transportados. Estarão menos exaustos nessa última viagem do que quando eu os arrastava em volta em volta do globo, sobrecarregados com o peso de meus problemas.
Pg 73: Traduzir é um pouco como jogar carvão no fogo. Você vai juntando com a pá e jogando na fornalha. Cada pedra de carvão é uma palavra e cada pazada outra frase; se as costas deixarem e você tiver forcas para trabalhar de oito a dez horas por dia, o fogo não se apaga.
Pg 103: A única pessoa com quem eu sabia como me comportar era comigo mesmo – mas eu não era mais ninguém, não estava realmente vivo. Era apenas alguém se fingindo de vivo, um morto que passava os dias traduzindo o livro de um morto.
Pg 131: O apartamento de Brigid tornou-se um refugio e as noites sossegadas que passaram juntos ajudaram-no a manter cabeça e virilhas equilibradas.
Pg 133: Poderíamos acusá-lo de covarde, claro, mas com a mesma facilidade poderíamos também dizer que ele era um homem em conflito.
Pg 147: Eu falo só com os mortos agora. São os únicos em que confio, os únicos que me entendem, Com eles vivo sem um futuro.
Pg 168: Desobriu que a vida era um sonho febril e a realidade um mundo infundado de quimeras e alucinações, um lugar onde tudo o que se imaginava virava verdade.
Pg 177: Quando viu a falta de entendimento nos olhos dela, sentiu-se um felizardo por ter topado com uma puta tão obtusa e sem brilho. Por mais tempo que passasse com ela, sabia que estaria sempre sozinho quando estivessem juntos.
Pg 201: Ele estava feliz. Provavelmente mais feliz do que foi em qualquer outra época da vida, mas com essa felicidade veio também uma falta total de ambição.
Pg 204: Emily Dickinson escrevia na obscuridade, mas tentou publicar seus poemas. Van Gogh tentou vender suas telas. Até onde eu saiba , Hector é o primeiro artista a fazer seu trabalho com a intenção consciente e premeditadas de destruí-lo.
Pg 225: Sem despregar o olho dela, comecei a pressentir que Frieda era uma daquelas raras pessoas em quem a mente acaba vencendo a matéria.
Pg 231: Todos nós morremos cagando mijo e sangue, cagando nas calcas feitos recém-nascidos, sufocando no próprio muco.
Pg 234: Os momentos de crise produzem um aumento considerável de vitalidade nos homens. Ou talvez, mas concisamente : Os homens só começam a viver inteiramente quando estão acuados.
…e vi que eram todos de autores franceses: Baudelaire, Balzac, Proust, La Fontaine.
Pg 238: O filme começava como qualquer outra comedia amorosa e, pelos primeiros doze, quinze minutos, Hector se ateve às velhas convenções do gênero: o encontro acidental entre homem e mulher, os mal entendidos que os separam, a súbita reviravolta e a explosão de o desejo, o mergulho no delírio, o surgimento de dificuldades, a batalha das dúvidas e a superação delas – tudo o que levaria a uma solução triunfal.
Pg 241: Eu não tinha planos. Tudo o que eu queria era ficar sem fazer nada, vivendo a vida de uma pedra.
Pg 280: Agora entendia por que tinham escolhido o nome sabia que ela não existia, que a vida que estavam prestes a construir para si mesmos era baseada numa ilusão.
Pg 282: Como posso fazer o que não posso fazer? Ela disse. Não era uma pergunta retórica. Era uma declaração sobre a mesma, uma declaração de infelicidade. Como posso fazer o que não posso fazer? E então, virando para meu peito, de repente desabou e chorou.
Pg 306: Esses incidentes me perturbavam, mas nem por um instante parei para pensar no porquê de estarem acontecendo. Fazer essa pergunta significaria me pôr de quatro e abrir o alçapão debaixo do tapete, e eu não podia me dar ao luxo de espiar a escuridão daquele lugar.
12.01.2011 | Comente.
Maquiavel, O Príncipe
Porto Alegre, L&PM, 2010
Nicolas Maquiavel nasceu em Florença, em 3 de maior de 1469, e morreu em 22 de junho de 1527, também em Florença. Serviu a corte de Cesare Borgia, governante inescrupuloso e enérgico, até os Médicis derrubarem a Republica, em 1512, quando Maquiavel foi deposto e exilado. Em 1519, anistiado, voltou a Florença, onde exerceu funções político-militares. Em 1527 foi restaurada a República e Maquiavel é excluído da política. Sua doutrina, imortalizada neste O Príncipe, demonstra uma maneira cética de encarar o ser humano, sua concepção de poder pregava a prática acima da ética, pois tudo é válido contanto que o objetivo seja manter-se no poder. Citado incessantemente há quase quinhentos anos, O Príncipe é tido como um modelo imoral de praticar o poder, mas é seguido à risca por quase a totalidade dos políticos que o criticam. É incrível observar o quanto é praticado por especial segmento dos políticos tupiniquins.
Pg 7: …de sorte que terás como inimigos todos os que levaste ao ocuparem este principado, e tampouco poderás consolidar a amizade daqueles que abriram-te o caminho, pela impossibilidade de recompensá-los do modo que esperavam sê-lo e pela gratidão que impedirá que adotes contra eles remédios mais fortes.
Pg 17: Donde poderá tirar uma regra geral que jamais ou raramente falha: aquele que promove o poder de um outro perde o seu, pois tanto a astúcia quanto a força com as quais fora ele conquistado parecerão suspeitos aos olhos do novo poderoso.
Pg 22: Há três modos de lhes impor o jugo: o primeiro é destruindo-os; um outro, neles o novo príncipe fixando a sua morada; o terceiro é consentindo em que vivam conforme em seu interior um governo oligárquico que lhes coíba todo amotinamento.
Pg 26: Aqueles que, como os que mencionei, fazem-se príncipes mercê das suas virtudes conquistam com dificuldade os seus principados, mas com facilidade os podem conservar.
Pg 44: O mal, portanto, deve-se fazê-lo de um jacto, de modo a que a fugacidade do seu acre sabor faça fugaz a dor que traz. O bem, ao contrário, deve-se concedê-lo pouco a pouco, para que seja melhor apreciado o seu gosto. Na qualidade de príncipe, deverás, sobretudo, relacionar-te com os teus súditos de um modo tal que nenhum acidente, positivo ou negativo, deva obrigar-te a alterar a tua conduta: ora, quando ventos adversos te trouxerem a necessidade, já não poderás infligir o mal, e do bem que farás não tirarás proveito, pois nele verão um gesto forçado, indigno da menor gratidão.
Pg 59: O príncipe tem de comandá-las pessoalmente e assumir ele próprio os seus deveres de capitão; à republica cumpre enviar um dos seus cidadãos para chefiá-las. Quando este não se mostra um bravo, ela deve substituí-lo; quando, ao contrário, prova sê-lo, deve refreá-lo com as leis para que ele não infrinja as regras de seu posto.
Pg 67: Quando Davi foi à presença de Saul oferecer-se para lutar contra Golias – o filisteu que desafiara-o – Saul, na intenção de encorajá-lo, passou-lhe a sua própria armadura. Davi, após tê-la vestido, recusou-a, alegando que com ela não poderia valer-se das suas próprias forças, preferindo ir ao encontro do seu inimigo armado com a sua funda e com a sua faca. Numa palavra, a armadura de um outro, ou ela te cairá dos ombros, ou pesará demais sobre eles, ou te comprimirá.
Pg 78: Portanto, há mais prudência em ater-se à reputação de miserável, que engendra uma infâmia que não te faz execrado, do que, ao pretender a fama de liberal, incorrer inevitavelmente na de rapinante, que engendrou, uma infâmia que te faz odiado.
Pg 80: Todavia, o príncipe deve ser ponderoso em seu julgamento e em suas ações, sem temer o seu próprio poder, e proceder de um modo equilibrado, com prudência e benevolência, de sorte que a larga confiança (que nos outros deposita) não faça dele um incauto e que a sua excessiva desconfiança não o torne intolerável.
Pg 84: Assim devemos saber que existem dois modos de combater: um, com as leis; o outro, com a força.
Pg 85: … que aquele que sabe enganar encontra sempre um outro que, justamente, se deixa enganar.
Pg 86: A um príncipe, portanto, não é o necessário que de fato possuía todas as sobreditas qualidades: é necessário, porém, e muito, que ele pareça possuí-las.
Pg 87: Os homens mais julgam pela visão que pelo tato, uma vez que todos podem facilmente ver; somente uns poucos sentir.
Pg 101: Jamais aconteceu de um príncipe novo haver desarmado os seus súditos. Pelo contrário, ao encontrá-los desarmados, viu-se que ele sempre tratou de armá-los. Nota que, armando-os, estas armas tornam-se tuas; que os que te pareciam suspeitos fazem-se fiéis e que os que sempre o foram assim conservam-se, de súditos convertendo-se em teus seguidores.
Pg 105: Examinando atentamente a causa disso, e fazendo-o à luz dos exemplos emanados das realidades antiga e moderna, ele verá que muito mais fácil é obter a adesão daqueles que se sentiam satisfeitos com a referência anterior – e que, por isso, ele, num dado momento, teve por inimigos – do que aqueles que, com ela descontentes, se fizeram seus aliados, auxiliando-o em sua empresa de ocupação.
Pg 118: Não havendo nunca em tempos calmosos cogitado que tais ventos poderiam mudar ( o que é um vicio comum a todos os homens, o não importar-se com a tempestade no perdurar da bonança), em sobrevindo a adversidade eles pensaram em fugir e não em defender-se, aguardando que o povo, farto da insolência dos vitoriosos, reclamassem enfim a sua volta.
Pg 112: E porque existem três espécies de inteligência – uma, que apreende por sim mesma,; outra, capaz de discernir orientada pela percepção alheia, e uma terceira, inepta para ambas essas modalidades de entendimento – e também pelo fato de a primeira ser excelente, de a segunda ser muito boa e de a terceira ser simplesmente inútil, fazia-se necessário que Padolfo, não gozando daquela do primeiro e mais alto grau, fruísse a do segundo.
Pg 116: Esta é uma regra geral que não falha jamais: um dos bons conselhos, a menos que, por ventura, ele remeta-se a um único conselheiro, homem este de um grande aviso. Nesse caso, o príncipe poderia encontrar-se em boa situação, mas esta duraria pouco porquanto um tal orientador não tardaria a arrebatar-lhe o Estado.
Pg 124: Notamos que ela deixa-se melhor dominar por quem assim procede do que pelos que se portam com frialdade. Por esse motivo, com é mulher, ela é sempre amiga dos jovens: estes são menos judiciosos, mais aguerridos e mais audazes ao comandá-la.
Pg 132: Virtù (que por via de regra ó termo português virtude traduzirá) é um dos termos-chave do vocabulário maquiavelino. Virtù e fortuna são aas duas forças antagônicas – mas também complementares – nas quais concentram-se o essencial da vida e da ação política: a primeira representa o princípio ativo, que galvaniza a energia humana; a segunda constitui os limites externos e intrínsecos que opõem-se a essa ação (estejam eles demarcados pela “sorte”, pelo “acaso, ou pelas condições exteriores do arbítrio humano, vale dizer, pela situação concreta em que vive o sujeito).
12.01.2011 | Comente.
Baton Rouge – Setembro 2010
Depois de 17 horas de aviões que me trouxeram a Baton Rouge via Miami e Dallas, o convite da Catrine Tudor-Locke para uma caminhada em torno de um lago me pareceu extremamente atrativo e saudável. No entanto quase me arrependi ao ver um trajeto de 6 km ao longo de um lago, a ser coberto as duas da tarde com sol a pino e temperatura de 35 graus…Mas o passeio foi lindo, pois se passa por casas maravilhosas que custam em torno de um milhão de dólares, algumas das quais ocupadas por fraternidades, aqueles grupos de privilegiados universitários filhinhos de papai, com seus nomes em letras gregas indicando o alfa, kapa, gama ou o pi, beta, phi e por ai afora. Fiquei sabendo que para se entrar nelas é preciso ter notas altas e genética, ou seja, um pai ou mãe que foram membros anteriormente. Uma vez dentro tudo está incluído na mensalidade, inclusive almoço, jantares e até as festas! Mas eles precisam desenvolver alguma atividade de assistência social.
Um bairro logo ao lado dos Lakes, chamado de College Park, que costumava abrigar família de professores universitários tem casas muito bonitas onde se destacam os frondosos e centenários carvalhos, que emprestam toda uma atmosfera especial para a região. Uma pena pensar que um dia eles vão perecer…
Os franceses da Nova Escócia foram expulsos pelos ingleses e procuraram refúgio mais ao sul dos Estados Unidos, vindo a fundar cidades na Louisiania. Como tinham grande cultura e orgulho as suas tradições conseguiram manter seus padrões de vida. Dentre os costumes, a alimentação foi uma que reteve mais esses valores, em particular com a comida “cajun”, típica dessa região. É também por essa razão que o catolicismo é mais forte por essas paragens, onde inclusive se celebra o Mardi Grãs, que significa “terca gorda”, o carnaval local. Isso não impede das outras religiões terem também seus milhares de seguidores, que se dividem aos domingos entre os templos alocados em fileira, onde se pode ver a igreja metodista, batista, luterana, prebsteriana e evidentemente a católica.
Uma auto-pista moderna, com uma ponte de pelo menos 10 km de comprimento, leva o turista de Baton-Rouge a New Orleans. Foi uma experiência muito interessante voltar a visitar Nova Orleans, NOLA para os íntimos, após 20 anos. Em verdade minha primeira visita a essa cidade aconteceu em 1975, quando pela primeira vez um brasileiro apresentou um tema livre no Congresso do American College of Sports Medicine. Era uma era totalmente diferente, com não mais de 140 apresentações, contra as atuais 3000! A lista dos apresentadores de temas livres incluía David Costill, David Lamb, Roy Shephard, só para lembrar de alguns.
O chamado French Quartier, o must da cidade, encontra-se perfeitamente preservado, não tendo sido alcançado diretamente pelos transbordamentos do furacão Katrina, em 2005. Creio que 70% dos turistas estão de volta a cidade, caminhando pela legendária Bourbon Street, ansiosos por curtir a atmosfera especial dos barzinhos, restaurantes, lojas que vendem principalmente camisetas pretas por causa do time local dos Saints, que tem a flor de lis como símbolo. Comer bignets, uma espécie de crostoli com muito açúcar por cima com café gelado é um programa muito popular, que ganha glamour no Café du Monde. Mas você precisa estar com muita fome para comer o jambalaya, uma espécie de paeja, outro dos bons exemplos da comida cajun. Revi com alegria o Jackson Quarter com seus artistas mostrando suas pinturas e esculturas de gostos duvidosos. Mas a visão do resto da cidade é meio assustadora, pois parece como uma cidade fantasma, onde de fato saíram 100 mil habitantes, que levou a diversos prédios e calçadas vazias.
Nesse passeio, tive como companhia o Vincent Onywera, um queniano muito interessante que me contou duas histórias inesquecíveis. A primeira relacionada a como a população de seu pais superava a ameaça dos crocodilos, animais extremamente agressivos inclusive com humanos. Diz ele que oferecem um ovo bem quente, que capturado pelo animal escorrega até o estômago, muito frágil, que acabava queimado, matando o animal. A segunda é ainda mais sensacional. Ele me contou que quando eles encontram um hipopótomo no caminho, animal que se torna muito agressivo com humanos, basta iniciar a assobiar e o gigante animal passa a dançar alegremente, esquecendo de atacar suas vítimas.
Interessante notar que aqueles descendentes de franceses que emigraram da Nova Escócia tinham o sufixo “eau” no final dos nomes. Como para as autoridades locais isso era intolerável, eles acrescentavam um “X” ao final, o que foi incorporado orgulhosamente resultando em no sufixo “eaux”, tão popular que hoje é motivo de chamadas importantes como GEAUX, que significa “go Tigers”, o time de futebol da Lousiania State University.
Ir ao um jogo dos Tigers é uma experiência muito interessante. Não pelo jogo em si, mas pela festa que circunda o estádio nas três horas anteriores. São milhares de pessoas usando as cores amarela e lilás nos mais diversos apetrechos e idumentários, no corpo, nos carros e nos cachorros, com o rabo e as orelhas do tigre carregados com orgulho por lindas universitárias, que quase histericamente saúdam a passagem da portentosa banda e do tigre, verdadeiro, que custou 4 milhões de dólares! Centenas de tendas abrigam ex-alunos, a comunidade e outros, com bebida e comidas fartas, regadas a música local a todo som, que aqui e ali são acompanhadas pelo bailar dos jovens corpos.
Quase ia me esquecendo de dizer que minha vinda aqui foi em função de convite do Peter Kartzmazyk para fazer parte de um grande projeto de pesquisa e para tanto vim com o Mario Bracco, grande parceiro. Pudemos visitar o Pennington Biomedical Research Center, um complexo de investigação extremamente bem instalado, envolvendo desde MRI até centros de manutenção em freezer de tecidos, a câmaras metabólicas (tem duas das 6 que existem nos EUA), hotel, ginásios fantásticos, centro de pesquisa clinica, de pesquisas populacionais, enfim um mundo fantástico para qualquer pesquisador. Infelizmente uma forte característica dessa população é o racismo, ainda que velado, em relação aos negros, em especial de baixo nível econômico e educacional. Nem tudo são neves…o sonho americano tem custos…
16.08.2010 | Comente.
Cusco- Machu Pichu
Estou chegando a minha sétima viagem ao Peru, mas dessa vez não vou ficar só em Lima. Resolvi me dar finalmente alguns dias e preencher uma lacuna em meu verdadeiro curriculum: visitar a Machu-Pichu. Para tanto, é preciso pegar um vôo até Cuzco (que se escreve com s em espanhol), percorrendo o árido interior peruano e progressivamente alcançando a região montanhosa, com as geleiras aparecendo a janela esquerda do avião da Lan, que praticamente tem o monopólio de vôos para cá. Chega-se ao improvisado aeroporto que tem cinco fingers, dois dos quais obstruídos por reformas, onde se aguarda por longos períodos pelas suas malas. Enquanto isso o clima próprio da altitude média de 3200 metros já vai fazendo seus efeitos.
A cidade de Cuzco tem em torno de 500 mil habitantes, de maioria indígena, que se espalha por íngremes ladeiras que fazem o pobre turista fora de forma arfar profundamente enquanto caminha, por exemplo, em direção ao Hotel Midori, simpática e pequena hospedaria, onde tomei o chá de coca e que tinha sistema de TV tão variada que até pude assistir pela Globo um jogo do Brasil. No sopé desse morro, havia as crianças fazendo atividade física, pertencentes ao Colégio São Francisco de São Borja fundado em 1621. A data dá uma imagem da era em que se fundou a cidade. Em torno de 1532 Pizzarro o explorador espanhol chegava a essas terras e em torno de 1540 já se faziam planos para a construção de monumental catedral que somente ficou pronta em 1700, sendo vitimas de dois grandes terremotos, que a fizeram ainda mais bela. O complexo católico atual compreende a antiga, a nova e uma capela tão extraordinária em ouro e prata que seria considerada catedral em muitos lugares do planeta. A prata é de 9,5 graus, diferindo da comum em 9,25 por nunca escurecer. O coro da catedral é algo impressionante, todo talhado em cedro, assim como o púlpito da capela feito em uma peça só. Ao longo da cidade capital do império inca, podem-se ver ainda as fundações feitas em pedra, colocadas uma sobre outra de maneira que o ajuste era total, sem a necessidade de qualquer massa entre as mesmas. Essa perfeição era conseguida pelo polimento por pedras de hematita e pelo uso de madeira encharcada para separar os pedaços de pedras maiores.
Uma visita a Saqsayhuman permite verificar uma seqüência fantástica de rochas colocadas para sustentar camadas superiores onde se edificava um templo. Outra atração é a visita a Qoriakancha, local onde se faziam sacrifícios de lhamas, de preferência negras, pois a cor tinha um significado de pureza especial para os incas. Foi extraordinário visitar também a um local altíssimo, em torno de 3800 metros, chamado Templo das Águas, onde ela brotava da terra naquela tremenda altitude e era captada por sistema de canais especialmente construídos pelos incas.
Imponente e amistosa, cercada por casitas, igrejas, catedral, lojas e restaurantes, a Plaza Mayor representa o melhor cartão de visita de Cuzco. Do alto de um balcão, saboreando um capuchino muito caprichado ou um sorvete se pode ver o passar de gente local, com seus trajes típicos, coloridos mesclados com turistas já vestidos com seus novos gorros típicos, cachecóis, luvas, jalecos, carteiras, sapatos, brincos, colares, toda uma artilharia artesanal que tanto encanta a todos. Ao anoitecer, das vidraças do excelente restaurante Don Marcelo, se vê ainda mais bonita, cercada pelas luzes das montanhas ao redor, que a tornam um átrio, por onde sombras animadas passam para lá e para cá. É sem duvida a praça pode onde passa a vida!
Com ansiedade própria de adolescente passei a noite a pensar como seria a experiência do dia seguinte. À cinco da manhã estava em pé, pois às cinco e cinqüenta me vinham buscar para irmos a estação de trem rumo a Machu-Pichu. Um frio cortante atormentava a massa que progressivamente se acumulava a porta da estação, onde lindíssimos trens, com teto panorâmico estavam sendo carregados de mantimentos, enquanto funcionários atentos lustravam as paredes dos vagões, um exemplo para ser imitado. Pouco antes das sete da manhã a locomotiva deu início a jornada se movendo vagarosamente, razão das quase quatro horas de viagem, passando por caminho que cruzava pequenas vilas e sítios, onde vacas pastavam docilmente em campos que se tornavam cada vez mais férteis, a medida que se um pequeno riacho ia se transformando em caudaloso rio. Ao mesmo tempo as montanhas iam aumentando de altura, com diversas geleiras, com suas neves eternas, dos quais o mais lindo é a de Victoria.
Da estação de trem em Machu-Pichu se pega um pequeno ônibus que durante 30 minutos tenta galgar montanha acima, até chegar-se ao ponto do início da caminhada. Subir essa montanha realmente é um teste ergométrico de carga máxima. Freqüência cardíaca e respiratória lá em cima, obriga a pequenas paradas pelo caminho, até que se alcança um belvedere de onde se descortina o espetáculo de Machu-Pichu, com as edificações incas no topo da montanha principal, cercada por outros picos, como a famosa Montanha Feliz. O nome do local significa Montanha Velha (Machu- velha; pichu-montanha) vem de um pico mais alto logo atrás do sitio arqueológico e tem outras montanhas ao redor, como as Montanhas Jovem e Criança. A sensação é fantástica, caminhando por entre os templos do Sol, das cortinas de proteção por onde lhamas pastam calmamente, das casas dos sacerdotes, dos jovens guerreiros, dos futuros líderes, das virgens, da casa do condor, ave infelizmente extinta hoje no Peru. Pelo consumo de água se calculou que viveram nessa cidade sagrada entre 500 a 700 pessoas, tendo seu apogeu em torno de 1430, durante o reinado do Inca Ataualpa, que teria mandado edifica-la.
Ninguém sabe o porque do desaparecimento de semelhante império que abarcava também terras do Chile, Equador, Brasil, Argentina, Bolívia e Paraguai, que se comunicavam por eficiente sistema dos chasquis, corredores exímios que se localizavam a cada dois quilômetros de distancia. Uns dizem que os incas decidiram migrar para não terem que se submeter aos espanhóis. A teoria mais prevalente é que uma peste atacou aos guerreiros de Atualpa e de seu irmão Chasca que pelejavam pelo poder, assustando a todos que debandaram em massa. Essa luta foi o motivo da queda do grande império às tropas espanholas que se apresentaram como apaziguadoras de tal contenda, fato que depois foi desmascarado com os sucessivos saques dos espanhóis ao ouro local que fez com que o inca Manco se revoltasse e colocasse em armas a grande nação indígena contra os espanhóis, que no entanto foram massacrados e submetidos por eles.
Vale lembrar que os incas não sabiam do valor do ouro, que usavam como adorno de casas e objetos pelo brilho que causava. Não podiam por certo competir com os espanhóis, até porque seu lema era: não roube, não tenha inveja e não minta, algo muito mais alto que os daqueles ditos mais civilizados.
16.08.2010 | Comente.
Philip Roth, A Humilhação
São Paulo, Companhia das Letras, 2009
A Humilhacao
Esse é o trigésimo livro desse premiado autor, em que relata a historia de um ator que subitamente perde totalmente a vontade de interpretar; passando por diversos estágios, até se envolver em um caso erótico progressivo que termina como o esperado, com ela , que na verdade é meio ele, abandonando o ator, que em seu ultimo ato de suicida.
Pg 15: Quando o sofrimento atinge um certo patamar, a gente tenta qualquer coisa para explicar o que está acontecendo, mesmo sabendo que nada explica nada e que todas as explicações são igualmente fúteis.
Pg 18: Nada que acontece tem motivo. A gente perde, a gente ganha e é tudo acaso. A onipotência do acaso. A probabilidade de um revés. Isso, o imprevisível revés e seu poder.
Pg 27: Você se afastou do óbvio muito mais que qualquer outro ator. Você nunca era rotineiro. Você queria ir para todos os lados. Pra longe, bem longe, até onde você pudesse ir. E a platéia acreditava em você o tempo todo, aonde quer que você a levasse. É clasro que nada se conquista para sempre, mas também nada que se perde é pra sempre.
Pg 37: Cá entre nós, tem um tipo de pânico que vem com a idade. Sou bem mais velho que voc e estou tendo que enfrentar isso há anos. Pra começar você fica mais lento. Se eu começo a ler mais depressa, eu perco muita coisa. Minha fala está mais lenta, monha memória está mais lenta.Todas essas coisas começam a acontecer, Nesse processo você começa a perder a auto-confiança. Você não é mais rápido quanto era. Especialmente se você é ator.
Pg 32: Axler tentou se lembrar das peças em que um personagem se suicida. Hedda em Hedda Gabler, Julie em Senhorita Julie, Fedra em Hipólito, Jocasta em Édipo Rei, quase todo mundo em Antígona, Willy Loman em A morte de um caixeiro-viajante, Joe Keller em Todos os meus filhos, Gon Parritt em A vinda do Homem do Gelo, Simon Stimson em Nossa cidade, Ofélia em Hamlet, Otelo em Otelo, Cássio e Bruto em Julio César, Coneril em Rei Lear, Antonio, Cleópatra, Enobarco e Charmaian em Antonio e Cleópatra, o avô e, Acorda e canta!, Ivánov em Ivánoc,Konstanti em A gaivota. Deindre em Deindre das Tristezas, Hedvig em O pato selvagem, Rebecca West em Rosmersholm, Christine em Orin em Elcctora toma luto, Romeu e Julieta, o Ájax de Sóflocles. O suicídio é um tema que os dramaturgos encaram com recerencia desde o o qiunto século antes de Cristo, fascinados pelos seres humanos capazes de gerar emoções que inspiram esse ato extraordinário.
Pg 66: Ela tem muita coisa poderosa, disse a decana. Ela é mulher e homem, É criança e adulta. Tem um adolescente dentro dela que nunca cresceu. Ela é ingênua e esperta. Mas não é a sexualidade dela por si só que lhe dá poder – somos nós. Somos nós que conferimos a ela o poder de destruir.
16.08.2010 | 3 Comentários.
Entre os séculos 14 e 16, um grande império dourado dominava a costa ocidental da América do Sul. Regidos por brilhantes arquitetos e técnicos, os incas eram um povo organizado para o aprimoramento social. O fabuloso Império Inca estendia seus limites por uns 5.000 quilômetros, do sul da atual Colômbia até a Argentina. De fato, “os incas pensavam que tinham praticamente o mundo inteiro ao seu controle”. (National Geographic) Achavam que, além dos limites de seu império, nada havia que valesse a pena ser conquistado. Mas o resto do mundo sequer sabia da existência desse império.
Por volta do ano 1530, o conquistador espanhol Francisco Pizarro e seus soldados vieram do Panamá, atraídos por relatos da existência de ouro nessa terra desconhecida, que estava então em meio a guerra civil. O príncipe Huáscar, herdeiro legal do trono, havia sido derrotado e preso por seu meio-irmão Ataualpa, que vinha em direção à capital.
Depois de uma marcha difícil para a cidade interiorana de Cajamarca, Pizarro e seus homens foram bem-recebidos pelo usurpador Ataualpa. Mas, usando de traição, os espanhóis tiraram-no da liteira e o prenderam, enquanto que, ao mesmo tempo, matavam milhares de seus soldados atônitos e desprevenidos.
Contudo, mesmo cativo, Ataualpa continuou a guerra civil. Mandou mensageiros a Cuzco para matarem seu meio-irmão, o inca Huáscar, bem como centenas da família real. Sem querer, facilitou o plano de conquista de Pizarro.
Vendo a ganância dos espanhóis por ouro e prata, Ataualpa prometeu encher um salão com ouro e estatuetas de prata como resgate para a sua soltura. Mas em vão. Foi novamente traído. Depois que o prometido resgate foi providenciado, Ataualpa, o 13.° inca, considerado um idólatra pelos monges, foi primeiro batizado como católico e depois estrangulado.
O começo do fim
A captura e o assassinato de Ataualpa foi um golpe fatal ao Império Inca. Mas a população indígena resistiu aos invasores, de modo que o império agonizou por mais 40 anos antes de chegar ao fim.
Quando chegaram reforços, Pizarro e seus soldados estavam ansiosos de mudar para Cuzco a fim de saquear mais ouro. Na sua ganância, os espanhóis não hesitavam em usar de crueldade e tortura para arrancar dos indígenas onde estavam escondidos os tesouros, e para intimidar e dissuadir quem quer que lhes resistisse.
Acompanhado pelo irmão de Huáscar, o príncipe Manco II, que seria o próximo inca (Manco Inca Yupanqui), Pizarro invadiu Cuzco e pilhou todo o seu ouro. A maior parte das estátuas de ouro foram fundidas em lingotes e enviadas para a Espanha. Não admira que os piratas ingleses estivessem ansiosos de saquear os galeões espanhóis que levavam os tesouros do Peru! Carregado de tesouros, Pizarro partiu para a costa, onde em 1535 fundou a cidade de Lima como sede de seu governo.
Manco Inca Yupanqui, já então plenamente apercebido da ganância e traição dos conquistadores, organizou uma revolta. Outros também se rebelaram contra os espanhóis, mas finalmente os indígenas tiveram de se retirar para lugares remotos para resistir o máximo que podiam. É possível que a cidade sagrada de Machu Picchu, escondida entre as montanhas, tenha sido um de tais refúgios seguros.
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